Durante aquela noite, Otávio não pôde dormir, escutava a voz de Baby gemendo ecoando em sua mente, e por várias vezes se pegou imaginando como seria, seu corpo, ou na cama, mas se repreendeu, não podia se permitir imaginar coisas do tipo sobre ela, não queria ser desrespeitoso dessa forma, mas estava difícil. Naquela manhã Otávio saiu cedo, ainda não sabia como faria para lidar com Bárbara.
Bárbara levantou-se feliz como a dias não estava, fez sua higiene matinal, em seguida se vestiu e foi em busca de Roger, o encontrou na sala.
– bom dia Bárbara, como está? – ele perguntou.
– bom dia Roger, estou bem, e o Otávio, não apareceu ainda?
– não. – disse Roger, afinal de contas, não tinha visto Otávio desde o dia anterior, ele voltou tarde e saiu muito cedo, sem que ninguém o visse, estava perturbado com o que tinha ouvido, estava sem coragem de olhar para ela. – e seu namorado? – Roger perguntou.
– ele preferiu ficar hospedado em uma pousada aqui do bairro, pena que Otávio não voltou ainda, ia combinar com ele pra apresentar os dois.
Pelo restante do dia, Otávio esteve fora de casa, fugindo de Bárbara e seu namorado, ele sabia que Guilherme voltaria naquela noite pra casa, então decidiu que, após o expediente no restaurante, ele voltaria, mas estava receoso com o que lhe esperava. Otávio chegou em casa pouco mais de onze da noite, ele sentou-se no sofá e abriu alguns botões de sua camisa, e relaxou um pouco, foi então que Bárbara veio animada, e o abraçou por cima do encosto do sofá e depositou um beijo em sua bochecha, o que o deixou nervoso.
– Bárbara, é você… – disse ele.
– se assustou? Anda com a consciência pesada é? – ela perguntou em um tom divertido, enquanto caminhava até o lado dele, onde sentou.
– não…claro que não, só não esperava que ainda tivesse alguém acordado a essa hora. – disse ele tentando se recompor.
– nem é tão tarde, chateada com você.
– por que? – ele perguntou enquanto ela se agarrava ao braço dele, estava animada como até ali ele nunca tinha visto.
– queria te apresentar o Guilherme. – disse ela.
– ah, desculpe, tive alguns imprevistos. – mentiu ele.
– tudo bem, eu entendo, da próxima vocês se conhecem.
– é, da próxima, como foi?
– foi incrível, estava com tanta saudade dele, ele me falou que em três semanas vem novamente me ver, ele vai pegar uma folga do trabalho e vai ficar mais alguns dias.
– que ótimo, te fez bem ver ele.
– sim, estava com muita saudade, mas e você, me conta, como está o trabalho?
– está indo bem. – ele respondeu simples.
– sua vida é parada demais, deveria sair mais, posso te apresentar uma das minhas amigas.
– das suas amigas? Devem ser meninas.
– todas maiores de idade.
– ainda sim muito novas.
– para de bobagem, você não tem setenta anos, é um homem jovem e bonito, tenho uma amiga, ela se chama Lidia, tem vinte e cinco anos, formada em direito, e muito linda, pensa só que legal seria, poderíamos sair os quatro, eu, Guilherme, você e ela. – ela disse o fazendo rir.
– um encontro a quatro? Isso é coisa de adolescente. – ele disse em um tom divertido.
– não é não, seria muito legal.
– se você diz.
– Otávio, você não tem vontade de encontrar alguém, não sei, de formar uma família?
– no momento não, vontade nenhuma. – até ali, Otávio não havia encontrado ninguém que o compreendesse ao fundo, que o fizesse se sentir no lugar certo, tudo era muito raso, casual, nunca passando de ficadas.
– mas deveria, você é um cara legal, tenho certeza que seria um bom namorado e um bom marido também.
– como tem tanta certeza? – ele perguntou.
– é…eu não tenho, mas se fosse um péssimo marido, eu teria de dar uma lição em você. – disse ela e ele riu.
– então não se preocupe, isso não vai acontecer. – disse ele, pois realmente não pensava em casar e construir uma família.