Dentro da cela, Helena encarava Thorne como quem tenta decifrar um animal perigoso que, mesmo quieto, ainda parecia prestes a avançar. Ele estava sentado no chão, encostado na parede num canto, com os olhos fechados e os braços apoiados sobre os joelhos, numa postura que misturava cansaço e controle, como se o corpo inteiro dele estivesse treinado para não dar espaço a fraquezas, nem mesmo quando não havia plateia. Helena ficou parada perto da cama por alguns segundos, o frasco do supressor ainda na memória, o gosto amargo da última conversa ainda preso na garganta, e abriu a boca para falar, só que a primeira tentativa morreu antes de virar som, porque ela não fazia ideia de por onde começar sem acender um incêndio. Ela tentou de novo, respirou, passou a língua pelos lábios, como se a pr

