Capítulo 11 – O Confronto

683 Words
Leticia estava distraída, dobrando algumas roupas e organizando uma mala no quarto. O silêncio da casa a envolvia, até que, sem perceber, Fabricio entrou abruptamente. — Que p***a é essa, Leticia? — disparou, a voz carregada de raiva. Ela se virou assustada. — Merda, Fabricio, que susto! Ele avançou alguns passos, os olhos faiscando. — Você se casou com aquele infeliz… por quê? Leticia respirou fundo, tentando manter a calma. — O que eu faço da minha vida não é da sua conta. Fabricio riu, sarcástico. — Ele não presta, Leticia. Enzo não presta. Ele vai enjoar de você. Era só ter transado com ele e pronto. Nunca vi Enzo pegar uma virgem… Antes que terminasse, a mão dela acertou o seu rosto com força. O som seco ecoou no quarto. Fabricio levou a mão à face, chocado. — Sai do meu quarto! — gritou Leticia, com lágrimas nos olhos. — Nunca mais fale comigo desse jeito. Nunca mais! Fabricio respirava pesado, mas não recuou. — Eu só quero te proteger. Você não entende! Esse cara não é confiável. Ele é piloto, vive cercado de mulheres, de festas. Você acha que vai ser diferente com você? Leticia se aproximou, firme. — Eu não preciso de proteção, Fabricio. Preciso de respeito. Você fala como se eu fosse uma criança, como se não soubesse o que quero. Mas eu sei. Eu escolhi Enzo. — Escolheu errado. — retrucou ele, amargo. — Vai sofrer. — Prefiro sofrer por uma escolha minha do que viver sob as suas críticas. — respondeu ela, firme. — Você não manda na minha vida. O silêncio se instalou por alguns segundos, pesado. Fabricio desviou o olhar, ainda furioso, mas incapaz de responder. Leticia, com a voz embargada, concluiu: — Eu não sou sua irmã, nem a sua propriedade. Sou uma mulher. E sou esposa de Enzo. Aceite isso ou se afaste. Fabricio apertou os punhos, mas não disse mais nada. Leticia respirou fundo, sentindo o coração disparado. A raiva ainda queimava, mas também havia alívio. Pela primeira vez, ela havia enfrentado Fabricio de frente, sem medo. Leticia estava ainda mexendo em suas roupas quando Fabricio de repente a puxou pelo braço, de forma firme. O olhar dele era carregado de tensão. — Você me ama, Leticia. — disse, quase como uma acusação. Ela se virou, surpresa, e respondeu firme: — Não amo mais. Você vai casar com a minha prima, que é como uma irmã para mim, vai ser pai do filho dela. Eu preciso seguir em frente. Fabricio respirou fundo, os olhos marejados. — Mas eu te amo. Antes que ela pudesse reagir, ele a puxou e a beijou. Mas não foi o beijo que Leticia um dia sonhou. Não havia calor, nem paixão. Apenas repulsa. O coração dela se fechou, e imediatamente sua mão acertou o rosto dele mais uma vez, dessa vez com mais força. — Respeite a mãe do seu filho! — gritou, empurrando-o para longe. Fabricio, atordoado, levou a mão ao rosto. — Me desculpe, Leti… não sei o que deu em mim. Ela, firme, com os olhos cheios de lágrimas, respondeu: — Nunca mais se aproxime de mim. Nunca mais. Fabricio saiu do quarto, derrotado, sem perceber que Giulia estava parada no corredor, ouvindo tudo. O mundo dela desmoronou naquele instante. O homem que ela amava, o pai de seu filho, também amava sua prima. O ciúme inflamou seu coração, e o ódio por Leticia cresceu silenciosamente. Giulia respirou fundo, engolindo a dor, e bateu na porta com um sorriso ensaiado, escondendo seus verdadeiros sentimentos. — Nossa, Leti, estou feliz por você. Pode deixar que vou arrumar tudo o que é seu com carinho. Vai, aproveite seu marido. Leticia, ingênua diante da tempestade que se formava, sorriu e abraçou a prima com sinceridade. — Ai, Giulia, obrigada. Giulia retribuiu o abraço, mas seus olhos, por trás do sorriso, explodiam em ciúmes e ódio. Naquele instante, duas verdades se revelaram: Leticia havia se libertado de Fabricio, mas sem perceber, havia despertado em Giulia um ressentimento profundo, capaz de mudar o rumo de todos os próximos dias.
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