— Assim é melhor — ele murmurou sem soltar minha cabeça, puxando-me em sua direção. Inalei com dificuldade e, por inércia, dei um passo na direção dele. Sua outra mão envolveu minha cintura, me batendo contra seu corpo.
Esqueci-me de respirar. Meu coração batia forte no peito e eu engoli em seco, incapaz de escondê-lo de seu olhar intenso e doentio.
— Você continuará resistindo, prolongando essas preliminares? — ele perguntou em voz baixa, mas firme.
— Não entendo o que você quer... — Sussurrei, tentando reunir coragem para falar.
Ele estreitou os olhos e olhou para os meus.
— Você é tão pura assim? Hum... Bem, vou explicar. Você é minha. Em todos os sentidos.
— Isso me assusta... — Minha voz tremeu e meu coração pareceu parar.
— É assim que deve ser — ele respondeu com um leve sorriso que só intensificou meu medo. Sua mão apertou minha cintura e começou a descer pelos meus quadris.
Eu tremi, tentando me afastar, mas ele me segurou ainda mais forte, como se quisesse me mostrar que eu não tinha escapatória. Seu olhar aguçado fixou-se em meus olhos, bem abertos. Ele estava respirando pesadamente quando sua mão alcançou minha coxa nua e começou a se levantar, levantando o tecido do meu vestido. Quando o dedo dele roçou a borda da minha calcinha de algodão, prendi a respiração.
— Você é minha. Seu corpo é meu. A tua vida é minha. Cada passo que você dá, cada respiração que escapa dos seus lábios, também é minha. Não há uma única parte de você que não me pertença — ele rosnou, esticando o tecido da minha calcinha e soltando-o de repente.
Gritei e um soluço escapou da minha garganta. Seu rosto endureceu e em um segundo seus lábios tomaram conta dos meus. Fiquei boquiaberta de surpresa, mas ele não esperou: sua língua invadiu minha boca em um beijo c***l e profundo. Agarrei-me à camisa dele, perdida, enquanto ele me dominava.
Foi meu primeiro beijo. E nunca imaginei que seria assim: áspero, firme, avassalador. Gemi enquanto seus quadris pressionavam contra mim. Algo duro roçou na minha barriga, deixando-me imóvel até que ele se afastou o suficiente para me olhar com olhos turvos que o meu descobriu estarem fora de foco.
Ele é louco, impulsivo e c***l. Nem tive tempo de reagir antes que os lábios dele descessem ao meu pescoço. Gritei ao senti-lo chupar minha pele sensível e depois mordê-la.
— E farei com você o que eu quiser, porque você é minha — Sua voz rouca trovejou ao lado do meu ouvido, desencadeando calafrios por todo o meu corpo.
Sem me deixar recuperar o fôlego, ele pegou minha mão. Ele gritou algo para alguém e a porta se abriu. Ele me tirou da sala.
O rugido da música me atingiu, lentamente me trazendo de volta à realidade. Mas não íamos em direção ao barulho, mas nos afastávamos dele. O corredor por onde estávamos andando estava vazio e finalmente saímos por outra porta.
Minha visão turva m*l conseguia distinguir figuras masculinas que pareciam guarda-costas. Outros três nos seguiram. Saímos para a rua e, depois de caminhar alguns metros, paramos em frente a um carro preto com vidros escuros.
— Entre — ele ordenou, abrindo a porta do carro para mim.
Fiquei imóvel, sem dar um único passo. Eu só conseguia contar meus batimentos cardíacos, entendendo o inevitável. Finalmente, sentei-me.
A porta se fechou atrás de mim como se tivesse cortado meu passado pela raiz. Eu me sentia como um espectador da minha própria vida, incapaz de entender o que estava acontecendo. Inconscientemente, coloquei a mão no pescoço, onde a lembrança do toque dele ainda queimava. O horror tomou conta de mim quando percebi que, por um momento, eu tinha gostado.
Minhas bochechas queimaram quando a porta do outro lado se abriu, e ele — o homem que me levou, que me comprou...— entrou no carro.
— Quem é você? — Perguntei, tentando resolver o caos na minha cabeça.
— Você está interessado no meu nome ou no meu status? — Ele respondeu friamente, virando-se para mim.
— Ambos.
— Delmon — apresentou-se e acrescentou com desdém — Meu status, infelizmente, não cabe em uma única palavra. Alguma outra pergunta, Natalia?
— Você sabe meu nome?
— Claro. Preciso saber como é chamado meu método de pagamento.
Ele me observou em silêncio, como se esperasse mais palavras minhas. Mas minha mente era um nó e meu coração ainda estava acelerado.
— Eu não sou sua — Eu finalmente murmurei, agarrando-me aos restos da minha bravura.
Delmon inclinou a cabeça. Seus olhos brilhavam na escuridão do carro.
— E você decide isso? — Sua voz era baixa, quase suave, mas carregada de ameaça.
Apertei os punhos para não me deixar vencer pelo medo.
— Meus pais não podiam...
Um sorriso zombeteiro o interrompeu.
— Seus pais tomaram a decisão que era conveniente para eles — ele se recostou no assento, sem desviar o olhar de mim. — Agora você faz parte do meu jogo.
— Eu não sou um brinquedo! — Eu gritei, furiosa.
Delmon soltou um som agudo, sua mão deslizando relutantemente pelo apoio de braço.
— Não, Natalia. Você não é um brinquedo. Você é mais um troféu. Algo que requer cuidado, obediência... e punição se não for bem cuidado.