Maio é um mês frio em Porto Alegre. Os ventos que sopram do Guaíba, são gelados, vêm da Argentina e, às vezes do Uruguai, entram pela Cidade Baixa e vão penetrando pelas ruas dos bairros Bonfim e Cristal como uma torrente gélida. Espalham as folhas amarelas das árvores do parque farroupilha, enxotando as pessoas das ruas, encrespando a superfície do rio, conferindo um tom acinzentado a tudo. Os portalegrenses já estão acostumados, é o prenúncio do inverno. Os alunos do Colégio vestem seus blusões de frio, as meninas que escolhem usar saias ao invés das calças cáqui, invariavelmente, se arrependem, mesmo porque as saias, segundo a Professora Norma, estão diminuindo mais a cada ano. Contudo, aquela era uma segunda-feira particularmente fria e o céu pesado. O pátio do colégio estava cheio

