A psicóloga entrou no quarto de Maris em silêncio. Ela estava acordada, deitada com a cabeça voltada para a janela, como quem procurava no horizonte algo que não sabia nomear. — Dona Maris… — chamou com doçura. — A senhora está pronta? Maris girou lentamente o rosto, os olhos ainda úmidos, mas lúcidos. — Ela… vem? A voz era fraca, entrecortada. A psicóloga aproximou-se, sentando-se ao lado da cama. — Sim. Ela vem. Mas antes, eu quero que a senhora respire fundo comigo. Vamos fazer isso juntas, tá? As duas inspiraram e expiraram com calma. — Eu preciso que a senhora esteja ciente de que ela também está fragilizada. Ela é forte, mas ainda está se recuperando. Então, tente não segurar o choro. Se vier, deixe vir. Mas evite se agitar. Sua filha precisa vê-la com esperança, não com medo.

