Capítulo 65 Mariana Bazzi A água escorria pelos meus ombros, quente, contínua, tentando apagar a raiva e o medo que fervilhavam sob a pele, mas não conseguia. O som abafado de Ezequiel batendo na porta, chamando meu nome, me arrancava da tentativa de calma. Cada batida era como um lembrete incômodo de que ele estava ali e eu estava me escondendo, porque tinha medo. Medo de me machucar, de estar me enganando. Medo de que tudo isso não passasse de mais um papel no teatro da máfia — e que, no final, eu fosse só mais uma mulher na lista dele. Ele disse que não lembrava o que aconteceu com Sara. Mas e se lembrar? E se acordar um dia e tudo voltar? Ele mesmo falou que não era mais aquele homem…, mas se voltar a ser? Aquele homem antigo tinha várias mulheres. Quantas? Quantas antes de mim? E

