Não era neurose de ataque de alemão, não era medo de tróia de polícia. Era um bagulho físico, uma conexão de alma que foi moldada nos tempos em que eu ainda andava na linha. O ar ao redor do posto pareceu mudar de densidade, ficando denso, sufocante. E no meio daquele cheiro forte de gasolina, óleo diesel, poeira e do sangue do miliciano que tava secando na minha camisa, um aroma bem fraco, quase invisível, mas completamente devastador, cortou as minhas narinas igual um golpe de navalha. Perfume de baunilha. Doce. Marcante. O perfume do pecado legítimo. Puta que pariu, o meu juízo virou um inferno na mesma hora. Aquele cheiro... Aquela fragrância exata era a marca registrada da mulher que arrebentou com a minha mente e me deixou trancado na solidão do crime organizado por três anos segui

