O Instinto da Atração

1411 Words
**Dante** O silêncio na casa da matilha naquela manhã era incomum. A rotina era sempre a mesma: os membros da alcateia descendo para o café da manhã, alguns conversando animadamente sobre os planos do dia, enquanto outros, como eu, preferiam a tranquilidade antes que os afazeres da liderança tomassem conta de tudo. No entanto, uma ausência em particular chamou a minha atenção — Diana. Ela sempre descia cedo, discreta, mantendo-se em silêncio, quase como uma sombra. Estava claro que ela ainda não se sentia completamente confortável na matilha, mas eu sabia que o seu lobo estava para despertar. Eu a sentia cada vez mais conectada a mim, mesmo que ela ainda não tivesse consciência do que significava essa atração crescente. Diana era minha companheira, e a verdade disso pairava entre nós, invisível e poderosa. Quando o relógio marcou 9h e ela ainda não havia descido, a preocupação começou a se formar em minha mente. Talvez ela estivesse apenas cansada, mas algo me incomodava. Sem pensar duas vezes, decidi ir até o quarto dela para ver se estava tudo bem. Subi as escadas em passos firmes, mas me esforçando para não parecer ansioso. Chegando à porta do quarto de Diana, bati suavemente, esperando que ela respondesse. O silêncio que se seguiu apenas aumentou a sensação de que algo não estava certo. — Diana? — chamei, tentando manter a voz calma, embora a preocupação já estivesse começando a se intensificar. — Está tudo bem? Ainda sem resposta. Bati novamente, um pouco mais forte desta vez, mas o silêncio persistiu. O meu instinto de proteção entrou em alerta, e, antes que pudesse me controlar, girei a maçaneta e entrei no quarto. O ambiente estava envolto em penumbra. As cortinas ainda estavam fechadas, bloqueando a luz do sol, mas meus olhos rapidamente se ajustaram à escuridão suave do quarto. Ela estava deitada na cama, os cabelos espalhados sobre o travesseiro, respirando lentamente, mas não dormindo. — Diana? — perguntei com a voz baixa, me aproximando da cama. Ela virou a cabeça na minha direção, os seus olhos ligeiramente arregalados como se estivesse surpresa, ou talvez confusa, pela minha presença. — Dante... — a sua voz era suave, quase um sussurro, e notei uma mistura de emoções no seu olhar. Havia algo mais ali, além da surpresa: uma inquietação, uma batalha interna que ela claramente estava enfrentando. — Você não desceu para o café da manhã. Queria ver se estava tudo bem — expliquei, me sentindo um pouco estranho por invadir o seu espaço, mas sem conseguir afastar a preocupação que sentia. Ela não respondeu de imediato. Em vez disso, os seus olhos desceram rapidamente para as minhas mãos, para o meu peito e, por fim, voltaram a encontrar os meus olhos. Eu podia ver que ela estava desconfortável, mas também havia algo mais — uma atração que ela ainda não compreendia completamente. E eu sabia o que era. Ela estava sentindo o laço entre nós, mesmo que ainda não tivesse consciência da sua natureza. — Estou bem — disse ela finalmente, mas sua voz tremia levemente. Permaneci ao lado da cama, sem saber se deveria me afastar ou continuar ali. O silêncio entre nós parecia esticar, denso e cheio de uma tensão que eu sabia que Diana não entendia. A respiração dela acelerava, e os seus olhos não conseguiam se afastar de mim. — Diana... — comecei a falar, mas antes que pudesse continuar, ela se moveu de repente. Sem dizer uma palavra, ela se sentou na cama e, com um impulso inesperado, subiu no meu colo, a suas pernas envolvendo a minha cintura. Fiquei rígido por um segundo, surpreso com o movimento. O cheiro dela, doce e delicado, misturava-se ao meu, e eu sabia que ela estava sentindo o mesmo que eu — uma necessidade instintiva de estar perto. Os seus braços enlaçaram o meu pescoço, e a sua respiração era rápida, ofegante. Senti o calor do seu corpo contra o meu, e a sua cabeça se aproximou do meu ombro, como se buscasse algo que ela não conseguia explicar. — Diana... o que... — tentei falar, mas minhas palavras ficaram presas na garganta. Ela não respondeu. Em vez disso, afundou o rosto no meu pescoço, respirando profundamente o meu cheiro. Eu sabia que o meu aroma a afetava. A sua pele estava quente, e o seu corpo tremia levemente, como se estivesse lutando consigo mesma. Por um momento, deixei-a ali, sentindo o seu corpo relaxar contra o meu, os dedos dela se apertando na minha camisa. O conflito na suas ações era evidente. Ela estava assustada, mas ao mesmo tempo era como se algo dentro dela a impulsionasse a continuar. Eu sabia o que estava acontecendo, e o instinto de protegê-la crescia dentro de mim, mas também havia a necessidade de lhe dar o espaço para entender o que sentia. Então, sem aviso, ela começou a soluçar. — Eu... eu não sei o que estou fazendo — sua voz saiu entrecortada, e percebi que as lágrimas estavam escorrendo por seu rosto. Então entendi que o fato dela não saber que somos companheiros apenas a estava magoando, pois Diana não entendia os sentimentos que a tomavam. As minhas mãos subiram automaticamente para segurar as suas costas, tentando confortá-la. Cada parte de mim queria dizer a verdade, acabar com o tormento que ela estava sentindo, mas sabia que, para ela, seria um choque. Ela não estava pronta, não ainda. — Está tudo bem — murmurei, minha voz baixa e suave. — Não precisa ter medo. Ela apertou o corpo ainda mais contra o meu, os soluços ficando mais intensos. Senti a suas lágrimas molharem o meu pescoço, e a vulnerabilidade que ela mostrava me fez perceber o quão confusa ela estava. — Eu... eu sinto medo de você, Dante — confessou ela, a voz embargada pelo choro. — Você é tão grande, tão forte... e eu... eu não entendo por que eu... por que quero estar perto de você e, ao mesmo tempo, me sinto assustada. O seu choro se intensificou, e os meus braços a apertaram mais firmemente contra mim. Cada palavra dela era uma faca no meu coração. O medo que ela sentia não era incomum. Eu era grande, imponente, e sei que, para alguém que ainda não despertou o seu lobo, isso podia ser aterrorizante. — Diana... — comecei, a minha voz mais rouca do que pretendia. — Você sente tudo isso porque somos companheiros. Ela congelou nos meus braços, e eu podia sentir o seu corpo inteiro tensionar-se. O seu choro cessou de repente, como se ela estivesse processando o que eu havia acabado de dizer. Ela se afastou um pouco, apenas o suficiente para olhar nos meus olhos, e a confusão no seu rosto era clara. As suas bochechas ainda estavam molhadas de lágrimas, e o seu olhar estava fixo no meu, procurando uma explicação. — Companheiros? — murmurou ela, como se a palavra fosse estrangeira nos seus lábios. Assenti, mantendo o olhar firme. — Sim. Companheiros. Eu sabia disso desde o primeiro momento em que te vi. O lobo dentro de mim reconheceu você. É por isso que você se sente assim. A atração, o medo, a confusão... tudo isso é normal antes do seu lobo despertar. Ele está perto, Diana. Seu lobo está quase acordando, e quando isso acontecer, tudo vai fazer sentido. Ela piscou, parecendo atordoada. As suas mãos ainda estavam nos meus ombros, e a proximidade entre nós fazia com que cada palavra minha parecesse ainda mais intensa. — Eu... eu não sabia — disse ela baixinho, sua voz quebrada. — Eu sei. E eu não queria te assustar — respondi, limpando suavemente uma lágrima que ainda descia por seu rosto. — Você não precisa ter medo de mim, Diana. Nunca. Eu te protejo, sempre. E quando o seu lobo despertar, você vai entender. Ela permaneceu em silêncio, os olhos ainda fixos nos meus, como se estivesse tentando absorver o que eu havia acabado de dizer. A tensão entre nós diminuiu levemente, mas ainda havia incerteza. Então, inesperadamente, ela afundou a cabeça no meu peito novamente, agarrando-se a mim com mais força do que antes. Mas dessa vez, não era pelo medo — era por necessidade. Algo dentro dela estava cedendo, começando a aceitar o laço que existia entre nós, mesmo que ela ainda não o entendesse completamente. E eu fiquei ali, segurando-a, prometendo silenciosamente a mim mesmo que não a deixaria lidar com isso sozinha.
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