pov. Victor
Os Telectos estavam avançando todos os dias, nossa fonte de energia vinha da radiação emitida do fundo da cidade. Oncep nunca aceitou ter perdido Rebelion, a cidade foi construida sobre uma antiga usina nuclear intocada. A radiação movimentava lâminas grossas em torno de vacuos gerando uma energia extra, também usavamos a energia do sol mas tinhamos poucas placas de absorção.
- Victor? - Ginna estava bem posicionada sobre o muro, ela era uma número Quatro, fazia parte do GEC. Atentei para a nossa frente onde uma tropa se aproximava rapidamente. - Está pronto?
- Sempre pronto. - eramos conhecidos por não termos limites, saltamos do muro caindo sobre a terra batida fora da cidade. Os Transportadores não eram um grupo muito grande, ao todo podiamos contar com dez Elementares se revezando para fazer o trabalho dos soldados também.
O fogo já me rodeava, não podia negar a minha paixão por meu elemento. Ginna ao meu lado em sua pose combatente sorria como uma sádica, não tinha dúvidas que todos os integrantes do GEC são. Ruby não demorou a saltar ao lado dela e ficar em sua posição enquanto movimentava a água ao seu redor.
- Não achou que ficariam com toda a glória, achou? - sorri concordando. Os soldados estavam perto o suficiente.
Tiros e elementos, os Telectos eram bons em lutas corporais embora não fossem fortes, sua linha de frente eram os Silenciadores. Não foi fácil passar por eles sem usar nossos elementos mas o desafio bem aceito, os soldados sem número davam conta da maioria dos invasores. Estava me divertindo quando escutei o grito de Ginna, meu corpo ficou tenso enquanto eu a procurava com o olhar, a faca em seu pescoço me desarmou por completo, ver seu corpo despemcar no chão me tirou toda atenção que eu ainda tinha e foi esse o meu erro. Um dos Telectos conseguiu me apunhalar com algo, tensionei meus músculos ao redor do objeto e usei o que sobrou dele para matar o i****a.
- Victor! Sai daqui! - era a voz de Ruby, ele me apoiava em um de seus braços e usava a água como escudo.
- A Ginna... eu não vou deixar você lutar sozinho! - gritei para ele, antes que notasse já estava encostado na parede eepois de um tapa no rosto.
- Eu não estou pedindo, você não vai lutar machucado! Não conseguiu nem desviar de um tapa, como vai se defender?! - eu estava irritado, mas no momento ele estava certo. Respirei fundo soltando um grito de dor e frustração. - Vai pra casa... Como você chama aquela garota mesmo? ... ah sim, volte para sua tampinha e viva para lutar outro dia seu i****a egocêntrico!
- Eu odeio você, Ruby. - murmurei respirando com dificuldade. Eu queria ficar e ajudar, lutar era meu dever agora. - Posso ajudar de outra forma eu... - outro tapa.
- Vai para casa! Já ajudou o bastante! - murmurei alguns palavrões e me arrastei para casa, a dor inundando minha parte consciente.
Estava totalmente no automático quando senti a Eris sobre mim, seu corpo pressionando o meu ferimento me fazendo urrar e recobrar os sentidos, ou parte deles. Minhas mãos agarraram os lados da cama quando ela finalmente conseguiu arrancar aquilo de dentro de mim, vi as chamas tomando tudo e ela desaparecer, eu entrei em desespero, se eu tivesse machucado ela nunca me perdoaria.
Doeu em mim ver as marcas de queimadura em seu corpo, ver que o fogo que eu tanto amo machucou sua pele tão macia. Me senti culpado por isso, tentado a pedir desculpas e implorar seu perdão mas ela não se importava, as lembranças não a machucavam mais. Abracei seu pequeno corpo ao lado do meu e respirei fundo tendo a certeza que tudo ficaria bem.
[···]
- Fique aqui, não saia Eris. - estavamos na sala de Tavarres e a cirene de invasão machucava os ouvidos de todos.
- O que aconteceu? - ela perguntou.
- Fomos invadidos. - eu deveria ter trancado ela na sala, em uma das gavetas de preferência.
Sai apressado esbarrando em alguns alunos apressados que corriam para se abrigar em qualquer lugar seguro que encontrassem. Não muito distante vi um Telecto encurralado, ele provavelmente era um sobrevivente da noite anterior, respirei fundo tendo a certeza que Eris estaria segura e tomei a frente na tentativa de o intimidar. A minha frente estava o Telecto, atrás dele estava Ruan e aos lados os soldados ele não tinha escapatória. Me enganei em tudo.
Eris apareceu rompendo a multidão de homens com seu corpo frágil e ficou a frente do Telecto, eu tentei me aproximar dela mas um escudo foi criado em volta dos dois, o desespero tomou conta de cada célula do meu corpo. Eu tentei de todas as formas quebrar aquele escudo mas era impossível, ela não me ouvia.
- Eris! Eris volta! - devia mesmo ter trancado ela dentro de uma gaveta, se ele encostar nela eu juro que o mato sem exitar.
A luta entre eles começou, meu íntimo estava inquieto meu elemento a ponta dos meus dedos implorando por libertação. Eu precisava protege-la mas eu não consegui, quando ele começou a machuca-la as lágrimas tomavam meu rosto de um jeito descontrolado. Foi quando ela começou a brilhar em azul como um Elemental que eu senti medo, não de que ele a machucasse mas medo de perde-la para quele poder, seu olhar estava beirando a loucura. Quando tudo acabou tentei me aproximar dela mas o Ruan foi mais rápido segurando ela de encontro ao seu corpo e a encarando.
- Eu assumo daqui, Ruan. - de uma forma educada pedi para que ele me entregasse a tampinha, seu olhar para mim foi o mesmo que vejo durante anos, ódio. Ele não me deu atenção e andou com ela até a enfermaria da academia.
Gabriel me contou que tentou segura-la aqui mas a teimosia é maior que ela, vendo-a deitada e inconsciente meu coração pesou eu não consegui proteger ela nem por um segundo.
- Os olhos dela, são como os da Thalia. - Gabriel sussurrou, eu e o Ruan que contra a minha vontade permanecia na sala o encaramos.
- Ela foi vítima de um dementador... Talvez por causa de suas habilidades tenha sobrevivido. - murmurei entre os dentes sem querer imaginar a dor de ter alguém em sua cabeça.
- Ela parece uma sem número, nunca imaginária que ela pudesse fazer aquilo. - foi a vez de Ruan tirar suas dúvidas.
- Ela parece uma sem número porque é uma Telecta, e ainda por cima é uma Zero. Por isso foi expulsa de lá, posso assim dizer. - tentei explicar sem entrar muito em detalhes, isso caberia apenas a ela falar e não a mim.
- A Eris é muito corajosa. - eu realmente não gostei da forma como Gabriel falava ou a olhava, sua presença e a do Ruan aqui era perturbadora, imaginar Eris caindo nos encantos desses dois idiotas fazia minhas veias pulsarem de encontro a pele do pescoço.
- Posso saber o motivo de ainda estarem aqui? Eu cuido dela, voltem para as suas aulas. - murmurei sem humor, estava visivelmente irritado.
- Eu só saio quando ela acordar, essa teimosa merece uma bronca. - Gabriel sentou no canto da sala cruzando os braços.
- Idem. - Ruan se encostou a porta me encarando em desafio, não já basta ter tudo que quer ele ainda tenta a única coisa boa que me acontece? Bufei me jogando na cadeira ao lado da maca, encarando a mão delicada dela coberta pelas luvas pretas sem dedos, suas veias ainda pulsavam em um fraco azul arrancando um sorriso de mim.