Capítulo Quatro

1425 Words
Alex Um som irritante e repetitivo preenche meu quarto, um zumbido insistente que se recusa a ser ignorado. É o despertador, um pequeno tirano que insiste em me arrancar do conforto dos meus sonhos. — Droga. — Resmungo, ainda com os olhos fechados, e, num gesto de pura irritação matinal, lanço o aparelho para o canto do quarto. O impacto surdo da queda me garante alguns minutos a mais de paz. Permito-me mais uns preciosos minutinhos de inércia sob os cobertores macios, o calor convidativo da cama se esforçando para me manter preso. Mas a necessidade, e a lembrança de que hoje seria o primeiro dia da "babá" na casa, me empurram para fora. Com um suspiro resignado, crio coragem para levantar. Tomo um banho rápido, a água fria ajudando a espantar o sono. Faço minha higiene pessoal, me visto com o primeiro conjunto de roupas que encontro — uma camiseta escura e jeans confortáveis — e desço para tomar meu café. Assim que entro na sala de estar, a cena que se desenrola diante dos meus olhos é de um caos quase cômico: Emily está empurrada num canto, com uma expressão de pura rebeldia no rosto; minha mãe, visivelmente nervosa, gesticula com as mãos; e, no centro de tudo, está ela, a babá, linda e assustada, com os olhos ligeiramente arregalados, como uma gazela prestes a fugir de um predador. — E... está tudo bem aqui? — Pergunto, minha voz um pouco mais hesitante do que o normal, olhando de um para o outro, tentando decifrar o drama matinal. — Não!! — Minha mãe e Emily respondem juntas, a sincronia surpreendente, apesar da discórdia. — Ah... está sim. — Amanda (sim, o nome dela é Amanda, confirmei novamente em meus pensamentos) diz, me encarando. Ela desvia o olhar rapidamente, como se percebesse que havia me encarado por tempo demais. Eu sei que é estranho não ter certeza absoluta do nome dela, mesmo depois de tê-lo ouvido ontem. Mas a verdade é que, quando olho para ela, é como se o resto do mundo simplesmente desaparecesse. É uma sensação esquisita, uma espécie de pane cerebral. — Não minta, Amanda, você sabe que não está tudo bem! — Minha mãe repreende, virando-se para Emily com uma cara nada boa, os olhos estreitos em advertência. — Eu já disse que não quero ter babá! Não sei por que essa garota está aqui, ela vai ser uma inútil! — Emily explode, as palavras cuspindo de sua boca com a fúria típica de uma adolescente irritada. Com isso, ela se vira e sobe as escadas, os passos pesados ressoando. — Emily, volte aqui agora! — Minha mãe grita, e sem hesitar, corre atrás dela, deixando-me e Amanda sozinhos no meio da sala. Por que, mãe?! Penso, exasperado e, ao mesmo tempo, estranhamente aliviado. O silêncio entre nós é carregado de uma tensão quase palpável, mas também de uma oportunidade. — E... então... bom... você... — Minha voz sai embolada, as frases incompletas, enquanto passo as mãos pelos cabelos, um gesto que trai meu nervosismo. Definitivamente, esse não sou eu! Nunca fui tímido perto de uma garota, sempre tive facilidade em me comunicar, em flertar. Por que com ela é diferente? Por que ela tem esse efeito sobre mim? Respiro fundo, tentando guardar o garoto tímido que acabou de emergir. Preciso retomar o controle. — Amanda, não é mesmo? — Pergunto, uma confirmação mais do que uma pergunta, tentando soar casual. — S-sim. Alex, né? — Ela responde, mordendo o lábio inferior, um sinal claro de seu próprio nervosismo. Aquele pequeno gesto me desarma um pouco. — Exato. — Digo, dando meu melhor sorriso, aquele que geralmente funciona para conquistar as garotas. Ela se solta um pouco, seus olhos ainda ligeiramente arregalados, mas com um toque de curiosidade. — Irmão mais velho? — Ela arqueia a sobrancelha. — Não, sou o do meio. — Digo, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. A proximidade faz meu coração acelerar um pouco. — Quantos anos você tem? — Ela parece se soltar mais, o nervosismo inicial dando lugar a uma confiança crescente. — Dezoito, e você? — Digo, dando mais um passo, ficando ainda mais próximo a ela. O ar entre nós parece eletrizado. Percebendo minha proximidade, Amanda dá um passo para trás, uma ação quase imperceptível, mas que não passa despercebida por mim. Ela aperta as mãos, seus olhos ainda fixos nos meus. — Tenho dezessete. — Fico feliz por isso. — Sorrio, e, em um impulso, pisco para ela. Sua reação é quase instantânea: suas bochechas adquirem um tom rosado, e ela desvia o olhar rapidamente. Aproveito o momento e saio da sala, indo para a cozinha antes que a situação fique mais embaraçosa (para ela, claro). "Dezessete anos. Nada m*l", penso, e um sorriso irônico se forma em meus lábios enquanto pego uma maçã da fruteira. Rio comigo mesmo. Minha mente já está traçando planos. Volto para a sala. O silêncio voltou a reinar, sem sinal da minha mãe ou da Emily. Amanda está sentada no sofá, com os olhos fixos em algum ponto invisível à sua frente. Me aproximo lentamente, meus passos quase inaudíveis. Quando estou perto o suficiente, consigo ouvir um sussurro abafado vindo dela: — Para de pensar nele! Ouvir aquilo me causa um arrepio e um sorriso malicioso. — Nele quem? — Pergunto, sentando-me ao seu lado, aproveitando o elemento surpresa. Ela dá um pulo do sofá, colocando a mão no coração, os olhos arregalados de susto. — E-em ninguém! — Ela gagueja, o rubor em suas bochechas se intensificando. Abro um sorriso largo ao ver suas bochechas vermelhas. Será que eu sou o dono de seus pensamentos? Se sim, conquistá-la será mais fácil do que eu pensei. A ideia de ter Amanda, de desvendá-la, começa a se formar na minha mente. Nunca terei nada sério com ela, uma voz prática e fria me diz. Apenas uma noite e pronto. Depois é só mandar meus pais demiti-la e está tudo resolvido. Essa é a minha regra. Sem complicações. Garotas são divertidas, mas não devem atrapalhar minha liberdade. E uma babá em casa seria um obstáculo para isso. Levanto-me, a maçã ainda na mão. — Vou levar minha irmã para a escola. Tchau, Amanda. — Digo, e, num movimento rápido e intencional, inclino-me e dou um beijo no canto de sua boca, apenas para provocar. Sinto um choque leve com o contato, mas me recomponho. O rubor dela se aprofunda, e a vejo levar a mão ao lugar que beijei, em um gesto de surpresa. Vou para o lado de fora, abro a porta do carro e entro. Envio uma mensagem para Emily, mandando-a descer. Demora alguns minutos, mas ela finalmente aparece, o rosto ainda emburrado, e entra no carro batendo a porta com força. — Não desconta sua raiva no Blue. — Digo, olhando para ela. O nome do meu carro é Blue. Emily me olha e solta uma risada sarcástica. — Blue? É sério? — Ela diz, rindo. — Sim. Não bata nele! — Digo, ligando o carro. Partimos para a escola dela, em um silêncio total dentro do carro. A tensão da manhã e a cena com Amanda ainda reverberam em minha mente, mas logo são substituídas por um foco mais imediato: a ameaça do "namorado". Assim que estaciono o carro em frente à escola de Emily, meus olhos varrem a multidão de alunos na porta. Meu instinto protetor é ativado em modo máximo. — Emily, por acaso, algum daqueles garotos é seu namorado? — Pergunto, apontando discretamente para um grupo de meninos parados perto da entrada. Já vou tirando o cinto de segurança, preparando-me para o confronto. Emily segue meu olhar e aponta com o dedo. — Sim, é o Rick, aquele ali. — Ela diz, sem qualquer vestígio de preocupação, como se estivesse me dando o tempo da escola. Tenho que admitir, a pirralha tem bom gosto. O garoto não é feio. Mas isso não muda nada. Ele precisa entender algumas coisas. — Vou ir bater um papo de homem para projeto de homem. — Digo, abrindo a porta do carro. Desço e caminho decidido em direção ao grupo. — Alex, não faz isso! — Emily sai do carro apressadamente e vem correndo atrás de mim, a voz cheia de desespero. Ignoro-a. Chego perto do grupo, e Rick me olha, confuso. Meu olhar é frio, calculista. — E aí, garoto. — Digo, minha voz em um tom baixo e ameaçador, pronto para estabelecer a nova ordem das coisas.
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