Lívia
Abro os olhos e me espreguiço, nas mesma hora me arrependo, sinto uma dorzinha percorrer meu corpo, então lembro da noite de ontem e de tudo que Oliver fez comigo, ele não é apenas um monstro no seu dia a dia, ele também é um monstro na cama e insaciável.
Vagarosamente desço da cama e vou até o banheiro, olho para a banheira e sigo para o chuveiro, tomo um banho, como Oliver não reclamou por estar usando sua camisa, pego outra camisa sua, dessa vez uma azul Royal, visto outra cueca sua, não é como se eu tivesse muita opção, penteio os cabelos, e borrifo outra vez o perfume caro de Oliver em mim, ele pode ser um monstro, a pior pessoa que já conheci, mas ele cheira bem, muito bem, quando saio do quarto dou de cara com Sula, a vovó do crime, sempre sorrindo.
- Que susto.
Digo levando a mão ao peito.
- Desculpe senhorita, vim trazer seu café da manhã.
Ela fala e vejo a bandeja em cima da mesa.
- Ah e também dizer para senhora não demorar comendo, o senhor Laerte está vindo.
- Laerte? Quem é esse?
Pergunto me aproximando da mesa e pegando uma maçã, estou realmente com fome e dou uma boa mordida.
- Ele é um estilista e a tarde a senhora tem consulta médica.
- Eu tenho médico a tarde?
Eu não estou entendendo, eu sou prisioneira e se tenho um médico marcado não será coisa boa, Sula vai embora e eu fico desconfiado tomando meu café, m*l termino de comer e Sula reaparece falando que Laerte chegou.
Assim que Laerte entra no quarto, não resta dúvidas que ele é gay, não que isso importe para mim, afinal cada um tem o direito de fazer o que quer da vida, mas ele tem um estilo bem peculiar e eu achei bonito, seus cabelos são grandes para de um homem, são lisos e bate em seu queixo, muito negros e cortado em um impecável corte Chanel, sem nenhum fio fora do lugar, ele é magro e alto e também está usando uma roupa feminina, ele veste uma calça com estampa de onça e uma camisa de mangas longas de ceda na cor preta, seu perfume é doce, mas não chega a ser enjoativo, ele está maquiado pois sua pele está muito bonita, mas nada estravagante.
- Olá, boa tarde eu me chamo Laerte, você deve ser a Lívia.
Laerte m*l se apresentar e duas mulheres entram no quarto arrastando um tipo de guarda-roupa móvel, aberto e de rodas, Laerte tem uma maleta prateada nas mãos.
- Sim, sou a Lívia, mas o que significa tudo isso?
- O poderoso me mandou aqui para tirar suas medidas e fazer algumas roupas, mas eu também trouxe roupas já prontas, se precisar de ajustes faremos aqui e agora mesmo.
A porta abre outra vez e dessa vez todos se calam, Oliver entra no quarto, sempre pronto, sempre impecável, eu nunca o vi com roupas do dia a dia, apenas social e terno, sem falar nada e com sua costumeira cara emburrada, Oliver entra no quarto e senta-se em uma poltrona de couro, o silêncio ainda reina, até que ele fala:
- Prossiga com seu trabalho Laerte, faça de conta que não estou aqui.
Ele vai ficar aqui? Oliver não tem nenhum trabalho a fazer? Como ele acha que é possível ignorar sua presença nesse quarto se ela impregna tudo? Oliver definitivamente não é o tipo de homem que dá para ser ignorado.
Os poucos Laerte vai se soltando, ele abre maleta e pega uma fita métrica de dentro, na maleta tem linhas de todas as cores, agulhas de vários tamanhos, alfinetes e tudo que precisa para costurar.
Laerte pega a fita e vem até mim.
- Vamos medir essa cinturinha de pilão.
Mas antes que ele me toque ou faça alguma coisa com a fita métrica, Oliver interrompe de maneira bem rude, beirando a ignorância.
- Não, você não a toca, peça para alguma das suas ajudantes fazer isso.
Laerte fica perdido por alguns segundos e logo se recompõe, não entendi porque ele não pode tirar minhas medidas se ele é o alfaiate?
Uma de suas assistentes assume seu lugar, pega a fita métrica e mede todas as minhas medidas, ela vai falando para Laerte que anota em um caderno.
Depois eu provo algumas roupas, shorts de tecidos confortável e elegante, blusas, vestidos, calças, algumas peças ele precisa apertar um pouco na cintura, mas ele logo faz com agilidade, nota-se que tem muita habilidade com a linha e a agulha, pois seus ajustes ficam imperceptíveis, como se a roupa nunca tivesse passado por nada antes.
Decido já ficar usando um lindo vestido amarelo de linho, ele não tem mangas, apenas duas alças grossas e um zíper atrás e é na altura do meu joelho.
- Você pode me ajudar a fechar o zíper?
Pergunto a um das moças que estão no quarto ajudando Laerte, ela sorrir e faz um geste para se aproximar, vejo Oliver fazer um sinal com sua mão, para que a mulher não saia do seu lugar, em seguida ele se levanta da poltrona, com sua altura impressionante e começa a caminhar até mim, Oliver para na minhas costas e eu sinto a sua grandeza como uma sombra pairando sobre meu corpo, seus dedos pegam o zíper do meu vestido, sinto quando seus dedos raspam a pele das minhas costas nua, quando ele começa a subir o zíper, ele sobe tão lentamente que parece uma doce tortura, seus dedos subindo por minha pele junto com o zíper sendo fechado, eu sinto minha pele se arrepiar inteira ao seu toque, apenas um mero toque dos seus dedos na minha pele é suficiente, para me afetar por completo, quando termina de subir o zíper, ele baixa a cabeça até a altura do meu ouvido e sussurra com a boca praticamente colada com a minha orelha: esse vestido foi feito para você baby.
Fico sem ação, sem saber o que fazer ou como reagir, o trabalho de Laerte aqui se encerra e ele se despede junto com suas assistentes, eu agradeço por tudo, mas ainda continuo surpresa com atitude gentil de Oliver, ao falar que eu fico bem no vestido amarelo, Oliver é como um animal que antes de matar sua presa, tenta ganhar sua confiança a tratando com gentileza, isso é o que acabo de perceber nesse momento, ele é mais perigoso do que eu imaginava, ele é mais mortal do que eu suponha, ele é mais nocivo que minha mente posso deduzir ou imaginar.
- Vamos baby, a médica chegou esteja preparada para sua consulta em 5 minutos, eu preciso sair, tenho uma reunião, comportar-se e seja boazinha, não me dê trabalho, você sabe que eu não gosto quando você me dá trabalho, eu não reajo bem a desobediência.
Oliver sai do quarto, me deixando sozinha, mas não por muito tempo, logo uma senhora entra se apresentando pelo nome de Marcela, eu descubro que ela é uma médica ginecológica, qual a intenção de Oliver ao trazer uma médica para me examinar? Eu realmente não entendo as suas atitudes e cada dia eu fico mais confusa com ele, Oliver é completamente uma incógnita para mim, ele é a pessoa mais misteriosa que eu já conheci.