Capítulo Vinte e Cinco

1363 Words
Alex Na faculdade, uma sensação incômoda me perseguia desde o momento em que cruzei os portões. Era como se um frio profundo percorresse minha espinha, e cada batida do meu coração trouxesse consigo uma pressão no peito, um aviso silencioso de que algo estava errado. Eu tentei ignorar, fingir que era apenas cansaço ou ansiedade pelo retorno às aulas, mas a angústia só crescia, pesada, como uma nuvem escura prestes a desabar sobre minha cabeça. As aulas finalmente terminaram, e eu caminhava pelo corredor junto a Matt, cada passo ecoando de forma estranha, quase como se o chão estivesse me empurrando para frente, mas de maneira lenta e opressiva. A sensação de inquietação persistia, me sufocando, e eu não conseguia concentrar meus pensamentos em nada além de um único impulso urgente: precisava saber onde estava Amanda. — Alex, o que foi? — Matt perguntou, percebendo minha inquietação antes que eu pudesse sequer formular qualquer explicação. O olhar dele era de pura preocupação, e eu sabia que ele não ia me deixar escapar sem resposta. — Preciso ligar pra minha mãe! — disse, quase gritando, a urgência na minha voz ecoando pelo corredor e atraindo olhares curiosos de alguns alunos. Puxei o celular do bolso, as mãos tremendo levemente enquanto digitava o número. O medo me enchia de uma ansiedade quase física, tornando cada movimento mais difícil do que deveria ser. Ligação… — Oi, filho, que bom que ligou! A Amanda está com você? — a voz da minha mãe era calma no início, mas em segundos a preocupação se infiltrou em cada palavra. — Mãe, a Amanda não está com vocês?! — meu tom se alterou drasticamente, carregado de pânico e incredulidade. Minha mente girava em círculos, incapaz de aceitar qualquer resposta que não incluísse a presença dela ao meu lado. — Não, ela não veio trabalhar hoje — respondeu minha mãe, agora a preocupação evidente, quase vibrando na linha telefônica. — Droga! Eu vou ligar pra ela, mãe, ok? Tchau! — desliguei antes que ela pudesse falar qualquer coisa, incapaz de ouvir palavras que não me dissessem exatamente o que eu precisava saber: que Amanda estava bem. Ligação off — Cara, o que foi?! — Matt gritou, correndo para me alcançar. Mas eu m*l percebi sua presença; o desespero havia tomado conta de mim por completo. O mundo parecia se reduzir a uma única dimensão: Amanda. Eu precisava encontrá-la, precisava ter certeza de que ela estava segura. Ligação… — Alô, Amanda? — minha voz saiu trêmula, quase suplicante, quando a ligação foi atendida. Por um breve segundo, minha esperança acendeu, uma pequena luz no meio da escuridão que eu sentia. — Não, não é a Amanda — respondeu uma voz masculina, gelada e conhecida. Era Tony. Reconheci imediatamente, e meu sangue gelou. A raiva explodiu, misturada com o medo, criando uma sensação de vertigem no meu peito. — O que você está fazendo com a Amanda, seu desgraçado?! — gritei, a voz ecoando pelo corredor vazio, o pânico transformando-se em pura fúria. — Vem aqui fora ver, playboy — provocou Tony, e então desligou abruptamente, me deixando com a linha silenciosa e o coração disparado. Ligação off. Não pensei duas vezes. Saí correndo do prédio da faculdade, Matt imediatamente atrás de mim. Passamos pelos alunos apressados e espantados, nem me importando com os olhares ou com os gritos confusos ao redor. Só havia um objetivo: Amanda. — Dá pra me explicar o que está acontecendo, Alex?! — Matt gritou, ofegante, tentando entender o caos que se instalara em questão de segundos. Olhei para os lados, o coração martelando, mas nada me preparou para o que vi à frente. Amanda caminhava lentamente em nossa direção, uma visão que me congelou de imediato. Ela estava amordaçada, as mãos amarradas nas costas, e lágrimas deslizavam pelo rosto em trilhas silenciosas, mas visíveis, refletindo a luz do sol que começava a surgir. Meu peito doeu de uma forma que eu nunca tinha sentido. Cada segundo parecia se alongar infinitamente. — Amanda! — comecei a correr em sua direção, o instinto de protegê-la superando qualquer medo. — Se chegar perto, eu atiro — a voz de Tony cortou o ar, fria e ameaçadora. Ele surgiu do nada, a arma apontada diretamente para ela. A tensão explodiu no ar, e por um instante, tudo ao redor desapareceu: só existiam Amanda, Tony e a ameaça pulsante entre eles. Os alunos começaram a sair, formando uma plateia aterrorizada, mas eu não via ninguém além dela. A adrenalina me cegava para qualquer perigo, qualquer consequência. — Tony, solta ela! — gritei, dando um passo à frente. Amanda balançou a cabeça freneticamente, os olhos implorando para que eu não avançasse, mas eu não podia parar. Meu coração não me permitia. — Opa, eu disse para não se aproximar! — Tony gritou, e o pavor tomou conta de mim ao ver a arma encostar na cabeça de Amanda. Ela fechou os olhos, tremendo, e meu estômago se revirou. — TONY, NÃO FAZ ISSO!! — berrei, avançando, ignorando o medo que consumia meu corpo. — Como você é desobediente, moleque! Bom, ela vai sofrer as consequências dos seus atos — ele disse, com um sorriso c***l. O tiro ecoou, e meu mundo desmoronou. Amanda caiu de dor, o gemido abafado saindo por trás da mordaça. — AMANDA!! — gritei, sentindo meu coração se partir em mil pedaços. Ignorando tudo ao meu redor, corri em direção a eles, a raiva queimando em minhas veias. Tony disparou novamente. Uma dor aguda cortou meu braço; o tiro tinha passado de raspão, queimando como se meu sangue estivesse em chamas. Mas eu não parava. Ele agarrou Amanda com força, jogando-a no carro, e em segundos acelerou, desaparecendo na curva à frente. — Entra, cara! — Matt gritou, e eu nem pensei. Entrei no carro, e ele arrancou, iniciando uma perseguição desesperada, cada segundo trazendo um aperto maior no peito. Olhei para meu braço queimado, mas a dor física era insignificante diante da angústia de saber Amanda estava nas mãos daquele louco. A estrada à frente era isolada, cercada por mato e árvores, o cenário perfeito para uma perseguição desesperada. — Matt, acelera! Estamos perdendo eles!! — minha voz saiu embargada pela urgência. Matt pisou fundo, e logo conseguimos visualizar o carro de Tony à frente, cada árvore passando rápido, cada segundo carregado de tensão. — Vou subir essa rua e nós o pegaremos lá embaixo — ele disse, e eu assenti, o coração batendo como se fosse explodir. A esperança se renovava, mesmo frágil, como uma chama vacilante em meio ao caos. Esperamos o momento certo, calculando cada movimento, e então, em uma fração de segundo que pareceu uma eternidade, tudo aconteceu. Tony perdeu o controle do carro. Ele capotou várias vezes, o veículo girando em um balé macabro de metal e vidro estilhaçado. E então veio a explosão — ensurdecedora, cegante, consumindo tudo em labaredas e fumaça. Matt freou bruscamente. Desci do carro, o coração martelando, mas a visão do carro em chamas queimando diante de mim era devastadora demais. Tudo ao redor desapareceu; só existia o fogo, o metal retorcido e minha completa impotência. Ajoelhei-me, mãos cobrindo o rosto, e um choro desesperado escapou. Era um choro de dor, de perda, de incredulidade. O mundo inteiro parecia ter parado, deixando apenas o vazio e a lembrança de Amanda em meus braços, que agora não existiam mais. Matt se aproximou, colocando a mão em meu ombro. O gesto era silencioso, mas carregado de apoio e solidariedade. — Ela… não pode ter… — tentei dizer, mas as palavras se partiram na garganta, esmagadas pela dor. — Alex, ela… se foi — Matt respondeu, a voz embargada, e pela primeira vez percebi que ninguém poderia me salvar do desespero que consumia meu coração. NÃO. A AMANDA NÃO! O mundo ao meu redor desapareceu. Cada som, cada cor, cada sensação perdeu sentido. Tudo que restava era a memória dela — o sorriso, o perfume, a voz — e a ausência brutal que agora ocupava o lugar dela. Eu sentia meu coração quebrando, cada pedaço espalhado pelo chão, e a certeza de que nada, absolutamente nada, poderia trazer Amanda de volta.
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