Irmã Clara Cheguei ao meu quarto quase correndo, tentando esconder as lágrimas que já começavam a descer. Ignorei os olhares curiosos das outras freiras. Algumas desconfiavam de como havia chegado ali, levantando silenciosamente a minha história em suas mentes imaginativas, mas nunca se atreveram a perguntar. Hoje talvez algumas pensassem que era apenas mais um dia comum de penitência Definitivamente esse peso que eu carregava se tornava cada vez mais insuportável. Ao trancar a porta, o som do ferrolho ecoou no silêncio do quarto, e me sentei na cama de ferro que rangeu sob meu corpo trêmulo. Sentia minhas mãos suando, ainda apertando com força a vasilha de doce de leite que ele me trouxe. O passado estava ali, materializado naquele gesto, naquela sobremesa simples, mas cheia de memória

