capítulo 31

1554 Words

GUSTAVO O cheiro de café já preenchia o quarto quando Lorena se levantou da cama. Eu ainda tava meio entre o sono e a consciência, mastigando o peso da noite anterior, quando vi — sem aviso — ela agarrar a barra da camisa branca, minha camisa, e puxar devagar, deslizando o tecido pela pele nua. A camisa caiu no chão. Ela ficou ali, só de calcinha preta fina e sutiã rendado, o corpo marcado de pequenos vincos do lençol, o cabelo bagunçado no coque alto, a pele viva, quente, respirando vida. Dois anos em coma. Quatro meses escondido como um fantasma. Nenhuma mulher. Nenhum toque. Nenhum impulso permitido. Eu não tava preparado. O baque foi físico. Senti o sangue descer rápido, o estômago afundar. O café na mão tremulou levemente. Fechei os dedos com força na alça da xícara. Lor

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