›◞ TREZE

3775 Words
— Para de me olhar desse jeito. A voz suave acabou soando após uns bons segundos em que o silêncio entre os dois reinava entre os dois, o cortando completamente com a ajuda da risada baixa e grave do Min que veio logo em seguida. — Eu 'to te olhando como sempre, ué. – estalou a língua, estando largado sobre a cama alheia, embora claramente estivesse se fazendo de desentendido. Observava o Jeon mais novo parado à frente do próprio armário procurando algo que até agora Yoongi não sabia bem o que era, mas que fundo suspeitava. Ao fundo uma música baixinha e agitada de algum girlgroup – que naquele momento não saberia identificar – tocava, vindo diretamente de uma das playlists do seu celular que estava largado de qualquer jeito no colchão do amigo, mas não era como se nenhum dos dois estivesse exatamente prestando muita atenção naquilo, já que Jeongguk parecia imerso demais em seu mundinho e Yoongi parecia concentrado especialmente na missão de descobrir o que se passava na cabeça do menor. E assim que viu o mais novo suspirar pela quinta vez naqueles últimos dez minutos, finalmente o azulado se permitiu sentar, jogando as pernas para fora da cama e o observando. — Você 'tá indeciso sobre o que vestir? – indagou, sem rodeios, com pequeno sorriso nos lábios. E o ômega, antes tão entretido em sua tarefa, chegou a assustar um pouco com aquela pergunta que mais parecia uma afirmação sobre uma verdade tácita. — N-não seja bobo, hyung. Sabe que acho esse tipo de coisa fútil demais. – acabou respondendo após instantes, olhando o amigo por cima do ombro após instantes, logo voltando-se as roupas bem distribuídas, que não pareciam ser exatamente o seu foco. — Eu sei sim. Ainda assim você… A frase foi deixada no ar, conforme observava o mais novo em seu dilema pessoal, num incentivo para que ele falasse. — Ainda assim eu… 'To nervoso? – o que era pra ter saído como uma confissão, mais soou como uma dúvida. E então bufou, bagunçando os próprios fios escuros escuros, acabando dar uns passos pra trás e se jogar no puff fofinho e azul bebê disposto ali perto, se permitindo afundar no mesmo. — É ridículo, eu não sou assim… E nem tem motivo pra ficar desse jeito, mesmo assim eu nem consigo me concentrar na tarefa mais simples… Foi a deixa para que o mais velho se aproximasse, acabando por sentar de frente a ele, sobre o tapete felpudo e branco que tinha no chão. — Não tem nada de ridículo nisso, em minha humilde opinião. – negou. — É o seu primeiro encontro. Normal ficar nervoso e ansioso… A fala fez o menor se encolher um pouco, com o rosto um pouco pálido se avermelhando um pouco. Encontro. Aquela palavra fazia seu lobo se agitar de uma forma que o deixava inquieto, especialmente porque tornava tudo aquilo real. Seja lá o que aquilo fosse. — Olha, pensa assim – o azulado continuou. — Você conhece o Tae, e gosta da companhia dele, do contrário não teria aceitado, então… Vai ser bom. E agradável. E familiar… Não tem porque ser estranho ou assustador. Em outra situação as palavras pensadas e o tom calmo e paciente até demais teriam feito Jeongguk chiar dizendo que não era uma criança, mas naquele momento não se sentiu incomodado. Pelo contrário, aquilo havia o feito relaxar um pouco enquanto lentamente soltava o ar. — É… Tudo bem, você tem razão. – disse após um momento, afirmando. E logo repetiu, talvez mais pra si mesmo do que para o amigo: — Não vai ser estranho e nem assustador. — Isso. – o Min sorriu, satisfeito consigo mesmo, fazendo um carinho sutil nos fios do mais novo antes de então se pôr de pé. — Muito bem, agora que você está mais seguro, é hora de encontrar algo pra você vestir, afinal não pode ir pelado né? O mais velho sequer esperou resposta e logo estava de pé, fuçando o armário do mais novo sem fazer a menor cerimônia enquanto jogava algumas peças de roupa que gostava sobre a cama do mesmo. E Jeongguk também não fez questão de interromper o amigo, internamente agradecido, porque tinha a leve impressão de que se fosse voltar àquela tarefa provavelmente entraria num impasse novamente. Então se incumbiu de apenas observar a movimentação alheia, até que o mais velho praticamente lhe enxotou pro banheiro, o mandando parar de fazer hora e se apressar. Aqui fez o Jeon rir um pouco, ainda assim obedeceu, não demorando a que estivesse dentro do banheiro, despido e embaixo da água quente, permitindo que ela fizesse seus músculos relaxarem um pouco. Evitava pensar demais em qualquer coisa, porque se conhecia o bastante para saber que se o fizesse provavelmente ficaria travado, então somente se concentrou naquilo, aquela calmaria momentânea. Em alguns minutos, então, já teria acabado e agora com uma toalha cobrindo o próprio corpo esguio e curvilíneo retornou ao quarto agora vazio. E como ouviu as vozes do seu pai alfa e de Yoongi, vindas da sala provavelmente, deduziu que o mais velho tenha saído para que pudesse se trocar com sua privacidade e por isso mais uma vez agradeceu. Confiava plenamente em Yoongi e sabia que ele nunca o olharia de qualquer forma que o deixasse desconfortável. Ainda assim não conseguia ficar a vontade em ficar nu na frente de ninguém, nem mesmo do seu pai ômega, e o mais velho sabia daquilo. Soltou o ar lentamente, focando o olhar na cama onde o conjunto que havia sido separado estava e por um momento franziu o cenho já que parecia que Yoongi havia tirado aquelas peças literalmente do fundo, mais profundo, do seu armário, porque nem lembrava delas ou de já tê-las usado. Mas deu de ombros consigo mesmo, fazendo pouco caso, e então deixou a toalha branca e fofinha cair no chão enquanto focava em vestir-se. A tarefa não levou nem cinco minutos, e talvez um pouco mais que isso para que secasse os fios ainda úmidos e estivesse em frente ao espelho, conferindo sua aparência momentaneamente. Não era lá um ômega muito vaidoso. Ele se cuidava, claro, tudo relacionado ao seu bem estar, mas nunca foi lá de se importar muito com roupas, maquiagem ou qualquer coisa relacionada a sua aparência. Mas ali, agora, observando seu reflexo, se sentiu estranhamente satisfeito. Estava bonito. A calça jeans de cintura alta era de lavagem escura, bem mais mais justinha do que as que usava em seu dia a dia e delineava bem as suas pernas também marcando a cintura fininha que tinha, e parecia contrastar bastante com o suéter branco com gola em V que usava; o mesmo era folgadinho e longo o suficiente para não mostrar nenhum pedaço de pele, a não ser a das suas clavículas, que naquele momento apareciam um pouco. Mas nada exagerado. Era simples, mas agradável. Jeongguk se sentiu bem com o que viu e por um momento se perguntou se Taehyung também gostaria. Mordeu o lábio de forma sutil com aquele pensamento, mas logo negou consigo mesmo. Em seguida focou no reflexo mais uma vez, acabando por seguir até sua cômoda somente para pegar seus brincos que estavam ali, duas argolinhas pequenas delicadas e prateadas, as quais colocou com certa prática, antes de parar por um momento ao notar a boina vermelha esquecida num pequeno apoio que tenha ali. Ponderou um pouco, mas acabou por colocá-la também sobre seus fios, pegando também sua câmera – que Taehyung havia lhe dito para levar –, e só então se sentiu pronto para sair do cômodo, rumando a sala enquanto ajustava o celular no bolso da calça. E assim que botou os pés no lugar, automaticamente a atenção do amigo e seu pai, que antes conversavam, voltaram-se a si. — Hey, você acabou… – o Min foi o primeiro a quebrar o silêncio, com um sorriso sutil nos lábios rosado, que em seguida deu lugar a um bico discreto quando ele assobiou. — Caramba, que gato. — Aigoo, deixa de ser bobo, hyung. – balançou a cabeça abraçando a si mesmo, no fundo sem jeito com comentário do amigo, embora tivesse rido um pouco ainda. — Appa? Tudo bem? A pergunta foi dirigida ao mais velho, assim que Jeongguk notou que ele permanecia quieto e o observando ainda, com a maior cara de bobo. — Hm? – Eunwoo piscou algumas vezes, finalmente parecendo retornar a realidade. — Ah, eu 'to bem sim. É que você… Está muito bonito, amor. Vão sair? — Bom, eu vou encontrar o meu ruivo. – levantando, o Min sorria ao ver o amigo todo coradinho com o elogio do pai, mesmo que ainda estivesse sério. O Jeon mais novo se aproximou quando chamado, deixando que o pai lhe deixasse um selar na testa, como de costume. — Vou só dar uma volta com o Taehyung. – disse simplista, baixinho, assim que se afastou. — … E-eh? Você e o Taehyung-ssi…? – o alfa parecia um pouco atordoado com a informação enquanto olhava o filhote. — Uhum. – o mais novo afirmou, sequer notando a inquietação do mais velho. — Eu avisei ao JaeMin appa, mas esqueci de falar com o senhor, desculpe… Tem problema? — A-ah. – o mais, ainda aturdido, negou. — Não, não, sem problemas… E a sua máscara? Jeongguk sorriu um pouco, afirmando, mais tranquilo com a resposta do pai, e um tanto pensativo com a pergunta também. — Eu volto na hora, prometo. E… Eu não vou precisar dela. — Então é melhor irmos logo. – o Min novamente se pronunciou, chamando a atenção dos dois ali ao enlaçar o braço ao do mais novo. — Vamos, se não vai acabar se atrasando. O menor apenas afirmou, ambos se despedindo de um Jeon Eunwoo – que ainda parecia digerir a notícia e que provavelmente correria para o telefone assim que tivesse chance para indagar ao marido, que naquele horário estava trabalhando, sobre aquela história – antes que saíssem da residência. Caminharam alguns poucos passos naquela posição, de braços dados, até que parasse no ponto de ônibus que havia próximo a residência dos Jeon, e que também era o ponto onde separariam. — Sabe – prontamente o menor agarrou mais firmemente assim que Yoongi fez menção de se afastar. — S-se quiser, pode vir junto. Eu acho que o Taehyung não vai se incomodar. Disse rapidamente, observando o amigo, talvez tendo falhado totalmente na missão não pensar demais. E o Min notou isso. O olhou por um momento, chegando a sorrir um pouco ao observar aqueles grandes olhos negros cheios de nervosismo, ansiedade e ao mesmo tempo tempo com um brilho que nunca tinha visto antes. Jeongguk passava tanto tempo sendo durão, querendo cuidar de tudo e tendo a personalidade de um velho ranzinza, que às vezes Yoongi esquecia que ele só tinha dezessete, e que nunca tinha experimentado coisas que a maioria dos jovens da idade deles já estava habituado, como primeiras paixões, primeiros encontros, primeiros beijos e até primeiras decepções. Ele era como um mar revolto que nunca havia sido explorado a fundo. Ninguém nunca havia tido coragem de enfrentar o turbilhão para conhecer a calmaria que habitava no centro dele. Ao menos até agora. — Goo, relaxa. – apoiou uma mão sobre a do menor. — Vai ficar tudo bem. Você vai lá, vai se divertir e quando chegar em casa vai me ligar e contar tudo, uh? O Jeon soltou o ar, lentamente afirmando — Muito bem… E olha, eu to indo beijar na boca, mas você pode me ligar qualquer coisa. Ok? Dessa vez o moreno riu, sendo acompanhado pelo azulado, e então novamente afirmou novamente, antes que ambos se despedissem e seguissem cada qual o seu caminho. Jeongguk não caminhava com muita pressa, tanto porque, diferente do que o amigo havia dramatizado, ainda tinha algum tempo antes do horário marcado quanto porque a sorveteria onde haviam combinado de se encontrar não era tão longe assim de sua casa e dava para ir tranquilamente caminhando – e suspeitava que aquilo havia sido proposital já havia sido bem claro sobre o alfa não precisar se despencar até sua casa só para buscá-lo. Sorriu um pouco ao observar a câmera que carregava consigo. O Kim não havia dito exatamente onde iriam, só que ele iria gostar e que não se arrependeria se levasse a sua câmera. E por mais que houvesse tentado arrancar pistas dele durante toda a semana, ainda assim não havia tido sucesso algum, sempre recebendo uma risada em resposta acompanhada de um "É uma surpresa, nem adianta". O menor sempre fazia um bico quase inconsciente quando lia barra ouvia aquilo, mas por fim se conformava enquanto ansiedade e curiosidade cresciam ainda mais em seu interior. Assim como o frio na boca do estômago. Exatamente como aquele que sentia naquele… Ou nem tanto. Jeongguk parou por um momento assim que uma leve vertigem lhe acometeu, enquanto se apoiava – sem muita opção, do contrário tinha certeza absoluta de que cairia – no pequeno balanço que havia ali. Nem havia notado ao certo quando havia chegado no pequeno playground, que normalmente sempre estava lotado de crianças inquietas e barulhentas mas que naquele momento estava tão quieto e silencioso quanto possível, mas deu graças aos céus. Também não havia notado quando de repente havia ficado tão quente, mas de repente um lampejo lhe veio à mente – um tanto nublada naquele momento – quando sentiu uma fisgada em seu baixo ventre se sentiu suas pernas amolecerem tendo que se segurar firme para não cair. — P-p***a, fala sério… – murmurou em meio a um ofego sofrido. Cio.  Era óbvio, catastrófico, doloroso e estava bem ali. O fazendo arfar sempre que seus pulmões buscavam ar e sentir cada poro do seu corpo terrivelmente sensível e quente. Mas m***a era aquela? Não, não, seus cios não eram assim. Eles eram quentes, molhados desconcertantes, mas nunca daquela forma. Tinha alguma coisa errada consigo, só podia ser. Céus, estava tão molhado. Fechou os olhos com força diante daquela constatação constrangedora, nem sabendo mais por onde sua linha de pensamentos estava o levando, mas sabia que não era para um lugar muito inocente, porque naquele momento ele só sentia uma vontade inexplicável de ser preenchido e aquele sentimento o deixava em pânico. Ofegou, quase sentindo que cairia novamente, se segurando mais firme e tentando manter o controle. Vamos, Jeongguk. Você consegue. Mentalizou aquilo o máximo que conseguiu, na tentativa de tornar aquilo realidade para que pudesse seguir o seu caminho até em casa, porque àquela altura do campeonato, se sentindo daquela forma, a última coisa que queria fazer era encontrar Taehyung. Mordeu de leve para o conter o grunhido baixo que quis lhe escapar assim assim que somente pensou no alfa e no nervosismo ergueu a postura rapidamente, tomando pro lado e deixando a câmera cair. — Caramba… Eu não disse que tinha sentido um cheiro delicioso de ômega no cio? A voz grave e bem humorada – um humor nada agradável – soou pelo local num rompante assustando o ômega que se xingou mentalmente por sequer ter notado a aproximação e ainda por mais por ter se encolhido diante da fala. Ergueu o olhar um pouco nublado apenas para dar de cara com os dois alfas, aparentemente mais velhos que si – que se aproximavam juntos com um sorriso esquisito grudado no rosto. — Disse mesmo, parece que é nosso dia de sorte… E o seu também gracinha. – o outro se pronunciou em seguida, dando um passo à frente ao que Jeongguk recuou. — Dois alfas bem dispostos é exatamente do que precisa agora agora, não é? O menor os olhos com todo o ódio que havia reunido desde que eles haviam aberto a maldita boca para se dirigirem a si. Talvez fosse demorar mais do que havia planejado.                                 [Delicate] — Vai querer mais alguma coisa, senhor? — Ah, não, não. Isso é tudo. Obrigado. E com um simples aceno o Kim observou a garçonete se afastar. Suspirou enquanto dava uma olhada ao redor, logo no celular largado sobre a mesa, enquanto uma de suas pernas balançavam freneticamente abaixo da mesma. Naquele momento estava sentado numa das mesas que ficavam em frente a pequena sorveteria familiar que era bastante popular naquele bairro e local onde havia marcado de encontrar com Jeongguk. Um Jeongguk que por sinal estava atrasado e era justamente aquilo toda a fonte de sua inquietação. Poderia dizer que era culpa da ansiedade que estava impregnada em si desde o momento em que havia proposto aquele encontro ao mais novo, ou medo descabido de ter sido feito de bobo e ter levado um belo de um bolo do menor que provavelmente havia ficado assustado e desistido no último minuto. Mas não, era mais que aquilo. Por mais que cada uma daquelas possibilidades houvesse se passado em sua cabeça em algum momento, nenhuma durou tempo demais. Em especial porque a) por mais que não fizesse muito tempo, conhecia Jungkook bem o bastante para saber que ele não faria aquilo consigo, afinal ele certamente não era de dar pra trás e se quisesse o fazer teria sido honesto consigo e b) aquela maldita sensação em seu peito que mais parecia um m*l presságio. Chegava a lhe dar calafrios, e mesmo que em algum momento tivesse tentado se convencer de que estava exagerando e que ele nem estava tão atrasado assim, simplesmente não conseguia sossegar. Ainda mais com a falta de resposta do Jeon depois de ter mandado mensagem há alguns minutos. Ao pensar nisso novamente olhou ao redor em seguida checou o celular e a hora, e aquilo foi o estopim para que o Kim enfim levantasse, atirando à mesa algumas notas, antes de seguir pelo caminho oposto ao que havia usado para chegar ali, rumando na direção da casa de Jeongguk o mais rápido que conseguia, aumentando as passadas sempre que sua intuição alarmava mais e mais, e em algum momento já estava a correr enquanto sentia seu lobo praticamente uivar dentro de si, angustiado. Correu tanto que nem se incomodava em parecer um lunático, sempre buscando desviar de quem quer que aparecesse em seu caminho. E à medida que se aproximava de seu destino, sentia a angústia crescer ainda mais, principalmente ao sentir um cheiro doce, forte e extremamente familiar lhe acertar em cheio, como se tivesse levado um soco certeiro contra o rosto. Por instantes empacou, sentindo cada fibra do seu tensionar ao observar o playground há poucos metros de onde estava. Daquele ponto conseguia claramente ver duas figuras robustas que pareciam mover-se como se tentasse conter algo e por um ínfimo segundo teve o vislumbre do que seria esse algo. Ou melhor, quem. Nunca quis tanto estar errado em sua vida. E assim que escutou xingamento alto seguindo de um pedido quase apelativo para os homens se afastarem, foi impossível conter o rosnado alto e gutural que lhe escapou através da garganta e que chamou não só a atenção dos dois alfas – agora possessos por terem sido interrompidos – quanto também a do ômega. E se antes estava possesso apenas com as possibilidades que rondavam a mente, ver o pequeno ômega tão indefeso daquela forma, com a roupa amarrotada e rasgada – provavelmente de tanto puxarem – e um olhar assustado enquanto aquele cheiro forte se espalhava pelo local, foi um estopim. Era o retrato perfeito do caos, e antes que ao menos se desse conta do que fazia, já estava avançando sobre ambos homens, os afastando do moreno, que, sensível como estava – ainda mais com todas aquelas presenças tão fortes de alfa inundando o local – simplesmente foi ao chão quando as pernas cederam. Não tinha forças o bastante nem para erguer o olhar e observar a cena que se desenrolava, mas só de ouvir os sons guturais, rosnados seguidos de socos, chutes e gemidos de dor, tinha plena certeza de que também não queria ver. Se sentia afetado demais e seu lobo estava assustado e tão sensível quanto ele. Queria levantar e sair dali mais do que tudo, mas simplesmente não conseguia. E assim que finalmente notou que os sons haviam cessado e uma sombra se fez presente a sua frente, estremeceu. Mas dessa vez não me medo ou de terror, mas sim pela presença única que parecia ainda mais forte tão pertinho de si daquela forma, quase lhe roubando todo o ar dos pulmões. Reunindo forças nem sabia ao certo de onde, o moreno ergueu o olhar bem a tempo de observar Taehyung se abaixar a sua frente, grunhindo baixinho, quase sôfrego, quando sentiu uma das mãos fortes agarrar sua cintura com possessividade enquanto a outra passava por baixo de suas pernas e logo estava sendo erguido. — Você veio… – foi a primeira coisa que conseguiu dizer, num sussurro morno e manhoso, tanto quanto ele estava naquele momento. Usava as mãos para se apoiar no mesmo enquanto a cabeça se mantinha recostada no ombro alheio. E sentir a comodidade daquele corpo tão quente perto do seu, o fazia quase ronronar. Dali de perto conseguia sentir perfeitamente bem cada nuance do cheiro amadeirado característico do alfa e naquele momento tinha a certeza absoluta de que aquele seria o seu favorito no mundo todo. Tanto que sequer conteve o ímpeto que teve de afundar o nariz ali, conforme suspirava baixinho, sentindo uma satisfação inexplicável ao ver os pelinhos ali se arrepiarem. — p***a, ômega. – grave e rouca, foi assim que a voz do Kim se fez presente, junto do aperto ainda mais firme na cintura do menor, que arrancou um gemido baixinho do mesmo, bem como um rosnado seu em consequência. Estava tentando conter. Céus, só Deus sabia o quanto. Mas estava fodidamente difícil com Jeongguk daquela forma e tão, tão, entregue. — A-ah – o resmungo cheio de dengo saiu quase como um suspiro, fazendo com que apertasse ainda mais o tecido da camiseta alheia entre os dedos. — Alfa, isso dói tanto… Você vai cuidar de mim, não? Eu preciso… preciso de você… Talvez nem soubesse mais o que dizia, já que cada palavra que saia de sua boca nem era pensada, eram só externações do que sentia e do que queria. Estava tão envolvido naquele misto de sensações que demorou a notar que o mais alto ali já caminhava. E Taehyung, com o maxilar trincado e cada vez mais e******o, teve certeza de que seu autocontrole estava em frangalhos assim que focou no rosto delicado e corado de Jeongguk. Seu alfa estava falando mais alto.
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