**Diana**
Dor era tudo o que eu sentia. À medida que os meus ossos estalavam para se moldar à minha nova forma, eu sentia o meu corpo estremecer, tamanha era a dor que me tomava. Podia ouvir a voz de Dante tentando me confortar, mas aquilo doía tanto que m*l conseguia me concentrar na sua voz.
Sinto como se uma barreira tivesse caído na minha mente, e uma presença forte se aproximasse da minha consciência como uma onda. Tudo à minha volta foi se intensificando, apesar da dor: os sons, os cheiros e, principalmente, o calor que emanava de Dante. Eu já pensava que o cheiro dele era bom, mas o que eu estava sentindo naquele momento era além de maravilhoso.
O seu cheiro enche as minhas narinas, e aquilo foi o suficiente para que a barreira que havia na minha mente se rompesse. Sinto outra consciência me tomar, reconhecendo pela primeira vez Dante como companheiro.
— Companheiro — diz ela, fascinada com a sua presença. Mas, antes que tudo aquilo pudesse ser processado, mais estalos se ouvem e, por fim, o silêncio.
"Ele é tão maravilhoso" — diz a voz na minha consciência. Eu podia ouvir o tom de adoração que ela tinha ao se referir a Dante.
"Isso foi doloroso" — digo, sentindo-me aliviada.
"Desculpe por isso, Diana. Não queria que sofresse, mas era inevitável. Estou tão feliz por estar aqui" — diz ela, empolgada. — "Eu sou Shira, a sua loba."
Eu podia sentir o meu peito se expandindo de tanta alegria; eu finalmente tinha uma loba. Olho para baixo e encontro as minhas patas, fascinada com aquilo, então sinto a mão de Dante acariciar o meu pelo. Viro-me na sua direção e fico impressionada com o seu olhar sobre mim; ele tinha um largo sorriso, e os seus olhos transbordavam contentamento.
Lanço-me sobre ele, dando pequenas lambidas no seu rosto. Sinto Shira ronronar em satisfação, e a risada dele enche a clareira. Ele estava gostando daquilo tanto quanto eu.
— Que tal uma volta, companheira? — diz ele, segurando a minha cabeça peluda entre as mãos. Apenas me afasto e o espero.
Sem cerimônia, Dante retira as suas roupas, chamando o seu lobo. Eu fazia um grande esforço para não olhar para o seu corpo nu, algo que não incomodava Shira, que havia gostado do que tinha visto. Dante para à minha frente na sua forma de lobo, um enorme lobo avermelhado. Shira corre até ele, esfregando-se no seu corpo. Ainda não tínhamos nos marcado, então eu não conseguia falar com ele pelo elo mental. Quando ele me cutuca, apontando para a floresta, apenas o sigo de forma desajeitada.
Aquilo era mágico, não dava para descrever de outra forma. Os sons e cores da floresta estavam diferentes para mim; tudo estava mais intenso, e eu me sentia segura no meio da escuridão que nos cercava.
"Isso é porque a floresta é nosso lar, Diana; temos ligação com ela" — explica Shira.
Apenas me permito sentir. Deixo que Shira tome o controle e seja o animal que éramos naquele momento. Permito que ela explore a floresta ao lado de Dante, aproveitando cada pequena brincadeira entre eles. O vínculo estava ali; a cada momento, via o lobo de Dante se aproximar e lamber o rosto de Shira. Às vezes ele mordia de leve as suas patas traseiras, e ela corria atrás dele, tentando pegá-lo.
Os nossos lobos se divertiram durante aquela noite. Brincaram no riacho, rolaram na lama e exploraram a floresta. Quando encontraram um pequeno esquilo, ele teve trabalho para se livrar deles. Naqueles momentos, eles eram apenas lobos, e nós, nas suas consciências, sentíamos o vínculo que nos ligava ficar, a cada segundo, mais intenso.
Algumas horas depois, sinto o focinho de Dante me cutucar, apontando para onde deveria estar a casa da alcateia. Acho que ele percebeu o quanto eu estava cansada, mas feliz também. Passamos num riacho e nos limpamos da lama o melhor que podíamos, retornando para a mesma clareira de antes.
"Apenas se acalme e imagine-se retornando ao normal, Diana" — diz Shira quando chegamos à clareira. — "Vai sentir um pequeno incômodo, mas não será como da primeira vez."
Assim como ela me disse, eu fiz, e pude sentir lentamente o meu corpo se reajustando à minha forma humana. Havia mesmo um incômodo, mas nada comparado a antes. Quando me viro, encontro os olhos de Dante sobre mim; ele tinha um sorriso predador no rosto, e, por instinto, eu dou um passo para trás. Eu não o temia; pelo contrário, havia uma expectativa que se formava em torno dos seus movimentos e da forma como ele se aproximava de mim.
— Fugindo do seu companheiro, docinho? — diz ele, segurando-me pela cintura.
A pele quente de Dante tocando a minha era incrível, e as faíscas do vínculo passeavam pelo meu corpo, fazendo-me arfar. Eu o desejava, e, enquanto olhava nos seus olhos, era impossível não querer mais. O fato de eu estar nua na sua presença não me incomodava; eu só via Dante à minha frente, meu companheiro forte e incrível.
— Dante — digo, arfando, enquanto a sua outra mão acaricia o meu rosto. Fecho os olhos, deleitando-me com aquele contato, as faíscas do vínculo se espalhando pelo meu corpo de forma prazerosa.
— Se não quer que eu a tome, a hora é agora — diz ele com os olhos fixos nos meus. Aquela era a questão: eu não desejava que ele se contivesse; não queria que ele parasse o que estava fazendo. Dante era meu companheiro, e eu pertencia a ele.
Queria sentir qual era a sensação das mãos dele deslizando pelo meu corpo, queria sentir os seus lábios explorando cada parte da minha pele. Por um momento, me assusto com os meus pensamentos; ouço Shira rir na minha mente, ela também gostava da ideia e estava ansiosa para completar o vínculo entre nós.
— Eu não quero que pare — digo, olhando nos seus olhos.
Quando ele entende as minhas palavras, um sorriso curva os seus lábios enquanto ele se inclina para reivindicar os meus lábios pela primeira vez.