CAPÍTULO 2

890 Words
— Assim é melhor — ele murmurou sem soltar minha cabeça, puxando-me em sua direção. Inalei com dificuldade e, por inércia, dei um passo na direção dele. Sua outra mão envolveu minha cintura, me batendo contra seu corpo. Esqueci-me de respirar. Meu coração batia forte no peito e eu engoli em seco, incapaz de escondê-lo de seu olhar intenso e doentio. — Você continuará resistindo, prolongando essas preliminares? — ele perguntou em voz baixa, mas firme. — Não entendo o que você quer... — Sussurrei, tentando reunir coragem para falar. Ele estreitou os olhos e olhou para os meus. — Você é tão pura assim? Hum... Bem, vou explicar. Você é minha. Em todos os sentidos. — Isso me assusta... — Minha voz tremeu e meu coração pareceu parar. — É assim que deve ser — ele respondeu com um leve sorriso que só intensificou meu medo. Sua mão apertou minha cintura e começou a descer pelos meus quadris. Eu tremi, tentando me afastar, mas ele me segurou ainda mais forte, como se quisesse me mostrar que eu não tinha escapatória. Seu olhar aguçado fixou-se em meus olhos, bem abertos. Ele estava respirando pesadamente quando sua mão alcançou minha coxa nua e começou a se levantar, levantando o tecido do meu vestido. Quando o dedo dele roçou a borda da minha calcinha de algodão, prendi a respiração. — Você é minha. Seu corpo é meu. A tua vida é minha. Cada passo que você dá, cada respiração que escapa dos seus lábios, também é minha. Não há uma única parte de você que não me pertença — ele rosnou, esticando o tecido da minha calcinha e soltando-o de repente. Gritei e um soluço escapou da minha garganta. Seu rosto endureceu e em um segundo seus lábios tomaram conta dos meus. Fiquei boquiaberta de surpresa, mas ele não esperou: sua língua invadiu minha boca em um beijo c***l e profundo. Agarrei-me à camisa dele, perdida, enquanto ele me dominava. Foi meu primeiro beijo. E nunca imaginei que seria assim: áspero, firme, avassalador. Gemi enquanto seus quadris pressionavam contra mim. Algo duro roçou na minha barriga, deixando-me imóvel até que ele se afastou o suficiente para me olhar com olhos turvos que o meu descobriu estarem fora de foco. Ele é louco, impulsivo e c***l. Nem tive tempo de reagir antes que os lábios dele descessem ao meu pescoço. Gritei ao senti-lo chupar minha pele sensível e depois mordê-la. — E farei com você o que eu quiser, porque você é minha — Sua voz rouca trovejou ao lado do meu ouvido, desencadeando calafrios por todo o meu corpo. Sem me deixar recuperar o fôlego, ele pegou minha mão. Ele gritou algo para alguém e a porta se abriu. Ele me tirou da sala. O rugido da música me atingiu, lentamente me trazendo de volta à realidade. Mas não íamos em direção ao barulho, mas nos afastávamos dele. O corredor por onde estávamos andando estava vazio e finalmente saímos por outra porta. Minha visão turva m*l conseguia distinguir figuras masculinas que pareciam guarda-costas. Outros três nos seguiram. Saímos para a rua e, depois de caminhar alguns metros, paramos em frente a um carro preto com vidros escuros. — Entre — ele ordenou, abrindo a porta do carro para mim. Fiquei imóvel, sem dar um único passo. Eu só conseguia contar meus batimentos cardíacos, entendendo o inevitável. Finalmente, sentei-me. A porta se fechou atrás de mim como se tivesse cortado meu passado pela raiz. Eu me sentia como um espectador da minha própria vida, incapaz de entender o que estava acontecendo. Inconscientemente, coloquei a mão no pescoço, onde a lembrança do toque dele ainda queimava. O horror tomou conta de mim quando percebi que, por um momento, eu tinha gostado. Minhas bochechas queimaram quando a porta do outro lado se abriu, e ele — o homem que me levou, que me comprou...— entrou no carro. — Quem é você? — Perguntei, tentando resolver o caos na minha cabeça. — Você está interessado no meu nome ou no meu status? — Ele respondeu friamente, virando-se para mim. — Ambos. — Delmon — apresentou-se e acrescentou com desdém — Meu status, infelizmente, não cabe em uma única palavra. Alguma outra pergunta, Natalia? — Você sabe meu nome? — Claro. Preciso saber como é chamado meu método de pagamento. Ele me observou em silêncio, como se esperasse mais palavras minhas. Mas minha mente era um nó e meu coração ainda estava acelerado. — Eu não sou sua — Eu finalmente murmurei, agarrando-me aos restos da minha bravura. Delmon inclinou a cabeça. Seus olhos brilhavam na escuridão do carro. — E você decide isso? — Sua voz era baixa, quase suave, mas carregada de ameaça. Apertei os punhos para não me deixar vencer pelo medo. — Meus pais não podiam... Um sorriso zombeteiro o interrompeu. — Seus pais tomaram a decisão que era conveniente para eles — ele se recostou no assento, sem desviar o olhar de mim. — Agora você faz parte do meu jogo. — Eu não sou um brinquedo! — Eu gritei, furiosa. Delmon soltou um som agudo, sua mão deslizando relutantemente pelo apoio de braço. — Não, Natalia. Você não é um brinquedo. Você é mais um troféu. Algo que requer cuidado, obediência... e punição se não for bem cuidado. ‍ ‍
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