Mel
Quando chego ao castelo depois de voltar da cidade a primeira coisa que faço é subir para meu quarto, vou até minha cama e coloco as compras que eu fiz em cima. Tenho que arrumar tudo para o baile que vai acontecer, estou ansiosa e com um pouco de medo, não estou acostumada a conhecer outros sanguessugas além dos que trabalham e vivem aqui.
Eu já sou vista como um alimento por todos desse lugar por ser humana, os outros reinos devem tratar os humanos até pior que isso. Esses sanguessugas vêem a gente como objetos para sua diversão e gado para os alimentar.
Depois de alguns minutos arrumando as minhas coisas escuto batidas na porta, provavelmente o rei está com fome e mandou uma empregada me levar, pois ainda me perco muito nesse castelo que mais parece um labirinto de tantos corredores.
Abro a porta e uma empregada humana realmente me diz para ir ver o rei, que ele esta com bastante fome, para eu ir logo pois está de dia e ele gosta de dormir essas horas.
Eu detesto ter que seguir a rotina que colocam para mim, mas esse é o meu trabalho, sempre preciso estar disponível para o rei.
Respiro fundo pois estou um pouco cansada e o quarto do rei fica bem longe do meu, pelo menos sei que não irei engordar dessa forma. Já é um exercício diário ficar subindo e descendo escadas toda hora.
(...)
Chego em frente ao quarto do rei, bato na porta três vezes para avisar que é sua bolsa de sangue pessoal, fico um tempo parada esperando ele abrir, demora um pouco, mas dá para perceber o motivo ao ver ele.
O cabelo do rei está molhado e bagunçado, está usando somente uma bermuda então seu abdômen está a mostra mostrando o quando é definido e forte. Tenho que manter meus olhos em seu rosto, pois é muita falta de desrespeito olhar para seu abdômen, ele é um vampiro então provavelmente consegue notar mais facilmente o que tento esconder.
Vairon —eu não queria deixá-la esperando, mas tive que tomar um banho.— diz se afastando da porta para me deixar entrar, ele não tem o costume de me chamar para entrar, acho que é o costume desse lugar.
Parece que ele quer se alimentar logo para poder descansar, vampiros costumam hibernar durante o dia e como vai amanhecer está bem cansado, eles não fazem isso todos os dias, é somente uma vez por semana.
Eu ainda não consegui me acostumar com esse novo horário para dormir e acordar, me sinto extremamente cansada durante a madrugada mesmo dormindo bem ao dia.
O quarto é extremamente escuro por ele não gostar de luz, isso me deixa com um pouco de medo, mas ele já mostrou que não fará nada além de me morder então fico mais tranquila.
Vou na direção do rei que está em pé me olhando, eu que tenho que alimenta-lo, uma empregada me deu um esporro h******l quando descobriu que na primeira vez que o alimentei, Vairon que deve que vir até mim para beber meu sangue.
Como bolsa de sangue meu trabalho é facilitar a alimentação do meu mestre sem dificultar as coisas, pois vampiros sangue puros precisam beber sangue fresco sempre por serem extremamente puros de linguagem.
Estou tentando manter a calma enquanto tiro meus cabelos da frente do meu pescoço, fico bem na frente do rei esperando me morder. Não consigo ficar tranquila com isso, parece que estou me entregando de mão beijada para ele se devorar.
Quando sinto suas presas entrarem em minha pele, novamente sinto aquele sentimento estranho, meu corpo parece estar se aquecendo mesmo que agora esteja frio, parece que meu corpo inteiro estremeceu.
O rei fica a beber meu sangue de forma lenta me fazendo tremer um pouco, acabo deixando um gemido sair dos meus lábios o que me faz ficar extremamente envergonhada, pois sei que ele ouviu.
Quando ele para de me morder ainda está olhando fixamente para mim, engulo seco por não saber como reagir, estou com vergonha de falar.
—eu tenho que ir mi lorde, imagino que queira descansar— falo me apressando para sair do quarto.
Saio do cômodo e corro para o meu quarto com meu coração ainda acelerado, eu queria entender o que sinto quando ele me morde, por que me causa tanto prazer.
Só balanço minha cabeça tentando me concentrar em coisas mais importantes, pois esse sentimento estranho me distrai dos meus trabalhos.
Vou até a minha caixa de primeiros socorros e pego a pomada que Oliver me deu para as mordidas, não quero ficar com as marcas então irei usar. Tremo inteira quando passo o líquido gelado em minha pele quente.
Preciso me acalmar, estou tão inquieta por causa da sensação da mordida do Vairon, meu corpo permanece quente e estranho.
Aqui tem uma biblioteca, acho que amanhã irei tentar pesquisar mais sobre meu próprio corpo, pois não aguento mais não entender o que sinto as vezes.
Vou até o banheiro, me olho no espelho e vejo o quanto meu rosto está corado, começo a tirar minha roupa para tomar um banho, noto um líquido gosmento e viscoso na minha calcinha, é estranho, isso sempre acontece quando o rei me morde, parece que meu corpo responde a isso de forma estranha.
Entro na banheira de água morna e tento relaxar um pouco, pois minha mente não consegue parar de pensar no rei, na forma que ele me trata e morde.
Quando eu vim para cá pensei que tudo seria h******l, a estadia, a comida, a mordida e o trabalho, mas tudo é tão tranquilo, desde que eu faça meus trabalhos fico bem. Estou gostando mais do meu mestre do que achei que gostaria, me respeitou desde o primeiro momento que me viu, e ele até é um pouco cuidadoso comigo, sua mordida não dói quase nada e me causa uma sensação extremamente boa de se sentir.
Eu achei que nunca iria admitir que estou gostando de viver entre sanguessugas, mas essa é a verdade, estou mais que só sobrevivendo, gosto daqui, gosto do rei.