A cela parecia menor naquela noite. Dante e Aurora se encaravam como dois predadores presos no mesmo território, cada um segurando segredos que não estava pronto para entregar. O ar entre eles vibrava com uma tensão quase física, como se qualquer movimento pudesse disparar uma guerra. O vínculo pulsava como uma corrente invisível, aproximando e repelindo, tentando decidir sozinho quem eles eram um para o outro. Aurora respirou fundo, mas a respiração saiu dura, carregada de irritação e do medo que ela nunca admitiria em voz alta. Afastou o olhar antes que a vontade de confrontar Dante se tornasse maior do que a prudência. Depois soltou um palavrão abafado, passou a mão pelos cabelos como quem tenta arrancar a própria confusão pelas raízes e, sem aviso, deitou-se na cama com a postura de q

