A irmã apertou o braço de Ruan de leve, como um aviso silencioso para ele não explodir ali, não na frente de todo mundo, não com os instrutores rondando. Ruan respirou fundo, mas o peito dele levantou com força, e o olhar escureceu num ponto que não era tristeza; era fúria. — Quem fala isso? — ele perguntou, baixo demais, e ainda assim cortante. A menina apertou os lábios, hesitando, e os dedos dela amassaram a saia com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. — Na escola — ela confessou, olhando para o chão, como se tivesse vergonha de apanhar. — Eles empurram minha mochila, e um menino… um menino puxou meu cabelo ontem. A professora falou que eu devia “parar de chamar atenção”. Ruan fechou os olhos por um segundo. Não foi dramatização; foi controle. Quando abriu, ele já esta

