Em breve será o aniversário de Athena, não qualquer aniversário, o de dezoito anos. Ela nunca mais tocou naquela história maluca de ter sua primeira vez comigo, depois de todo esse tempo deve ter esquecido.
Ali pelos meus quatorze anos quando comecei a entender o que sentia por ela, fantasiei que um dia iria me declarar e ter meus sentimentos correspondidos. Toda a vez que ela dizia que me via como seu irmão me matava um pouco por dentro, isso me dava a certeza que ela nunca me veria como homem.
No final das contas optei por ser apenas seu amigo, estava feliz estando ao seu lado, isso já era o suficiente para mim. Por mais que esse amor ardia dentro de mim, sou eu que sou apaixonado, é minha responsabilidade lidar com isso.
— Sabe que mamãe vai te dar um sermão se te ver fumando.— Digo ao ver meu pai pegar um charuto.
— Vai ser nosso segredo, Oli. — Diz antes de acender.
Meus pais eram apaixonados até hoje, mesmo minha mãe sendo bem mais jovem que ele, os dois nunca brigavam. Sei que o casamento deles foi arranjada, parece tão fácil encontrar o amor quando olho para os dois.
— Pai, como você teve certeza que a mamãe era a mulher da sua vida?
Meu pai apaga o charuto, passando a mão pelos cabelos grisalhos.
— Eu e sua mãe tivemos um começo complicado.
— Sei que vocês tiveram um casamento por acordo das máfias.
Ele vai até o mini-bar, servindo duas doses de whisky e me entregando uma.
— Digamos que eu se sua mãe omitimos alguns fatos do nosso casamento para você e seus irmãos.
— Omitiram?— Franzo o cenho.
— Tinha algumas coisas que eram difíceis para crianças entenderem, concordamos de contar uma versão resumida, conforme vocês crescessem íamos falar a verdade. Só que o tempo passou e nunca mais foi tocado no assunto.
— Tirando a parte do casamento forçado e do atentado que o tio da nosso mãe fez, o que mais tem nessa estória?
Papai seca seu copo e passa a mão pelos cabelos em sinal de nervosismo.
— Antes de ser casado com minha primeira esposa, a mãe da Mila, eu tive uma prometida desde criança, nosso casamento era algo acertado desde sempre, o nome dela era Inês Sinclair.
— Espera, Inês Sinclair é o nome da vovó? Sua prometida tinha o mesmo nome?
— Inês era a mãe de Emma...
— Para... Para... preciso assimilar isso tudo.
Devo ter ouvido errado, isso é loucura demais.
— Sua antiga prometida é a mãe da sua atual esposa? — Papai acena que sim.— Agora entendi por que esconderam isso, é maluquice demais.
— Tem bem mais...
— Mais??— Digo perplexo.
— A Inês engravidou do Andrei Popova, hoje ele é o Dom da Bratva, eles tiveram um caso e a Inês foi abandonado grávida. Nisso a família Sinclair escondeu a existência da Emma, falaram que as duas tinham morrido no parto. — Papai suspira.— Quando descobri sobre a Emma, quis me vingar da traição da Inês na sua filha, fiz a família Sinclair me dar Emma como pagamento pelo que Inês fez.
— Pai, com todo respeito... que desgraçado, só não chamo de filho da p**a* porque a vovó ia se levantar do túmulo para me dar um puxão de orelha.
— Olha ouvi coisa bem pior da sua avó, da Betina, Hugo e Martin, todos que diziam que eu o que estava fazendo era loucura.— Meu pai admite.
— Pelo menos alguém era sensato, pena que o senhor era cabeça dura.— Brinco.— Mas como dessa maluquice surgiu o amor que vocês sentem hoje?
O sentimento que meus pais tinham um pelo outro só podia ser amor, não tinha como chamar de outra coisas.
— Eu e Emma tivemos um começo bem complicado, cheio de provações, fui um cafajeste com sua mãe no começo do casamento, teve tantas reviravoltas na nossa estória. No começo tudo que queria era conquistar sua mãe para em seguida quebrar seu coração, eu caí na minha própria armadilha.
— A mamãe te colocou a coleira bonito.— Não aguento e solto uma gargalhada.
— Deixa eu te contar tudo que aconteceu durando a nossa trajetória até ter você.
Aceno que sim. Meu pai me conta toda a estória de seu casamento, desse vez com todos os detalhes, sem ser resumida. E olha, meus pais não passaram por pouca coisa, principalmente minha mãe, ela é forte demais. Como conseguiu enfrentar tudo isso e ser quem é hoje, ela é uma das pessoas mais alegres e brilhantes que existe.
— Isso dava um livro.— Digo quando meu pai termina sua estória.
— Dava mesmo... eu nunca vou me redimir o suficiente pelas coisas erradas que fiz com a Emma, prometi para ela o mundo e tento cumprir essa promessa até hoje.
— Pai...— Dou um sorriso.— O senhor construiu um hospital para a mamãe realizar seu sonho, como sempre me ensinou os Lynchs são homens de palavra.
Ele me devolve o sorriso.
— Quero te dizer com isso, que nem sempre o amor tem um caminho fácil, olha para mim e sua mãe.— Coloca a mão em meu ombro.— Tem certas coisas que se deve lutar.
Tio Hugo entra no escritório.
— Atrapalho? — Pergunta.
— Claro que não, cunhado. Só estava contando para meu filho de quando conheci a mãe dele.— Papai se levanta.
— Pelo menos Oliver tem mais juízo que você, graças ao bom Deus.— Tio Hugo diz.
— Assim parece que sou um irresponsável, e Oliver foi feito à minha imagem e semelhança.— Meu pai se gaba.
— Mas foi educado pela Emma, isso o salva de fazer besteiras.
— Você não é do tipo que faz piadas, anda sendo influenciado pelo Leo?— Meu pai franze o cenho.— Leo atém da aparência herdou a personalidade da mãe... no começo ela me deixava louco com seu deboche.
— Você merecia.— Tio Hugo sorri.
As palavras de meu pai continuam na minha cabeça... Será que devo lutar pela Athena?
Não sei como fazer isso, nem por onde começar, queria ser bem mais que amigo para ela, ocupar um lugar maior em seu coração.
Com tudo que meu pai me contou hoje me deu uma vontade de mimar minha mãe, ligo para Leo e vamos juntos a pegar no hospital.
— Toda vez que olho pra vocês custa a acreditar que meus bebês cresceram tanto.— Mamãe diz quando nos vê.— E que homens lindos que se tornaram.
— A genética sua e do papai são boas.— Leo brinca.
Mamãe dá um beijo na testa de Leo e depois em mim. Olhando para ela é difícil acreditar em tudo que ela já passou, que mulher forte que ela é.
Vamos até a hípica buscar Ben, meu irmão gosta de hipismo, e passa tardes aqui andando à cavalo. Ele é a peça que faltava para completar a tarde de mãe e filhos. Claro tem a Mila, mas ela está na Rússia, então ficarei em falta.
Enquanto passeamos, os olhos se voltam para nós, tenho que concordar com Leo quando disse que nossa genética é boa. Eu puxei ao papai, já Leo é todinho a mamãe, não só em aparência quanto personalidade. E Ben era loiro quando pequenos, mas depois de uma idade puxou para o lado do pai, hoje me assusta como ele é parecido comigo quando era mais novo.
Nossa mãe, Emma Lynch então é linda, entendo os ciúmes do meu pai. Além da diferença de idade, ela aparente ser jovem, e atrai olhares por onde passa.
Fica tranquilo pai, seus filhos estão aqui para espantar qualquer um que ouse olhar para nossa ruiva.
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