3 - Baekhyun: Dias ruins

654 Words
Sabe quando aqueles dias horríveis começam? Dias nublados onde a gente acorda com o pé esquerdo, derruba café quente na blusa nova, perde o ônibus, o taxi não passa e temos que ir correndo para o trabalho, acabamos chegando suados no inverno e com folhas no cabelo por culpa do vento que antecede a chuva? Pois é... Tudo isso aconteceu comigo. E pra piorar eu tinha o primeiro período. Não, eu não sou um aluno, sou professor de sociologia. Cheguei em um estado deplorável na sala de aula. Eu estou meio que em teste nesta escola, acabei de me formar e dou aula para turmas de segundo e terceiro ano, não posso ter atrasos. Eu entrei na sala de aula faltando um minuto para o início da aula, eu estava ofegante e suado, fora as folhas no meu cabelo completamente bagunçado. Meu estado era deplorável. Eu não poderia perder esse emprego, essa foi a única escola que me aceitou, como nenhum dos meus alunos sabe o que são, pais e mestres sempre tem medo que eu os corrompa com meu estilo revoltado contra a sociedade, mas eu jamais farei isso. Eu sou assim e não necessito de “aliados”, muito obrigado. — Bom dia turma, como sabem nós... — Professor me desculpa... Eu perdi o ônibus e... — Park certo? – ele assentiu – Pode se sentar em qualquer lugar vago. Só não interrompa mais a minha aula. – ele sentou-se em uma das classes bem à frente, encostado na parede. — Como eu ia dizendo, temos provas sobre os Estados marcada para semana que vêm. Vemos debatendo esse assunto há muito tempo. Espero que saibam me responder mais tarde a diferença entre os Estados Absolutista, Liberal, Fascista e Soviético. Comecei a anotar a matéria para revisão no quadro, já com as datas de provas e recuperações. ****   A manhã e a tarde foi extremamente cansativa, tive que dar aula de reforço para alguns alunos, quando saí da escola já passavam das 19h. Eu só queria chegar em casa e sentar na minha varanda. — Professor... – ouvi alguém me chamar. — Park? O que ainda faz aqui? — Eu tive que fazer algumas coisas, podemos ir embora juntos? — Eu vou a pé. — Por mim tudo bem. – ele deu um sorriso que mostravam todos os seus dentes. Como alguém poderia ter tanto dente? Como ele podia ser mais novo e tão mais alto que eu? Eu odeio ser um ômega. — Professor... Como foi descobrir que era um ômega? — Uma merda! – falei sem pensar. – Ahn quer dizer... Na nossa sociedade é um pouco difícil, tem muitas regras para os ômegas e eu não gosto muito delas, mas a maioria das pessoas se adaptam bem e são felizes. Mas não precisa se preocupar com isso. — Por quê? — Certamente será um Alfa. Deve ter puxado ao seu pai. — Meu pai é um Beta. E minha família não tem nenhum Alfa, são todos ômegas, então é provável que eu seja um ômega ou um Beta, mas como a genética dos betas são mais fracas é mais fácil eu ser um ômega. — Não sabia. Mas não se preocupe com isso. Tudo dá certo no fim, você vai encontrar seu Alfa e ser... Feliz pra sempre. – acho que acabei fazendo uma careta, pois ele riu. — Aposto que sim. Queria que fosse um Alfa professor. Até amanhã. – ele disse e correu até a porta do seu apartamento. — Eu também... – murmurei para o nada. Ao entrar no meu apartamento peguei minha carteira de cigarros e fui para a varanda. Fiquei olhando a lua e as estrelas até acabar meu terceiro cigarro, como fazia todas as noites. Mas dessa vez ele estava lá, com aquele sorriso cheio de dentes, me acompanhando com um olhar que brilhava mais que as estrelas daquela noite de céu límpido.
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