**Fenrir**
Falar sobre os Belmonte era sempre complicado. Queria que ao menos uma vez aqueles idiotas dessem uma trégua; já estava cansado daquele jogo de gato e rato, onde não chegávamos a lugar nenhum. Havia gostado da ideia de Dante, poderia dar certo com a interferência do conselho.
– Tem alguma notícia sobre a morte do alfa James? – pergunto a Ethan.
– Não preciso dizer que o conselho deu uma bronca daquelas pelo que você fez, mas consegui contornar as coisas quando expliquei a situação – diz ele.
Ethan era eficiente em tudo o que fazia. Após saber da morte do alfa James, ele havia colhido alguns depoimentos das pessoas que trabalhavam na casa da alcateia, assim como tinha fotografado o porão onde Zara estava presa. Eu tinha sorte por ter alguém tão competente ao meu lado.
– E qual foi a decisão deles? – pergunto.
– Eles estão investigando a situação. Na última vez que os vi, tinham infiltrado alguém na alcateia para ver como estavam as coisas, mas não disseram mais nada depois disso – explica ele. O conselho era astuto e nunca tomava uma decisão sem antes analisar de forma cuidadosa cada pequeno detalhe da situação.
– Fico mais tranquilo sabendo que eles estão tomando providência sobre tudo o que está acontecendo lá – digo a ele.
– Acho que eles vão fazer o mesmo em outras alcateias; até onde eu sei, há muitos relatos parecidos em outros lugares – diz Ethan.
– As pessoas nunca aprendem – diz Dante, balançando a cabeça.
– Infelizmente, não – digo, voltando-me para ele. – Quero que fique responsável pela patrulha na fronteira, Dante, e me informe tudo o que acontecer por lá.
– Será feito, alfa.
– Sam também estará com você, e preciso que sejam cuidadosos. Já sabem como os Belmonte agem, mas é bom ficar esperto – nunca esperava nada de bom daquela família, então o máximo que eu poderia fazer era alertar a todos sobre a sua proximidade.
– O Sam deve estar odiando isso – diz Dante, rindo.
– Ele vai sobreviver a algumas noites longe da Any – digo, rindo também. Se tinha algo que Sam prezava, era seu tempo com a sua companheira, e não duvidava nada de que ele viria bater à minha porta para discutir aquele assunto.
– Vai, mas estará com um humor do cão – diz Ethan, rindo.
Eu não via a hora de resolver tudo o que estava acontecendo e finalmente poder passar um tempo em paz com a minha companheira; apesar de estar apenas algumas horas longe dela, eu já sentia a sua falta terrivelmente.
– Para minha sorte, será apenas o Dante que terá que lidar com ele – digo, rindo, e vejo o rosto chocado dele.
– Isso foi golpe baixo – responde, balançando a cabeça.
– Ser alfa tem as suas recompensas – respondo, dando de ombros.
– Preciso dizer, alfa, que o conselho dos lobisomens informou que também estará passando aqui na alcateia; só não informaram o dia exato – diz Ethan, mudando de assunto.
– Já esperava por isso; apenas avisem os nossos guerreiros para não terem nenhuma surpresa – digo.
– Vou fazer isso – responde ele.
– Então terminamos – digo, já me levantando e indo para a porta.
– Ao menos disfarça que não está louco para fazer companhia à Luna – diz Ethan.
– Não posso, porque é verdade. Quando experimentar o que estou sentindo, vai entender – digo antes de sair da sala.
Subo as escadas correndo, louco para ver aqueles olhos castanhos que tanto me cativavam. Ter uma companheira estava além do fato de ela ser a pessoa mais importante da minha vida; tinha algo no meu peito que me fazia querer estar com ela a cada pequeno segundo do meu dia.
Eu amava Zara; a amei desde o primeiro momento em que os meus olhos encontraram os dela. Eu não me importava com as suas feridas ou com as cicatrizes que cobriam as suas costas; aquilo era algo muito pequeno perto dos meus verdadeiros sentimentos por ela. Quando estava na metade do caminho, sinto o meu corpo ficar estranho; encosto-me na parede, respirando pesadamente, tentando entender o que estava acontecendo.
"É a Zara, ela não está bem" – diz Koda, com preocupação. Com esforço, continuo caminhando, usando a parede como apoio até chegar ao meu quarto. Assim que entro, encontro Zara se remexendo na cama; podia ver a forma como o suor cobria o seu corpo, e aquilo me deixa desesperado.
– Zara! Zara, querida, acorde – digo, tocando o rosto dela, mas ela não acorda. – Zara!
O desespero toma conta do meu corpo; eu sentia Zara arder em febre, e ela se recusava a acordar, mesmo quando eu a chacoalhava na cama.
"Celina!" – chamo pelo elo mental, precisava de ajuda, e ela era a pessoa certa para aquilo.
"Do que precisa, alfa?" – ouço ela responder segundos depois.
"Zara não está acordando e está ardendo em febre" – digo, sem me preocupar que o desespero transpareça na minha voz.
"O que houve? Ela se machucou?" – pergunta ela, agora preocupada.
"Não! Ela estava dormindo e não acorda." Aquilo me deixava frustrado; não permitiria que nada acontecesse com a minha companheira, não depois de finalmente a encontrar. Zara era meu mundo, e eu não suportaria ficar sem ela.
"Tente acordá-la, alfa; já estou a caminho" – diz ela.
"Depressa!" – peço.
Volto-me para Zara, tentando acordá-la novamente, mas ela não despertava; seu corpo estava mole nos meus braços. Levanto-me, vou até o banheiro, pego uma toalha, molho-a na pia e volto novamente para a cama, passando-a pelo rosto de Zara. Aquilo não estava funcionando, e eu estava ficando frustrado.
"Ela não acorda, Celina; parece que está ficando mais quente" – digo a ela.
"Se a temperatura dela subir demais, ela pode convulsionar, alfa. Precisa resfriá-la" – responde ela.
"Entendi, vou fazer isso" – digo, já pegando Zara nos meus braços. Entro no banheiro, abro o chuveiro na água fria e me sento no chão com ela nos meus braços; o meu coração batia acelerado no meu peito enquanto eu olhava o seu corpo mole nos meus braços.