Tamires On
Acordo cedo e agora é hora de agir pra vida. Chega de ficar pensando em macho rodado.
Primeira que fiz ontem quando saí do apartamento do tal la eu joguei o chip fora, pois com certeza Camila vai me ligar quando o irmão disser quem eu sou.
Camila sempre foi uma ótima amiga, mas não passava da faculdade e as vezes algum barzinho com os amigos após as aulas.
Bem agora vou ali acordar um rapaz e ver como está seu humor. Nunca vi como se parece com o pai.
Abro a porta e ele já está sentado na cama arrumando alguma coisa na mala.
- Bom dia meu filho.
- Oi mãe. Bom dia. Me perdoe pela forma como falei ontem. Só não quero ver você sofrer novamente. Quero que seja feliz mamãe.
- Ho meu filho. Eu te amo tanto. Obrigado por sempre cuidar de mim e ser meu companheiro. Agora vamos embora que daqui a São Paulo tem chão. Aluguei um carro pra gente ir. Vai ser uma viagem diferente. Eu e você.
Sempre dirigi. Mas após umas dificuldades vendi o carro, afinal trabalhava perto e o dinheiro ajudou nos estudos do meu filhote e a pagar babá.
Saímos do hotel e fomos direto para o início de uma nova vida.
Em São Paulo tenho um amigo que irá me ajudar com o cargo que tanto sonho.
- Mãe por que não podemos ficar aqui no Rio? Meus amigos estão todos aqui
Fico triste por ter que levar meu filho pra outro estado e o pior é mudar toda sua rotina. Não é fácil, porém necessário.
Filho tenha paciência. Te prometo que estou tentando fazer o melhor pra você e pra nossa vida.
Ele me olha e se vira pro lado.
- Sabe mãe, eu não sou criança mais não. Sei que estamos em dificuldades e por isso vamos tentar em outro lugar. Só estou triste pois daqui uns dias faço 13 anos e não terei meus amigos pra conversar. Mais os amigos não são nada. Pra mim morar no Rio de Janeiro e uma esperança de um dia encontrar meu pai e entender porque ele nos abandonou.
Uma lágrima desce e logo vejo um posto
- Filho vamos parar e comer algo. Assim nós distrai um pouco.
Sempre que o Maximiliano fala do pai eu sinto um aperto enorme. Falei que ele foi embora. Ela pensa que tudo foi pela minha gravidez, mas seu que não é isso. Ramon nunca soube da minha gestação. Nas como ele saberia se ele evaporou no mapa até a noite anterior.
Comemos e seguimos a estrada.
Max estava visivelmente triste e eu me culpava por isso. Fui fraca e não dei ao meu menino a vida que ele realmente merece.
O restante da viagem foi tranquila. Estamos nos adaptando na cidade e eu já consegui um trabalho e estamos indo bem.
Max já está estudando, porém desde de que pisamos em São Paulo ele tem mudado muito.
Já tem 6 meses que estamos aqui e desde de então não soube de mais nada do Ramon. Sinto falta da Camilla, ela sempre foi uma ótima amiga. Fiz o completo concurso pra delegada e passei. O edital já estava em andamento e com a ajuda do Gael eu já fui chamada. Tem um mês que estou a frente da delegacia de narcóticos.
Como sempre deixo Maximiliano na escola e sigo pra delegacia. Estou vendo se acho uma pessoa aqui pra me ajudar, pois vindo aqui todos os dias coloco meu filho na mira dos bandidos.
Chegamos e max se vira pra mim
- Mãe posso ir na casa de um amigo após a aula ? Ele também veio do Rio de Janeiro e não tem muitos amigos.
- Não Max. Você sabe que não tenho tempo pra essas coisas. Hoje vou pedir o Edi pra vim te buscar. Estou no meio de uma operação grande e meu tempo você já sabe. Então espero que volte pra casa e me espere de porta trancada. Vou ficar te olhando pelas câmeras.
Ele me olha e sai batendo a porta e gritando.
- E sempre isso. Nunca tem tempo pra mim, se amenos você tivesse escolhido um pai melhor pra mim eu não seria esse fardo.
Ele nem espera eu calar nada e entra na escola.
Sigo pra delegacia e lá tenho mais problemas.
- Bom dia dra.
- Bom dia Edi.
Respondo sem ânimo
- Hum deixa eu adivinhar. Problema com o pequeno príncipe.
Ele é um agente aqui e um ótimo amigo. Edi e gay, mas não se enganem o danado a maldade em pessoa.
Entro na minha sala e ele vem.
- Quer conversar minha rainha ?
- Aí Edi, não sei oque faço. Max cada dia fala mais no pai. Eu nem sei onde ele anda e pra falar nem quero saber. Mas quer saber deixa de conversa e vamos ao que interessa.
Ele me olha e não discute. Começamos a analisar as informações que chegaram e realmente tem uma carga enorme pra sair de uma favela e o destino é tráfico internacional através de mulheres, as famosas mula.
- Dra. O chefe do morro do Paraisopolis o tal jacaré está com um esquema grande com os gringo. Precisamos agir pois segundo informações ele tá fazendo família de mulheres inocentes refém pra as obrigar ao tráfico.
Paro e analiso tudo. Realmente preciso agir
- Edi preciso de apoio pra essa operação.
Ele me olha e sorri.
- Hum o delegado Estevão vai amar te ter por perto. Dá uma chance pra ele. Vocês formam um belo casal.
- Lá vem você com esses papo. Estevão e um ótimo amigo nada mais .
Estevão e delegado da anti sequestro, ficamos duas vezes porém não deu química. O beijo não foi bom e eu nem quis experimentar o resto. Resumindo, 13 anos sem fazer um sexö. Me dou prazer e por enquanto tá bom.
Confesso que várias vezes fiz isso pensando no pai do meu filho e logo depois me odiava por isso.
Desde de o nosso último encontro eu não paro de pensar nele. Pensar em suas palavras e principalmente o porquê ele sumiu sem nem me dizer um adeus. Mas vida que segue
- Ei planeta terra chamando.... Dra.
Dou um pulo da cadeira e olho para Edi que está sorrindo. Além de amigos de trabalho eu o considero um irmão que a vida me deu.
- Edi tem como pegar o Max na escola novamente pra mim. Vou na operações especiais falar com o Bruno sobre a operação de amanhã.
- Vai lá amiga. Vou pegar o Max e ir no shopping com ele. Esse menino precisa sair de casa.
Deu meu cartão pra ele pois o Maximiliano pode não estar com o dele. Lhe agradeço e saio.