Conhecendo a Sula

1345 Words
Lívia Passei alguns minutos, até me recuperar de tudo que vivi a pouco, foram aproximadamente os dez minutos mas intensos da minha vida, um gigante desconhecido me mandou sequestrar, me fez ameaças diretas e ainda me rasgou a roupa, mostrando que eu estou diante, de uma das piores espécies de humano e o pior de tudo, foi ver meu marido me negar resgate ou qualquer tipo de defesa, sendo ele um policial. — Eu estou muito ferrada. — Sussurro constando meu destino, sofri em meu casamento, apanho do meu marido, tenho uma vida infeliz e achava que não podia ficar pior, eu não sabia o quanto eu estava enganada em relação a isso. Eu nunca reagi ao Pedro, aceitei seus maus-tratos e insultos e agora eu faria o mesmo? Eu era uma mulher fraca, que não tinha forças para lutar por minha liberdade? Nesse momento eu não fazia a mínima ideia do que aconteceria comigo, talvez esse desconhecido me matasse e ninguém poderia me ajudar, caminho até a porta, constatando o óbvio, ela está trancada! Vou até a grande e dupla janela de vidro que tem no quarto, com uma vista para toda área lateral da casa e constato que também está trancada, o dia está praticamente amanhecendo. A alça da minha camisola está arrebentada, faço um improviso e consigo dar um nó, voltando a cobrir meu seio. A cada minuto que passo aqui trancada e sozinha, mais minha mente tenta me sabotar e o que ele disse começa a martelar na minha cabeça como uma sentença de morte: Algo sobre me chamar de mercadoria, que eu iria passar pelas mãos dele e de outros homens, ele pretende me prostituir? Sempre fui religiosa e gostava de ir às missas, antes de Pedro chamar o padre de ladrão e me proibir de ir à missa. O tempo passa e vejo o sol ficar mais forte, não sei a hora, pois aqui nesse quarto não tem relógio na parede, nem em lugar algum. Paro para observar o quarto, é completamente masculino, nenhum vestígio ou rastro que alguma mulher passou aqui algum dia, vou até o closet é enorme praticamente do tamanho do meu quarto, muitos ternos pendurados, todos entre azul escuro, preto e cinza chumbo, também vejo uma infinidade de camisa sociais e tem algumas nas cores branca, é a primeira vez que vejo algo que não seja preto e cinza desde que cheguei aqui. Olho a camisa e o tamanho é surreal, mesmo sabendo que meu corpo seria engolido por ela se a vestir, fico tentada a fazer, pois minha roupa está rasgada e eu estou quase nua e não tenho nada meu aqui comigo. Decido por não pegar as roupas de Oliver, ele pode não gostar e não quero mais problemas além dos quais já tenho no momento, pois se ele se irritar comigo, pode adiantar minha morte e eu não terei chance de fugir, do closet vou ao banheiro e fico impactada como é enorme, a área da pia, tem um móvel enorme repleto de perfumes e todos são iguais, como se ele só usasse o mesmo cheiro, devo ter contado uns 8 frascos de perfume, tem produto de barbear, creme pós barba e várias coisas de higiene pessoal, todos são de marcas importadas e com certeza muito caro, o banheiro tem uma banheira enorme e dois chuveiros bonitos. Saio do banheiro e me assusto com uma mulher pequena, rechonchuda e sorridente no quarto, ela deve ter por volta de uns sessenta anos, pois já tem até vários cabelos brancos. — Bom dia, eu sou a Sula, trouxe seu café da manhã, coloquei ali na mesa. — Ela aponta em direção a uma pequena mesa que tem no quarto, com apenas uma cadeira. — Eu não estou com fome. — Quer um conselho? Coma antes que esfrie, eu vou ter que ir e trancar a porta, ordem do senhor Oliver e eu realmente sinto muito por isso! — A mulher por nome de Sula diz, fazendo uma expressão triste e se afasta caminhando até a porta do quarto. — Sula! — A chamo antes que ela saia. — Você tem, linha e agulha? Preciso consertar minha roupa! — Falo mostrando minha camisola arrebentada. — Sim eu tenho, não acho que o senhor Oliver, se importe com isso, volto em cinco minutos. — Ela realmente volta em cinco minutos, vou no banheiro, tiro a camisola e me enrolo numa toalha branca como algodão, extremamente felpuda e macia, Sula faz questão de consertar minha camisola, a deixando como antes, como se nunca tivesse sido arrebentada. — Obrigada Sula. — Não tem problema, eu fiz com muita boa vontade. — Essa mulher certamente está fingindo, ela não pode ser tão educada e gentil, trabalhando para esse Godzilla, mas mesmo assim eu me atrevo a pedir ajuda. —- Por favor me tire daqui, eu fui sequestrada, eu me chamo Lívia, é um crime o que estão fazendo comigo, por favor eu tenho mãe, se eu morrer ela vai adoecer, você precisa me ajudar, meu marido é quem não vale nada, ele deveria estar aqui no meu lugar, acho que ele roubou seu chefe, ele é policial e lá na nossa casa tem muitas drogas e armas, se quiser eu te levo lá e você vê pois eu sei onde fica, mas eu não tenho nada com isso, eu nunca nem sequer fumei maconha na vida, eu nunca roubei ninguém, quando eu era criança eu posso até ter roubado algum brinquedo de um coleguinha, mas agora que sou adulta, eu sou honesta, você precisa me tirar daqui, meu CPF é…. Acabo falando o numero do meu CPF e RG, para ela ver que eu não devo nada a ninguém Eu sei que eu falei sem parar, eu sempre faço isso às vezes, quando estou nervosa e nesse momento eu não estou apenas nervosa, eu estou desesperada. — Lívia, eu sinto muito, eu não posso te tirar daqui. — Você é algum tipo de vovó do crime? — Pergunto, porque meu marido é policial e eu já vi muitas histórias de idosas envolvidas na bandidagem e no tráfico. — Eu não sou criminosa, mas eu trabalho para o senhor Oliver, ele é meu patrão e por incrível que pareça ele é um bom patrão, eu tenho muito a perder e as pessoas que dependem de mim também, me desculpe Lívia, eu preciso ir! — A senhorinha vai embora, me trancando outra vez, tiro a toalha do meu corpo e volto a vestir minha camisola, vou até o café da manhã e em cima da mesa tem uma bandeja com ovos, queijo e pão, tem uma banda de mamão e uma porção de uva, uma garrafa térmica pequena que deve ser café, também tem um pote de vidro que parece de cristal com açúcar e um saleiro, talheres pequenos e grandes, seria um café da manhã que eu devoraria fácil, mas simplesmente meu estômago está embrulhado e eu não consigo encostar na comida, então a deixo intocada. A mesma coisa acontece com o almoço e jantar, Sula trás as bandejas e depois as recolhe intocadas, Oliver não apareceu no quarto uma única vez se quer, talvez ele nem durma aqui e esse quarto nem deve ser dele. Após Sula recolher a bandeja do jantar intocada, decido tomar um banho, olho uma banheira imensa e por alguns segundos penso que seria maravilhoso tomar banho nela, mas devido minha situação, tomo uma ducha rápida no chuveiro, lavei minha calcinha e tendo a certeza que ficarei sozinha nesse quarto a deixo pendurada num gancho que tem na parede, me seco com a toalha e volto a vestir minha camisola, não molhei o cabelo porque não teria como secar a essa hora e sempre que durmo com cabelo molhado amanheço resfriada, fico tentada a borrifar um pouco de perfume em mim, mas não faço e saio do banheiro. — Você! — Tomo um surto ao ver Oliver parado no meio do quarto, com as mãos no bolso da calça, como se estivesse me esperando.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD