Adonis se sentou ao lado de Ralph, em silêncio, por alguns segundos.
— Eu já disse que Louis não é meu capo — começou Adonis, sem rodeios. — Você é meu capo, Ralph. Sempre foi.
Ralph não respondeu de imediato. Continuava com o braço engessado, apoiado sobre a mesa, os olhos fixos num ponto qualquer do chão.
— Mas agora vou te dizer mais uma coisa — continuou Adonis, a voz mais baixa, mas cheia de veneno contido. — Se Louis tocar na minha Chloe… eu ma.to ele.
Ralph desviou os olhos para ele, devagar.
— Eu coloco veneno na comida dele, e o corto em pedaços, um por um. Nem que eu mor.ra depois. Nem que me condene por traição. .
— Ele não vai tocar nela. — Ralph disse.
Adonis respirou fundo e olhou para frente.
— É bom que não. Porque eu não vou fechar os olhos e esperar você se decidir.
Fez uma pausa, então completou com o tom mais sombrio que Ralph já ouvira dele:
— Me.rda nenhuma. Eu não vou esperar por ninguém. Chloe estava aterrorizada ontem, Ralph. Com medo, trêmula, olhando pra mim como se eu fosse o único escudo que restava e você é o escudo de Georgina.
Ralph não disse nada. Sabia que Adonis estava certo. Sabia que Chloe havia ficado vulnerável demais naquela casa onde o perigo andava solto.
— E isso — disse Adonis, se levantando devagar — eu não vou permitir.— E tem mais — disse Adonis, parando antes de sair. — Bartolomeo Falcão ligou. Disse que você tem um mês pra se decidir.
Ralph ergueu os olhos com lentidão.
— Um mês pra quê?
— Pra tomar posição. Porque ele, Caio, Francesco... até o morador de Centralia... todos vão colocar a cabeça do Louis a prêmio.
Não sabiam a indentidade do morador de Centrália, só sabiam que ele tinha muito dinheiro e se escondia atrás de uma máscara e das redes.
Ralph bateu o punho fechado na mesa, o braço engessado tremeu com o impacto.
— Me.rda. Isso não.
— Eu não sei exatamente o que Caio descobriu sobre Louis, mas foi algo sério. Ele achou alguma coisa na rede, e ficou possesso.
— O quê, Adonis?
— Não sei. Só sei que ontem à noite, Caio quase colocou uma bala na cabeça do seu irmão. Só não fez porque Bartolomeo segurou.
Caio Falcão, do cartel. Um atirador que não errava. Ele podia derrubar qualquer coisa que quisesse, só precisava de uma boa arma — e um motivo. E agora ele tinha os dois.
Adonis deu um passo à frente, apoiando as mãos na mesa, o olhar firme.
— Caio obedece Bartolomeo, sabemos disso. E se você não se decidir logo, Ralph... além de perder Louis, vai perder tudo. Georgina vai ser passada pra outro. Vão tirar ela de você como se nunca tivesse sido sua.
Ralph passou as mãos pelo rosto, os ombros caídos, o corpo cansado. Estava exausto. Carregava Louis, o império, as culpas. A história toda.
— Talvez eu consiga resolver isso... Louis perde o cargo e sumimos do país. Você assume, Adonis. Você tem força pra isso.
Adonis balançou a cabeça imediatamente.
— Não. Eu não aceito. Você é o capo. Você sabe disso, Ralph. Sempre soube.
Ralph explodiu:
— Mas eu também sei que amo o meu irmão, po.rra! Não posso, derramar o sangue dele.
Fez uma pausa longa, os olhos vermelhos. Depois murmurou:
— Inferno... por que todo mundo não para de me pressionar?
Adonis o olhou com a mesma firmeza de sempre, mas com um toque de algo raro: compaixão.
— Porque a gente sabe que você precisa decidir.
O silêncio tomou conta. Um silêncio grosso, que doía no peito de Ralph, ele em poucos momentos sentia que tinha um coração, e agora, era um desses momentos.
O tempo, ali dentro, parecia mais c***l do que nunca. E ele corria contra Ralph.
Ele puxou o telefone do bolso, fez uma ligação. Falou baixo, com alguém nos Estados Unidos. Um contato antigo, ele e Louis tinham suas casas em solo americano, duas empresas e um prédio comercial.Talvez, só talvez, existisse uma saída. Um plano. Um lugar para onde pudessem desaparecer.
Sabia que ninguém saía vivo da máfia. Mas às vezes… um ou outro conseguia sair invisível.
Talvez Louis aceitasse. Talvez ele entendesse. Ralph não queria levantar uma arma contra o irmão. Não queria derrubá-lo com as próprias mãos.
Mas também não suportava mais ver Georgina indefesa. Ferida. Silenciosamente despedaçada.
E ele só buscava uma solução.
Mas será que encontraria?
Será que teria conseguiria de salvar Georgina… e deixar Louis vivo?