Pov. Aurora O calor começou atrás das costelas. Pequeno, depois insuportável. Era como se a pele tentasse se rasgar sozinha. O corpo pulsava, o sangue queimava nas veias. A parede era a única coisa que me mantinha de pé. “Tá vindo.” A voz de Nyra ecoou dentro da cabeça, mais áspera que o normal — Eu sei. Tentei respirar, mas o ar raspava como cacos de vidro. A lembrança da outra vida veio inteira: o campo aberto, o cheiro de sangue dos ceifantes, o grito preso na garganta antes da primeira transformação. — Na outra vez, aconteceu no meio da luta. Eu tava sozinha. Sangrando. Achei que ia morrer. “Eu lembro. Mas agora não tem luta.” — Tem veneno. “Sim.” Fiquei em silêncio. O som do próprio coração era alto demais. A dor subia pela coluna em ondas. — Então por que agora? Não era pr

