**Fenrir**
Termino o que tinha para resolver e corro para casa, ansioso para ver a minha companheira. Zara era uma delícia, literalmente. Estava ficando difícil manter as minhas mãos longe do seu corpo. Assim que chego, corro para o quarto, mas ela não estava lá; o seu cheiro estava fraco no local, o que me dizia que fazia horas que ela não entrava ali.
Ao lembrar que ela tinha ido ao jardim, corro até lá. Podia ser que ela estivesse dormindo numa das espreguiçadeiras que lá havia; não entraria em pânico sem motivo. Quando chego ao jardim, encontro-o vazio, nem sinal da minha companheira. O meu peito se agita ao pensar que algo de r*im poderia ter acontecido com ela.
Concentro-me no seu cheiro e inalo o ar profundamente. Quando percebo que o seu cheiro seguia em direção à floresta, paraliso, o pânico tomando conta de mim. Zara era nova na alcateia e ainda não conhecia os limites entre as matilhas. Rapidamente, caminho em direção ao local por onde ela havia entrado na floresta. Ao dar alguns passos, vejo-a vindo na minha direção tranquilamente; ao me ver, um largo sorriso se abre no seu rosto, e ela corre até mim, jogando-se nos meus braços.
— Pequena, quase me mata do coração — digo e dou um beijo nos seus lábios.
— Nala queria dar uma volta. — Vejo nos seus olhos algo que não estava lá antes, mas não a pressionaria a me contar.
— Não faça isso de novo, ainda não conhece os limites entre as alcateias; é perigoso se arriscar pela floresta. — Acaricio o seu rosto e vejo-a sorrir ao sentir o toque da minha mão.
— Não farei mais, prometo — responde ela. Fico mais tranquilo depois que ela promete não ir novamente à floresta. Pego a sua mão e a levo aos lábios para dar um beijo, mas, ao sentir o cheiro que estava na sua pele, a fúria me domina.
— Quem estava lá com você?! — digo, segurando a sua mão com força. Vejo os olhos de Zara se arregalarem e o medo estampar-se neles.
— O quê? — diz ela com os lábios tremendo.
— Quem estava com você, Zara? Posso sentir o cheiro dele em você!
Estava tão furioso que nem sequer percebi o medo dela, que apenas aumentava diante da minha fúria.
— Eu... eu...
— Não minta para mim! — digo, segurando o seu queixo com a mão.
— Encontrei alguém na cachoeira — diz ela, com a voz trêmula.
— Quem? Quero o nome do m*ldito que te tocou!
— Foi o alfa Lorcan; ele me encontrou na cachoeira. Mas eu juro, Fenrir, não aconteceu nada. Ele foi educado e me mostrou o caminho de volta para cá — diz ela, com lágrimas descendo pelo rosto. - Apenas conversamos um pouco.
Ao vê-la chorar, percebo o tamanho da burrice que cometi ao deixar que a fúria me dominasse. Zara estava começando a se recuperar das agressões que sofrera, e ali estava eu, fazendo o mesmo que os seus agressores.
— Pequena... — digo e ergo as minhas mãos para tocar o seu rosto, mas ela se encolhe, escondendo o rosto com a outra mão. Paro ao perceber que ela achava que eu iria bater nela, como o m*ldito do alfa James fazia.
— Por favor, Fenrir — pede ela, sem olhar nos meus olhos. — Está me machucando.
Quando olho para sua mão, percebo que a segurava com força demais. Solto-a imediatamente e vejo-a puxar a mão para seu peito, chorando. Dou um passo para trás, chocado com o que eu tinha feito. Não acreditava que eu tinha machucado a minha companheira por um motivo tão fútil.
— Zara, eu... — tento me aproximar, mas ela se afasta de mim, encolhendo os ombros.
Era como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre mim. Tinha acabado de destruir todo o progresso que fizera com ela nos últimos dias, tudo porque deixei o ciúme me consumir.
— Zara, eu sinto muito, não queria te magoar — digo e vejo-a apenas acenar para mim, sem olhar nos meus olhos. — Deixa-me aproximar, pequena; não te farei m*l.
Era uma tortura para mim vê-la daquela forma e não poder consolá-la, mesmo sabendo que fui eu a causar sua dor. Os seus olhos me olhavam com tanta mágoa que eu mesmo queria bater em mim pela burrice que fiz.
— Perdoa-me, querida. Deixa-me te levar para que a doutora Celina veja a sua mão — peço novamente, e vejo-a acenar com a cabeça.
Mais aliviado, aproximo-me dela devagar, dou um beijo na sua testa e a pego nos braços, tirando-a daquele lugar. Assim que chego à casa da matilha, a doutora já nos aguardava na sala. Coloco Zara sentada no sofá e sento-me ao seu lado.
— Deixa-me ver, Luna — pede ela, aproximando-se de Zara. Um tanto relutante, Zara estende a mão para Celina examinar. — Não está tão r*im; ao que parece, quebrou um dos dedos, mas até amanhã já deve estar curado.
Ouvir aquilo fazia-me sentir um fracasso como companheiro. Jamais me perdoaria por tê-la magoado; não a minha Zara, que já havia passado por tanto na vida sendo tão jovem e ainda assim sempre tinha um sorriso no rosto. Vejo Celina imobilizar o seu dedo com cuidado.
— Pronto, só precisa de mantê-lo imóvel para não calcificar de forma errada.
— Obrigada, Celina — digo.
— Se precisar de algo mais, basta chamar, alfa. Vou deixar alguns comprimidos para a dor caso a Luna precise — diz ela, colocando um frasco de comprimidos sobre a mesa. — Toma um agora à noite, antes de dormir, Luna.
— Obrigada, doutora — diz ela, com os olhos baixos. Vejo o olhar de Celina mudar com a postura de Zara, e ela me olha esperando uma resposta, então faço um resumo do que aconteceu pelo elo mental, e ela parte, mas antes me lança um olhar bravo.
A dor maior no meu peito era saber que não foi um inimigo que a machucou, mas sim eu, aquele que deveria protegê-la a qualquer custo. E essa dor não me deixaria tão cedo.