Capítulo 18 — Aconteceu

1092 Words
Na manhã seguinte… ninguém comentou. Não havia necessidade. O silêncio entre eles não era vazio. Era carregado. Do que aconteceu. Do que ainda estava acontecendo. E do que, claramente… não tinha terminado. Júlia acordou antes. Ficou alguns segundos olhando o teto do hotel. Tentando organizar. Fracassou. Porque não era mais algo que dava pra colocar em ordem. Ela virou o rosto. Pedro ainda estava ali. Tranquilo. Controlado. Mas diferente. Algo nele tinha mudado. Não era mais só interesse. Era reconhecimento. E isso era mais perigoso. Ela levantou devagar. — Já vai fugir? A voz dele veio rouca. Júlia parou. — Eu tenho reunião. — Tem. Silêncio. — E você? Pedro abriu os olhos. — Eu tenho você. Aquilo foi baixo. Simples. E absurdo de direto. Júlia engoliu seco. — Isso não muda nada. Pedro sentou na cama. — Já mudou. Silêncio. Ela não respondeu. Porque sabia. Sabia que tinha mudado. O dia começou profissional. Reuniões. Negociações. Apresentações. Eles funcionavam perfeitamente. Como sempre. Mas havia algo novo. Olhares demorados. Pausas pequenas demais. Proximidade que não era mais neutra. Júlia percebeu quando ele parou atrás dela durante uma apresentação. Muito perto. Mais do que necessário. — Continua. Ele disse baixo, perto o suficiente para só ela ouvir. O corpo dela reagiu na hora. Ela continuou. Mas não estava mais totalmente ali. Porque agora… não dava mais pra separar. Na volta para o hotel… o silêncio voltou. Mas não durou. Pedro fechou a porta. E dessa vez… não houve pausa. Ele a puxou pela cintura. Direto. Sem espaço para argumento. Sem tempo para pensar. O beijo veio mais urgente. Mais intenso. Diferente da noite anterior. Menos controlado. Mais real. Júlia respondeu na mesma intensidade. Sem tentar segurar. Sem tentar racionalizar. Porque agora… ela já sabia. Não era impulso. Era escolha repetida. O corpo dela já reconhecia o dele. A resposta vinha mais rápida. Mais fácil. Mais inevitável. Quando ele a afastou por um segundo… não foi para parar. Foi para olhar. — Você ainda vai dizer que isso é só trabalho? Júlia respirou fundo. — Não. Silêncio. — Mas isso não faz sentido. Pedro se aproximou de novo. — Nem tudo precisa fazer. E dessa vez… não houve mais discussão. A semana passou assim. Entre reuniões… e momentos que ninguém via. Entre controle… e perda dele. Eles cediam. Mais de uma vez. Mais de duas. Mais do que deveriam. Cada vez mais fácil. Cada vez mais intenso. Cada vez mais impossível de ignorar. Júlia percebeu. Que não era só físico. Era o jeito que ele olhava agora. Mais direto. Mais próximo. Mais… dela. E isso… isso era o que mais assustava. No último dia… o clima mudou. Não na intensidade. Mas na consciência. Porque a viagem estava acabando. E a realidade… esperando. — Quando a gente voltar… Ela começou. Pedro não deixou terminar. — A gente continua. Direto. Sem hesitar. Júlia franziu levemente a testa. — Não é tão simples. — É exatamente isso. Silêncio. — Não é. Pedro sustentou o olhar. — Então complica. Aquilo ficou. Perigoso. Porque ela sabia. Que ele não estava disposto a parar. E, pior… ela também não. De volta à cidade… tudo parecia normal. Mas não estava. Nada estava. No primeiro dia de trabalho… ela tentou manter distância. Tentou. Falhou. A porta fechou atrás dela com um som baixo. Seco. E aquilo já foi suficiente. Pedro levantou o olhar. Sem surpresa. Como se já soubesse que ela viria. — Você demorou. A voz calma. Controlada. Mas o olhar… não. Júlia deu dois passos à frente. — A gente precisa parar. Silêncio. Pedro não respondeu. Só observou. E então se aproximou. Sem pressa. Sempre sem pressa. — Então para. Aquilo veio baixo. Muito perto. Muito mais perto do que deveria. Júlia sentiu o corpo reagir antes da mente. — Eu estou falando sério. — Eu também. E, dessa vez… não houve espaço para mais argumento. Ela o puxou primeiro. O beijo veio direto. Sem aviso. Sem controle. Mais intenso do que no hotel. Mais urgente. Como se o ambiente proibido tornasse tudo ainda mais carregado. Pedro segurou a cintura dela com força. Puxando contra ele. Ele sentiu o volume de quanto ele a desejava. Veio outro beijo mais urgente. Mordida leves no pescoço dela. Sem distância. Sem margem. Júlia respondeu na mesma intensidade. Sem pensar. Sem medir. Como se já estivesse cansada de tentar manter controle. Ele a virou. Sem brusquidão. Mas com firmeza. Ele a virou sobre a mesa. O corpo dele à frente. Ele baixou as calças e suspendeu o vestido dela. A penetrou sem cerimônia. Ela arqueou as costas. Soltou um gemido. Ele penetrou-a diversas vezes. E o mundo inteiro… fora daquela sala. O tempo perdeu ritmo. Tudo ficou mais rápido. Mais quente. Mais impossível de interromper. Não havia mais “deveria”. Só vontade. E ela não tentou parar. Nem por um segundo. Quando acabou… o silêncio voltou. Mas não era o mesmo. Nunca mais seria. Júlia ajeitou a roupa com movimentos rápidos. Respiração ainda descompassada. Pedro não falou nada.... Só observou. Mais intenso. Mais… envolvido. E isso foi o que mais a desestabilizou. — Isso precisa parar. Ela disse baixo. Mas dessa vez… nem ela acreditou. Pedro inclinou levemente a cabeça. — Você ainda acredita nisso? Silêncio. Ela não respondeu. Porque a resposta já estava clara. Júlia saiu da sala sem olhar para trás. Precisava de ar. De espaço. De qualquer coisa que não fosse ele. A rua estava movimentada. Barulho. Gente. Vida acontecendo. Normal. Diferente do caos silencioso que estava dentro dela. Ela caminhou sem direção por alguns minutos. Tentando desacelerar. — Júlia? Ela parou. Virou. Rafael. Ali. Simples. Real. Sem tensão. Sem jogo. — Você sumiu. Ele disse, com um meio sorriso. Júlia tentou normalizar a respiração. — Eu estava trabalhando. — Parece que estava mais do que isso. Aquilo veio leve. Mas certeiro. Ela soltou um ar curto. — Talvez. Silêncio. Ele a observou. Mais atento agora. — Você não tá bem. Não foi pergunta. Júlia desviou o olhar. — Estou. — Não parece. Silêncio. Mas dessa vez… não era pesado. Era… confortável. — Quer sair hoje? Simples. Direto. Sem pressão. Sem jogo. Totalmente diferente. No início estranhou.... Júlia ficou em silêncio por um segundo. Porque agora… ela sabia. Que não era só sobre escolher entre dois homens. Era sobre escolher entre dois mundos. GANCHO FINAL O celular vibrou. Mensagem. Pedro: “Volta.” Júlia olhou para a tela. Depois para Rafael. E percebeu… que o problema não era mais o que estava acontecendo. Era que ela não queria que parasse.
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