Alex Uma semana inteira se arrastou diante de mim como um borrão interminável de dor, vazio e desespero. Não sei ao certo como os dias se sucederam — se choveu, se fez sol, se as pessoas seguiram com suas vidas normalmente — porque, para mim, tudo parecia suspenso, congelado em um eterno luto. Eu existia, mas não vivia. Era como se tivesse perdido não apenas Amanda, mas a mim mesmo. Chorei tantas vezes que perdi a conta. Às vezes chorava em silêncio, encostado contra a parede fria do quarto, outras vezes soluçava alto, como uma criança que não sabe lidar com a própria dor. As lágrimas, no entanto, nunca eram suficientes. A cada vez que pensei ter me esvaziado, novas ondas vinham, trazendo mais desespero, como se meu corpo fosse uma fonte inesgotável de sofrimento. Não comi por dias. A

