Capítulo 20 — O Que Não Se Controla

737 Words
O silêncio no apartamento não era desconfortável. Era… estranho. Júlia não estava acostumada com aquele tipo de silêncio. Sem tensão. Sem expectativa. Sem aquela sensação constante de estar prestes a ser puxada para alguma coisa. Ela estava em pé parada. Rafael na frente dela. Sem se aproximar. Sem avançar. Só esperando. E aquilo… era mais difícil do que qualquer outra coisa. — Você sempre para assim? — ela perguntou. Ele inclinou levemente a cabeça. — Assim como? — No meio. Rafael soltou um pequeno riso. — Só quando percebo que a pessoa continua decidindo. Silêncio. Júlia cruzou os braços. — Eu não estava indecisa. — Estava um pouco. Direto. Sem acusar. Sem suavizar. Só… constatando. Ela desviou o olhar. Porque ele estava certo. E isso irritava. — E agora? Ele perguntou. Júlia levantou o olhar. Sustentou. — Agora eu sei. Silêncio. Rafael observou por um segundo. — Então me diz. Aquilo não era provocação. Era convite. E, pela primeira vez… ela não foi puxada. Ela escolheu. Júlia se levantou. Deu um passo. Depois outro. Parou na frente dele. Sem pressa. Sem impulso. Só… decisão. Ela segurou a camisa dele. E puxou. O beijo veio diferente. Mais lento. Mais consciente. Mas não menos intenso. Agora não havia dúvida. Rafael respondeu. As mãos dele subiram pelas costas dela. Firmes. Mas contidas. Como se ainda deixasse espaço. Sempre espaço. Júlia percebeu. E, dessa vez… não queria espaço. Ela se aproximou mais. Eliminando a distância. O beijo aprofundou. Mais quente. Mas ainda sem pressa. Sem aquele descontrole que ela sentia com Pedro. Era outra coisa. Mais… estável. Mas ainda assim envolvente. Rafael encostou a testa na dela. — Tem certeza agora? A pergunta veio baixa. Mas firme. Júlia não desviou. — Tenho. E, dessa vez… era verdade. O ritmo mudou. Mas não acelerou. Aumentou. A proximidade cresceu de forma natural. Sem quebra. Sem salto. Como se tudo estivesse acontecendo no tempo certo. O beijo se aprofundou. Os toques eram suaves querendo memorizar um corpo do outro. Cada peça de roupa era retirada sem pressa. Cada beijo de Rafael no corpo de Júlia parecia queimar a sua pele. Júlia percebeu que não estava tentando acompanhar. Nem reagir. Ela estava participando. Sentindo. Escolhendo. E isso… era novo. Muito novo. Mais tarde, deitada, ela ficou em silêncio. O olhar perdido. Mas não pesado. Confuso. Porque aquilo tinha sido… bom. Sem caos. Sem conflito imediato. Só… bom. — Você está comparando. Rafael disse. Júlia virou o rosto. — Eu não disse nada. — Não precisa. Silêncio. — Eu não vou competir. Aquilo veio simples. Sem ego. Sem disputa. — Eu só quero que você seja honesta. Júlia sustentou o olhar. — Eu estou. — Você tem alguém na sua vida? Pausa. — Tenho... mas é complicado. — Eu não sou complicado. Rafael disse. Silêncio. — Eu gosto de presença. — Toques — Entrega sem cobrança — Se você busca isso Júlia... eu estou aqui. Silêncio. Ela não respondeu. Porque aquela parte ainda… ela não sabia. 🔥 CORTE — PEDRO (QUEBRA REAL) Pedro não estava controlado. E isso era novo. Perigoso. A sala dele estava vazia. Mas ele não conseguia ficar parado. Andava. Parava. Voltava. O celular na mão. Sem resposta. Sem retorno. Sem… ela. Ele abriu o celular. Nenuhma resposta. Nada. De novo. Questionamento. — Quem era o homem com ela? ele gritou Tempo. E então— confirmou endereço dela. Ela tinha saído cedo sem permissão. O olhar dele endureceu. — Você não faria isso. A voz saiu baixa. Mas não soava como dúvida. Soava como… irritação. Ou algo pior. Ele pegou o celular. Digitou. Apagou. Digitou de novo. Parou. Porque não era mensagem que ele queria. Era controle de volta. Era presença. Era ela. Pedro pegou o paletó. Dessa vez sem pensar. E saiu. Sem aviso. Sem plano. Só com uma certeza: ele não ia ficar sem respostas. 🔥 GANCHO FINAL Júlia estava no quarto deitada com Rafael. Ele acariciava a pele dela. Faíscas saiam dos olhos de ambos.... pronto para segunda rodada de amor. Ela sorriu. Ele a beijou. Quando o interfone tocou. Ela franziu a testa. Rafael levantou o olhar. — Você está esperando alguém? — Não. Silêncio. O interfone tocou de novo. Mais insistente. Júlia levantou. O coração acelerando. Sem saber por quê. Atendeu. — Alô? E então— a voz. — Abre. Pedro. Baixo. Direto. Sem pedir. Sem explicar. Júlia congelou. Porque agora… não era mais escolha tranquila. Era colisão.
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