– É, amiga… perdeu o boy..
– Vai se ferrar, Ana! — falei séria, e ela caiu na risada..
– Demorou, hein, Ana.. — VT disse, já pegando bebida do balde.
– Oxi… por que tu não foi buscar então?
– Toma-lhe coice! Kkk — DL riu da cara dele, e eu acabei rindo também..
– Caraca, baixinha… pega leve aí, estressada! Kkk
– Pois é… preciso beber pra aliviar o estresse. Bora, Laura!
– Ó cês duas, hein!
– Deixa nós, DL..
Peguei um copo e enchi de whisky com energético..
A Ana fez o mesmo..
Ficamos bebendo por um tempo…
E quando começou o funk, a gente foi dançar..
Toda hora eu sentia.
O olhar dele.
Fantasma.
Mas eu ignorava..
Ou pelo menos tentava..
---
Percebi que o DL saiu com a Patrícia…
E a Ana já tava toda solta pro lado do VT..
Quando olhei…
Fantasma tava com outra.
Se pegando com aquela mina.
Senti um aperto estranho.
Uma coisa r**m.
E eu nem queria entender o porquê..
---
Acho que era melhor eu ir embora.
A bebida já tava mexendo comigo…
Primeiro o beijo com o DL…
Agora aquilo.
Eu não tava me entendendo mais.
---
Fui até a Ana.
– Amiga, vou indo, tá?
– Ué… já? Dorme aqui no quarto de hóspedes!
– Tá de boa… vou pra casa. Nem tá tão tarde..
– Te levo lá então — VT disse, levantando.
Balancei a cabeça.
– Precisa não… sério. Curte aí vocês… aproveita que o DL já foi.. kkk
Dei um beijo na bochecha dos dois e me despedi..
A Ana não gostou muito…
Mas eu fui mesmo assim.
---
Eu só queria ir pra casa.
Sei lá…
A bebida bateu diferente.
Eu tava meio triste.
Com vontade de chorar.
---
Tava andando, sentindo o vento… tentando esfriar a cabeça…
Quando uma moto parou do meu lado.
Tomei um susto.
– Aí, p***a! Que susto! — falei com a mão no peito.
– Tá devendo, por acaso? — ele disse, com aquele sorriso.
Fantasma.
Olhei pra ele, surpresa.
– Tá fazendo o que por aqui? Não tava lá com a mina?
– Tá com ciúmes, amor?
– De você? Não mesmo..
Falei fazendo pouco caso.
Mas no fundo…
Talvez estivesse.
---
– Magoou, hein… então vou nessa — ele ligou a moto.
Sem pensar, segurei o braço dele.
– Não… pera!
– Fala.
– Sério… o que tu tá fazendo aqui?
– A Ana pediu pra te levar. Tu é doida de sair sozinha assim?
– O morro é suave..
– Eu sei… mas sempre tem um maluco querendo fazer merda. Tu já bebeu… ficar vacilando sozinha é arriscado..
Olhei pra ele.
– E tu se importa?
– Tô aqui, não tô?
Ele fez um carinho no meu rosto.
Fechei os olhos por um segundo…
E, pela primeira vez…
Eu não senti medo.
Só senti…
Algo diferente.
---
– Bora… sobe aí. Vou te levar.
Subi na moto.
– Vai voltar pra festa depois?
– Sei lá.
– E tua mina?
– Não tenho mina, não… — ele riu. — Mas tu quer saber demais, hein?
– Nada… só não quero atrapalhar..
– Tô onde eu quero tá..
Ele pegou minha mão e colocou na cintura dele.
Eu abracei.
E ele arrancou.
---
O vento batia no meu rosto…
Mas eu só conseguia sentir o calor dele.
Era estranho.
Porque ele parecia tão frio…
Mas ali…
Perto de mim…
Ele era quente.
E aquilo…
Era bom demais.