A luz suave do abajur filtrava uma penumbra morna pelo quarto. A lâmpada, meio amarelada, pintava sombras longas nas paredes, dançando preguiçosamente a cada mínima brisa. O relógio digital sobre a cômoda piscava: 02h47 da manhã. Lá fora, a cidade repousava em um silêncio profundo, pesado. As ruas vazias. As luzes apagadas nas janelas. O mundo dormia. Mas aqui dentro, cada parte de mim já estava acordada — e vibrando, como uma corda tensa prestes a se romper. ** Só que o que me fez levantar da cama não foi o relógio. Nem a ansiedade que martelava nas costelas. Foi ela. Lorena. Dormindo ali, do meu lado. De camisola fina, enrolada no cobertor como se o frio lá fora não existisse. O cabelo espalhado no travesseiro, bagunçado e livre. O rosto, mesmo apagado pelo sono, ainda ca

