Duas semanas haviam se passado, e Leticia já não aguentava mais a rotina na casa. Enzo a tratava como uma empregada, exigindo dela os mais diversos serviços, sem nunca demonstrar gratidão. O peso da farsa começava a sufocá-la. Naquela manhã, ele havia saído para correr, e Leticia aproveitou para limpar o escritório. Era um espaço diferente dos outros cômodos: um verdadeiro santuário da família Mancini. As paredes estavam cobertas de fotos, troféus e lembranças de uma vida inteira dedicada às corridas. Ela parou diante de uma estante. Ali estavam registros de Enzo ainda menino, com o kart, o sorriso inocente e os olhos cheios de sonhos. Depois, fotos dele mais velho, já com o uniforme de piloto, o semblante determinado. Por fim, uma imagem em Mônaco, a última antes de tudo desmoronar. Foi

