O Toque do Lobo

1221 Words
**Zara** Eu continuava com o rosto enterrado na coberta, tentando me esconder da vergonha que sentia. Não acreditava que havia acabado de dizer que Nala o achava “gostoso” para Fenrir, e tudo graças à loba atrevida na minha mente, que agora ria como se fosse a melhor piada do mundo. Sentia o colchão ceder ainda mais enquanto Fenrir se ajeitava ao meu lado na cama. Ele não parecia nem um pouco incomodado com o que eu tinha acabado de dizer. Na verdade, a risada baixa dele mostrava que ele achava tudo aquilo bastante divertido. — Zara... — ele começou, puxando suavemente a coberta para revelar o meu rosto. Eu sabia que os seus olhos estavam fixos em mim, mas relutava em encará-lo. — Por favor, não esconda isso de mim. É bom saber que até Nala acha que sou atraente — disse ele, com um sorriso malicioso nos lábios. Eu ainda não conseguia acreditar no que tinha acabado de confessar, mas, ao vê-lo tão relaxado e natural, algo dentro de mim começou a mudar. Fenrir não parecia me julgar ou me fazer sentir desconfortável. Ele sempre me tratava com carinho e paciência, algo que eu ainda estava aprendendo a aceitar depois de tantos anos de abuso. — Desculpa... não sei o que deu em mim — murmurei, tentando desviar o olhar. — Não precisa se desculpar por isso, amor. Na verdade, é bom saber que aos poucos você está se sentindo mais à vontade ao meu lado — disse ele, e havia tanta verdade nas suas palavras que senti o meu peito se aquecer de uma maneira que não esperava. Ele se acomodou mais na cama, com o braço forte passando ao redor da minha cintura, me puxando para perto. Estar naquele espaço compartilhado com Fenrir, sentindo o calor do seu corpo contra o meu, não parecia mais tão assustador. Havia algo reconfortante na sua presença, algo que me fazia sentir segura. — Que tal o filme? — sugeriu ele, ainda me envolvendo no seu abraço. — Vai ajudar a relaxar, e podemos pedir algo para comer. — Tudo bem — concordei, sentindo-me estranhamente tranquila ao lado dele. Fenrir pegou o controle remoto e começou a procurar por algo no catálogo de filmes, enquanto eu me aconchegava nas cobertas. Ele escolheu uma comédia romântica, e eu achei engraçado que, com todo o seu porte de alfa, ele ainda gostasse de filmes leves. — Não pensei que você gostasse desse tipo de filme — comentei, tentando aliviar a tensão. — Todo alfa tem os seus segredos — respondeu ele, piscando para mim com um sorriso travesso. Nos primeiros minutos do filme, eu ainda estava tensa, os meus pensamentos girando em torno de tudo o que tinha acontecido nos últimos dias, principalmente sobre como eu me sentia em relação a Fenrir. No entanto, à medida que a história do filme avançava, algo mudou. Fenrir mantinha a sua mão descansando na minha, e a sensação do calor dele me ancorava. Eu não esperava me sentir tão confortável ao lado de alguém novamente, muito menos ao lado de um companheiro. Mas ali estava eu, ao lado de Fenrir, assistindo a um filme e, pela primeira vez em muito tempo, me sentindo segura. Enquanto o filme seguia, ele pediu o jantar, e comemos na cama mesmo, algo que nunca imaginei fazer. A comida era simples, mas deliciosa. Estava tão acostumada com o desconforto e o medo que, de repente, desfrutar de algo tão comum como um jantar tranquilo ao lado de alguém me parecia surreal. — Está gostando? — perguntou ele, os olhos verdes brilhando de curiosidade. Eu assenti, sorrindo. — Está sendo... diferente. No bom sentido. Ele apertou levemente a minha mão, e voltamos a nossa atenção para o filme, mas o silêncio era confortável, não carregado de tensão como antes. — Zara, — ele disse, quebrando o silêncio novamente — sabe que eu nunca vou te forçar a nada, certo? Seja o que for, você pode falar comigo. As palavras dele tocaram fundo, e por um momento senti uma pontada no peito. Queria tanto acreditar no que ele dizia, mas ainda havia uma parte de mim que se agarrava ao medo de ser machucada novamente. As cicatrizes físicas estavam ali, mas eram as emocionais que mais me assombravam. — Eu sei — respondi suavemente, sentindo um nó se formar na garganta. — Só preciso de tempo. Ele assentiu, sem pressionar. Fenrir sempre entendia, sempre sabia exatamente como lidar comigo, e isso me fazia sentir ainda mais confusa sobre os meus próprios sentimentos. O filme terminou e Fenrir estava prestes a sugerir outro, quando um m*l-estar súbito me atingiu. Uma onda de calor tomou conta de mim, e logo percebi que algo não estava certo. A minha cabeça começou a latejar, e a sala parecia girar levemente ao meu redor. O toque de Fenrir, antes tão confortável, começou a me parecer insuportavelmente quente. — Zara? — ele perguntou, a voz preocupada. — O que está acontecendo? Eu queria responder, mas as palavras não saíam. Sentia a minha pele queimar, um calor intenso começava a subir pelo meu corpo, e percebi que era febre. — Acho... que não estou me sentindo bem — murmurei, a respiração ficando mais pesada. Sem hesitar, Fenrir levantou-se rapidamente e me puxou para os seus braços. O toque dele era firme, mas cuidadoso. Eu podia sentir a tensão nos músculos dele, a preocupação evidente em cada movimento. — Está queimando — ele disse, a voz carregada de urgência. — Vou chamar a doutora agora. — Não... — tentei protestar, mas minha cabeça pendeu contra o peito dele. — Deve ser... a transformação. Era a única explicação possível. O meu corpo estava se preparando para a transformação, algo que sabíamos que aconteceria a qualquer momento. E, como a doutora tinha avisado, isso consumiria toda a minha energia. Fenrir me deitou na cama novamente, mas não me soltou. Ele puxou as cobertas sobre mim, tentando manter-me aquecida enquanto o meu corpo lutava contra a febre. Eu sentia as gotas de suor escorrerem pela minha testa, e o meu corpo começou a tremer. — Não vou te deixar sozinha — disse ele, sua voz grave, mas cheia de carinho. — Vou ficar aqui, Zara. Vamos passar por isso juntos. Eu queria dizer algo, qualquer coisa, mas o cansaço era tão profundo que tudo o que pude fazer foi deixar os meus olhos se fecharem. Sentia o calor dos braços de Fenrir ao meu redor, sua respiração calma, mesmo em meio à preocupação. A febre aumentava, e eu podia ouvir Nala na minha mente, distante e preocupada, mas sem forças para interagir. Era como se estivéssemos juntas num nevoeiro denso, lutando para manter o controle. Fenrir não parava de acariciar o meu rosto, murmurando palavras tranquilizadoras que m*l consegui ouvir. Em algum momento, o peso da febre e da exaustão me dominou completamente, e tudo o que me restava era a sensação de segurança nos braços dele, enquanto o mundo ao meu redor desaparecia. _ Vou compartilhar a minha energia com você, deve ser o suficiente para que fique boa em breve. - ouço ele dizer ao longe. Quando o escuro finalmente me envolveu por completo, a última coisa que senti foi o toque suave de Fenrir, ainda me mantendo firme e protegida.
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