Oi… me chamo Laura.
Tenho 22 anos e trabalho na lanchonete do seu Guto desde os 16.
Minha vida nunca foi fácil… mas também nunca foi parada.
Perdi meus pais aos 18 anos, em um acidente de carro.
Depois disso… fiquei sozinha no mundo.
Ou quase.
O seu Guto sempre foi muito bom comigo. Depois da tragédia, ele confiou em mim de um jeito que ninguém nunca tinha confiado antes. Me deixou responsável pela lanchonete aqui no morro, enquanto ele cuidava da outra, lá no asfalto.
Ele praticamente não vinha mais por aqui.
Então tudo ficou nas minhas mãos.
Caixa, estoque, atendimento… tudo.
A responsabilidade era grande.
Mas eu dava conta.
Sempre dei.
Enquanto isso, eu tentava não parar no tempo. Comecei a estudar online… e foi aí que tudo começou a mudar.
Conheci a Ana Júlia.
Descobri que ela também morava aqui no morro e estava na mesma turma que eu. Fizemos um trabalho juntas… e, sem perceber, a gente já estava rindo, conversando, dividindo a vida.
Ela virou minha melhor amiga.
Ana é daquelas pessoas que chegam iluminando tudo.
Foi ela que me levou na casa dela pela primeira vez.
E foi lá que eu conheci o irmão dela.
DL.
Sub do morro.
E, sinceramente?
Lindo demais.
Eu sempre ficava meio boba perto dele… olhando escondido, tentando disfarçar.
Mas ele… nunca nem me notou.
Ou fingia que não.
E tem também…
o Fantasma.
O dono do morro.
Só de falar o nome já me dá um arrepio estranho.
A Ana diz que é amiga dele, mas toda vez que ele aparece… eu travo.
Não sei explicar.
É como se a presença dele tomasse o lugar inteiro.
Me dá medo.
Mas ao mesmo tempo…
me prende.
Porque, querendo ou não… ele é o homem mais bonito que eu já vi nesse morro.
E isso só piora tudo.
Eu tento ignorar.
Sério.
Mas sempre que ele me olha… eu fico sem graça.
Sem saber onde enfiar a cara.
A Ana vive dizendo que ele tem interesse em mim.
Mas eu?
Eu morro de medo dele.
…
Hoje é aniversário da Ana.
Ela me chamou pra festa.
Mas eu ainda não sei se vou.
Porque, no fundo…
eu tô mais interessada no irmão dela.
Mesmo sabendo que ele não me nota.
E ainda vive rodeado pelas meninas do morro…
E eu aqui.
Sem saber onde me encaixo nessa história.