— Pode me explicar o que deu em você? Por que esse desespero para vir pra cá?
— Luge... Sabe como é ridículo ser um cara de vinte anos que apanha dos valentões? Sabe com é humilhante aparecer todo roxo na aula do dia seguinte e ter que abaixar a cabeça se não quiser apanhar de novo? Tudo isso por quê? Por que eu não quis t*****r com ele? Por que eu tinha uma personalidade diferente?
— Está dizendo quê...
— Aquele cara que está na minha casa, com meu marido... É o motivo por eu ter desenhado espinhos. Ele não estudava a mesma coisa que eu, mas era no mesmo prédio, nem sei o que ele faz na verdade. Uma noite ele queria que eu... Você sabe... E eu não quis, ele acha que porque sou um ômega tenho que “satisfazê-lo”. – suspirei – Foi a partir desse momento que o grupinho que ele tinha na época começou a me espancar. Isso é tão ridículo e infantil. E pra mim é tão vergonhoso, porque eu não conseguia me defender.
Eu não consegui controlar, meus olhos marejaram e arderam. Logo as lágrimas rolavam livres pelo meu rosto.
E pra mim é tudo culpa desse bebê. Ele que está me deixando sensível assim.
Eu deitei no colo de Luhan, ele ficou fazendo carinho nos meus cabelos até que eu estivesse mais tranquilo.
— Sabe, eu entendo porque o Sehun acha vocês um casal estranho. O Channie é muito... p*u mandado. O que disser pra ele, ele faz. Você não aceita ordem de ninguém. E com a gravidez quase não dá pra sentir o cheiro dele em ti, só o suficiente pra saber que está marcado. Quando vocês estão juntos parece que você é o Alfa e ele é o Ômega, teu cheiro está tão forte que é difícil notar quem é o que de longe. É muito engraçado isso. Fico me perguntando se um dia Sehun e eu seremos assim?
— Eu não sei, nunca tive contato com casais já marcados.
— Nunca mais viu a sua mãe?
— Não. Eu... Acho melhor a gente ir lá pra casa, eu tenho que fazer o jantar e eles devem estar cansados.
...
Quando cheguei ao meu apartamento estava tudo uma bagunça de caixas e móveis. Os três estavam sentados no sofá com respirações ofegantes.
— Pelo menos o nosso quarto eu arrumei. – Channie disse sorrindo.
— E a cozinha? Dá pra fazer o jantar?
— É... A-acho que dá... – ele coçou a nuca parecendo sem jeito.
— Sabe onde estão as panelas e talheres?
— Não...
Eu ri... Eu o amava mesmo sendo assim, ele pensa em uma coisa e esquece o resto.
Se eu não arrumar sua mochila para escola, ele vai esquecer um caderno, ou vai esquecer-se de amarrar o sapato, ou a toalha em cima da cama, ele às vezes esquece de tomar café.
Mas eu amo meu bebê gigante. Em oito meses eu ainda vou ter outro, o que faz minha cabeça dar voltas.
— Tudo bem. Vai tomar um banho, você está suado.
— Só se me der um beijinho.
— Que beijinho nada, banho.
— Beijo. - fez um bico mandando um beijo no ar.
Ele foi chegando mais perto de mim, seus braços abertos e aquele sorriso psicopata desenhando seu rosto.
Ele me agarrou fazendo com eu caísse na risada, mas o beijei. O que era um simples selar virou um beijo de verdade, porque eu... Gostava dos seus beijos, mas então eu lembrei que tinha mais pessoas na sala e não podíamos ir muito longe.
— Deu, agora banho.
Ele saiu da sala com um sorriso vitorioso no rosto.
— A gente também vai tomar um banho. Kris, eu tenho umas roupas que devem te servir, se não quiser ir para casa e voltar.
— Tudo bem.
****
No fim das contas acabamos pedindo pizza.
Ficamos todos na sala, sentados no chão, em almofadas que tínhamos tirado das caixas.
— Em quanto tempo acham que vai aparecer a barriga? – perguntou Kris.
— Ahn, n-normalmente a partir da décima segunda semana.
Eu me ajeitei entre as pernas de Chanyeol ficando mais colado ao seu corpo.
— Onde você trabalha Byun?
— É... Na... Social Academy.
— Há quanto tempo? Faz o que lá?
Eu me senti temeroso, por que tantas perguntas?
Chanyeol sentiu meu desconforto e começou a rosnar. Eu coloquei seus braços em minha cintura e acariciei seu pescoço com meu nariz até que nós dois nos sentíssemos calmos.
— Eu acho que já está bom por hoje né... Amanhã a gente volta, Kris, Sehun, vamos para casa.
Luhan se levantou e puxou os dois consigo para fora do apartamento.
— Quer me contar alguma coisa?
— Talvez, mas não agora. Não quero estragar nossa primeira noite nessa casa. Quero aproveitar bem.
Me virei em seu colo sentando de frente para si, com uma perna de cada lado.
— Quer ir pro quarto?
— Pra quê quarto? A gente pode fazer tudo aqui mesmo.
Tomei seus lábios em um beijo lascivo e desejoso.
— Esse bebê me deixa com mais vontades do que o cio... Aish...
— Eu já gostei disso
— Porque te convém, safado.
Ele me colocou com as costas sobre as almofadas e passou a beijar meu corpo.
Os lábios de Chanyeol eram como... Como... Sei lá... Nuvens, eram macios e eu gostava muito.
Não demorou para que estivéssemos rolando por todo aquele apartamento entre beijos e suspiros.