LUIS LUCAS NARRANDO
Eu nunca gostei tanto da Juliana, e isso eu deixava claro pra mãe dela, mas quem diz que ela sumiu com a menina quando eu pedi pra ela lá no começo pra tirar ela da barriga e depois quando ela nasceu e por aí foi. A minha insistência pra ela desaparecer com ela era grande mas ela nao quis e decidiu criar, eu era o pai e tinha que agir como o tal mesmo não amando ela de jeito nenhum.
Algumas vezes eu era o super pai, dava as coisas pra ela entre brinquedos, salgadinhos e levava pra passear, pra tirar ela um pouco de casa não suportava ver ela mexendo nas coisas. Teve uma época que eu quis até ser realmente pai dela e amar ela de verdade, foram alguns meses que eu fui verdadeiro, mas não durou muito por que ela é a mãe dela sempre estragavam todas as coisas, quando não era a mãe dela com a boca grande reclamando de mim era a Juliana que fazia birra até dizer chega, não dava pra aturar elas.
Foi por isso que eu arrumei outra e outra e mais outra, chegava bêbado em casa e vivia jogando, era ali que eu jogava todas as minhas frustrações, tanto as que eu tinha dentro de casa quando as que eu tinha no meu serviço com o meu chefe.
Apostei tanto e também fiz vários empréstimos com agiotas até que um dia eu tinha dinheiro e consegui montar meu negócio, minha loja de mecânica que era mais de faixada mesmo, ela servia para ‘caixa’ do meu verdadeiro negócio; eu faturava bem até só que o problema era que a maior parte do meu dinheiro ia pra pagar esses cara, mesmo que eu pagasse eles ainda me sobrava uma grana pra sustentar a casa, afinal eu também comia lá né.
Eu não gostava de ter uma filha por que eu não podia ser mais o mesmo dentro da minha própria casa, sempre pisando em casca de ovo com as coisas que falava e fazia, fora as birras frequentes em alguns anos da vida dela, mas já que a minha mulher quis ter ela né entao tinha que sustentar e fazer meu papel de homem dentro de casa, mesmo não gostando dela era uma das coisas que eu mais me orgulhava mesmo sendo um cara todo torto eu pelo menos ficava bem em dar o sustento pra elas.
Finalmente ela tinha uma serventia pra mim, eu tinha acumulado uma dívida muito grande com um agiota e tinha que sanar por que era minha cabeça em jogo ali, e bom ela já tinha 25 anos e já tava na hora de me pagar tudo que eu precisei dar pra ela todos esses anos, afinal foi um investimento que eu fiz e nunca tive um retorno. Mas não dava pra mandar ela pra fora de casa senão vai que ela voltava grávida ou com namorado, viraria moradora de rua, não sei só sei que não dava cara. A vida dela era só ficar aqui em casa limpando, passando, cozinhando e lavando, tinha uma bela serventia dentro de casa; acabou o ensino médio fazendo de casa mesmo assim como a faculdade que a bonita tanto quis, pra minha sorte ela ganhou uma bolsa de estudos e eu quase num tive gasto com isso, não sabia se era seguro ela ir pra fora de casa por que podia fugir e eu nunca mais achar ela, entre outras coisas, por que a bichinha era astuta mas sempre que fugia eu pegava ela e dava uma amassada pra aprender a não fugir de mim. Quando ela fosse embora eu ia ficar sem essa mordomia dela fazendo os bagulhos pra mim, mas dava pra sobreviver sem essa garota aqui que só dava desgosto, quase nunca fazia uma comida direito, deixava a casa suja ainda e vivia deitada, tirando os dias que essa marmanja chorava dizendo sentir falta da mãe dela e que queria ter ido junto ou que eu tivesse morrido no lugar dela, achava que isso me comovia. Coitada.
Acordei ela cedo hoje pra pela última vez se deliciar de limpar a casa e logo irmos pro galpão que a gente já tinha marcado o encontro com todos, é claro que tinha alguns curiosos pra saber se era real mesmo que voltamos pra era arcaica de leilão de pessoas, se ela era bonita mesmo e assim por diante, não importava, quanto mais gente era melhor, vai que eles davam lances também ou se interessassem pelo meu outro serviço. Sorte que eu tinha deixado mais cadeiras reservadas, tirando aqueles que tinham comprado lugar pra ver bem de perto o que tava rolando ali.
Um dos principais era o Leo ou Lion, era o dono do morro do Alemão e queria toca o terror no povo já que ela recém feito dono de lá, o pai dele tinha falecido há uns meses e essa a chance de tocar no coraçãozinho dele e quem sabe ele não pagaria um pouco mais por ela, claro que eu tinha uma carta na manga que tinha me dado a certeza, mas se o do alemão for mais alto claro que eu dou ela pra ele; os outros além de sem ruins de dinheiro e da velha guarda, ainda tinham loja de mulheres e não pagaram tão caro assim por uma que não tem experiência alguma.
Lucas - senhores sem mais delongas e brincadeiras, que tal começarmos ja?
Todo mundo gritava que sim, alguns assobiavam e batiam palmas, faziam um furdunço como bichos querendo ela como se fosse comida, ela chorava, mais chorava que soluçava, mas não deixava o olhar frio e bravo sair da cara dela.
Lucas - vamos la princesa, um sorriso.
Juliana - vai pro inferno.
Lucas - ok entao.
Fulano - começa logo isso que eu quero levar ela pra casa
Lucas - calma rapaziada, que ja vamos dar início. __ era esse, o ansioso quem já estava adiantado pra comprar ela.
Juliana - se quer tanto assim vem buscar seu...
Ela tenta falar algum xingamento, mas eu não deixo, pra gente levar um tiro na cara é daqui pra li, e ai minha dívida taria quitada só que eu não poderia usufruir da minha vida maravilhosa que seria sem ela e com dinheiro no bolso
Fulano - boquinha afiada essa ein, quero ver se vai ser assim na minha cama biscate
Juliana - você vai ver sim
Peço pra um dos caras segurarem ela pra ver se cala a boca, se nao calasse era pra amordaçar. E então posso começar sem mais demora o nosso leilão e me livrar dela. Minha dívida era de mais ou menos 30.000 reais, pouco eu sei, mas eu conseguia matar dois coelhos com uma cajadada só – me livrar dela e pagar a dívida, só que eu não poderia começar com esse valor, então comecei com 10mil, e foi subindo.
Aquela coisa de quem dá mais quem dá menos sabe pique programa de televisão, alguns começaram a reclamar entre si por que um cara tava dando lance mais alto que eles e meu ‘colega’ já sacou a arma e tivemos que apartar por que todos ja estavam com a mão na arma também. Dos 10 mil inicial fomos parar em 55 mil e o povo começou a murchar. Não queriam mais dar lance por que tava ficando muito caro pra só uma mulher que nem se virasse mulher da vida nao daria essa renda pra eles.
Então vejo uma mão aparecendo no meio da multidão enfurecida por causa do preço e uma voz ecoando: ‘eu dou 80 mil reais e nem um valor a mais ou a menos’, eu nem acreditei na hora que ele falou isso, e meus olhos brilharam na mesma hora.
Todo mundo ficou de queixo caído por que um homem tava dando tanto dinheiro assim por ela, mas nem se arriscaram a aumentar o valor, por que ele tinha subido 25 mil de uma vez, vai saber quanto mais ele ia subir se alguém desse mais um lance.