Depois daquelas palavras e alguns tapas, esperamos duas semanas antes de fazer o exame de sangue para saber se ele estava grávido ou não.
Baekhyun estava sentado na ponta da cama olhando para os resultados.
Ele mordia o canto da boca e eu quase podia ver as lágrimas saindo dos seus olhos.
— Que merda Chan. A gente passou dois cios fazendo tudo direitinho. Como você pode esquecer a camisinha? Poxa...
Ele suspirou e passou a mão nos cabelos.
— Então deu positivo?
— É claro que deu positivo. E mesmo que eu não tivesse engravidado na primeira vez, durante esse cio você esqueceu outras, se eu não coloco em você, você só mete.
— Desculpe, eu vou ter mais cuidado da próxima vez.
— Não adianta dizer isso agora Chan. Agora eu já estou grávido. Já deu merda. Já parou pra pensar em como vamos criar essa criança? Esse apartamento é minúsculo e basicamente só você trabalha. A gente vai acabar de baixo da ponte.
— Não vamos não, e-eu ainda posso tentar uma...
— Não. Nem pensar...
••••••
— Mãe, trouxemos alguém que a senhora precisa conhecer. – abri um sorriso na esperança de ser bem recebido por minha mãe.
— Haneul, eu sei que não gosta de mim, mas vai recusar conhecer seu neto?
Minha mãe ainda com a cara fechada, deu espaço para que entrássemos.
Depois que já estávamos dentro de casa, ela começou a me bater e me chamar de imprestável.
— Mãe! Chega! Eu já sou maior de idade!
— É, mas veio aqui porque quer me pedir coisa.
— Como pode ter certeza?
— Se fosse apenas para conhecer o filho de vocês, teriam trazido ele logo que nasceu, mas não o fizeram.
Sentamos no sofá.
— É, ela tem razão. — Baekhyun disse baixinho.
— O que quer Chanyeol?
— Primeiro: para de fingir que meu marido não existe. Segundo: eu preciso de um emprego e preciso que me deixe morar na casa que era da vovó.
— Mas aquela casa está para locação.
— Eu sei mãe, mas as coisas têm ficado difíceis. O Baek tá grávido de novo.
— Como vocês conseguem fazer isso tão rápido?! — falou entre assustada e decepcionada.
— Haneul, nós não viemos falar da nossa vida s****l, nós só precisamos de apoio, okay? Eu nunca te pedi nada, isso fere meu orgulho, mas eu estou pedindo agora, precisamos de ajuda, não queremos criar nossos filhos de qualquer jeito e tenho certeza que não vai querer ver seu filho e seus netos de baixo da ponte. Seu problema é comigo, não faça disso tempestade em copo d'água.
Ela ficou nos olhando por longos minutos, até que colocou as mãos na cintura e suspirou.
— Tudo bem, eu vou falar com a imobiliária até sexta e você, Chanyeol, pode voltar ao restaurante na segunda. Mas me diz uma coisa, como vão seus estudos? Me diz que está se empenhando para uma boa faculdade.
— Boa não vai ser né mãe, eu vou estudar em uma publica, mas eu tenho certeza que entro no próximo ano.
— Meu garoto. – ela deu um beijo em minha testa e depois estendeu os braços para pegar Hideki no colo — Qual o nome dele?
— Hideki, o Channie que escolheu.
— Imaginei, ele sempre quis um filho com esse nome – ela sorriu – Ele é muito lindo, isso eu tenho que admitir. Ainda bem que não tem suas orelhas Chanyeol.
— Nossa, valeu mãe. Podia dormir sem essa.
— Mas tem seus olhos e seus olhos são lindos, ele tem a boquinha do Byun também. Ficou uma mistura fofa. Mas já deu de visita por hoje. – me entregou Hideki — Te vejo na sexta para entregar as chaves da casa.
Paramos em uma praça para tomar um ar e relaxar vendo o pôr do sol, eu sabia que minha mãe não ia me negar casa e trabalho, afinal de contas... Ela é minha mãe.
— Não deveria ter mentido para sua mãe sobre os estudos.
— Eu não menti, eu tenho estudado, não só em casa, eu não trabalho aos sábados Bae, eu estudo na biblioteca municipal.
Ele me olhou espantado.
— Por que mentiu pra mim?
— Estava muito difícil cuidar do Hideki e eu precisava estudar, mas como sabia que também estava cansado, não sabia como ia reagir, então disse que ia trabalhar e assim ficou.
— Chanyeol, nunca mais minta para mim, não há nada que eu odeie mais do que mentiras. Me devolve meu filho.
Ele pegou Hideki e foi embora, não me disse mais nada, ele me olhou com aqueles olhos decepcionados e seguiu um caminho sem rumo, já que para nossa casa com certeza ele não estava indo.