O homem do apocalipse

803 Words
Aquela era uma bela manhã ensolarada de verão. Pelo menos no Brasil. Nos Estados Unidos da América, o frio já comia solto e o noticiário já havia informado a morte de algumas pessoas em decorrência da grande queda de temperatura. Apesar do calor do país tupiniquim, a economia ia de m*l a pior, onde os preços e o desemprego já preocupavam a população. Um país onde protestos de oposição ao governo eram uma coisa muito comum, estes tiveram uma parada momentânea diante da época de carnaval que estava prestes a eclodir, relembrando tempos mais primordiais da humanidade onde a frase "pão e circo" era constantemente relembrada. Professor Carlos gostava de aproveitar tudo isso em seus discursos, além de teorias loucas sobre o fim do mundo, o que lhe rendeu o famoso apelido na universidade de o homem do apocalipse. — O que são nossos manuscritos senão nada mais do que o plágio de nossas experiências anteriores? Tudo o que escrevestes poderia simplesmente ter sido algo que viu, que assistiu ou que sentiu antes deste crucial momento. Diria até mesmo de sentimentos exteriores, alheios que chegaram até o seu conhecimento, te fazendo achar que esta ideia brotou dentro de seu próprio ser e se apoderando dela como um pirata se apropria do seu saque realizado. – Carlos discorria sobre isso em sala, como professor de filosofia da Universidade Federal de São Paulo. — Em minha opinião, o fim do mundo já começou desde o famigerado Nibiru 2012. Como já expliquei anteriormente, o Nibiru é uma teoria sobre um suposto planeta X que se chocaria com a Terra, causando destruição global. Apocalipse este confirmado por várias civilizações antigas, tendo suas raízes mais fortes na astronomia babilônica. Para ser sincero, talvez não fosse o choque entre planetas, talvez não fosse o fim, e  sim o começo de uma nova era. Ainda dizem alguns especialistas que por uma simples medição errônea, ao invés de 2012, seria o ano de 2021 o correto ano da extinção. Infelizmente muitos perecerão para que o mundo entre nesta nova vibração. Mas, os que sobreviverem, encontrarão a paz num novo ambiente, o verdadeiro e utópico paraíso aqui na Terra – continuou o professor. — Ei professor, existem diversas teorias sobre o fim do mundo em diversas épocas e em diversas culturas. Quando uma for verdade mesmo, ninguém irá acreditar! – interrompeu um aluno, alimentando ainda mais as ideias dissertadas ali. O professor voltou sua atenção para aquele aluno e continuou: — Bem... Todos os povos, mesmo que inconscientemente, sempre desejavam o apocalipse. Mas a tradução literal para este apocalipse, como eu te disse, é a mudança, a renovação! Não tem essa de destruição total da terra. Pelo menos não por enquanto. Exemplo destas mudanças são: o ar de hostilidade que cresce cada vez mais entre as nações e dentro delas também, como é o exemplo da pré-guerra civil que estamos quase atingindo; mudanças extremas climáticas ocorridas nos últimos tempos; doenças cada vez mais mortais como vocês podem ver pelo Zika Vírus e suas variáveis, causando a microcefalia nas crianças em formação no útero de suas mães. Será que isso não teria relação com o fato de o mundo estar com mais de sete bilhões de pessoas?  Não seria um controle de natalidade natural que a mãe natureza se vê obrigada a aplicar quando o homem falha?  De repente, o professor Carlos foi interrompido pelo sinal sonoro que indicava o fim da aula. Um tumulto geral se alastrou pela sala de aula. O "interesse" dos alunos sumiu de uma hora para outra, perdidos em seus celulares e correndo para chegarem até a porta o quanto antes. Carlos seguiu pensando alto: — No fundo a culpa foi dos próprios seres humanos que não souberam se contentar. Pobres criaturas sempre buscando mais e mais... O professor pegou todos os seus pertences e foi se dirigindo para fora após a saída de todos os alunos. Aquela era a sua última aula naquela faculdade e naquele dia. Ele deveria se dirigir rapidamente para a próxima faculdade onde daria a última aula antes do almoço. Como de costume, Carlos foi até o estacionamento diretamente, pegou seu carro popular, um Fiat Uno ano 2014, motor 1.4, saiu da faculdade e pegou a Avenida Paulista, para seguir seu caminho. Entretanto, quando Carlos menos esperava, um vulto surgiu como que do nada na frente de seu veículo. O professor não conseguiu desviar, então pisou no freio bruscamente. Por sorte, o carro mais próximo havia ficado para trás num semáforo, senão os danos seriam bem maiores. O vulto foi arremessado alguns metros para frente. Carlos ligou o pisca alerta e saiu do carro no mesmo instante, para perceber que a vítima era um jovem muito bem arrumado, de terno e gravata. O acidente aconteceu em frente ao edifício Workstation Building...
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