O carro preto parou em frente à casa luxuosa da família Castellani. Ainda era dia, mas as nuvens escuras pareciam anunciar a tempestade que viria — e ela não seria de chuva. Antônio Castellani desceu do carro com passos decididos, mandíbula tensa, os olhos fervendo. O motorista tentou abrir a porta, mas ele dispensou com um gesto seco. Ele mesmo entrou, atravessando a sala decorada com exagero e subindo os degraus de mármore sem anunciar a chegada. Encontrou Laura — a esposa — na suíte, sentada à penteadeira, se arrumando como se fosse sair. Vestia um robe de cetim branco e brincava com os cabelos como se não houvesse nada de errado no mundo. — Ah, querido! Que bom que chegou cedo. Estava pensando em jantar fora... — Laura — ele interrompeu, com a voz cortante. — Pode parar com essa pa

