Capítulo 21 Ezequiel Costa Júnior O sorriso dela ainda estava impresso na minha memória quando saí do restaurante. Leve, doce, e também assustado, mas cheio de esperança. Era como ver uma flor brotar no concreto depois de anos de abandono. Mariana me deu uma chance — pequena, tímida, frágil — mas era uma chance. Ajudei minha bonequinha a se levantar com todo o cuidado do mundo, como se fosse feita de vidro fino. Caminhamos até o carro, e ela segurava a sacolinha como quem segura o passado e o futuro ao mesmo tempo. A cada vez que olhava para ela sentia uma vontade louca de agarrar, beijar e fazê-la minha, mas eu controlei cada maldito impulso, não entendo como. Quando paramos na porta de casa, eu apenas beijei sua mão. Nada mais. Nada que a pressionasse. Nada que a fizesse recuar,

