1 Cap Ana Flávia

651 Words
Ana Flávia Minha mãe costumava dizer que “O destino é um grande filho da p**a” e hoje olhando pra estrada que estou dirigindo a algumas horas, vejo que ela estava certa quando dizia isso. Morávamos no morro, só eu e ela, não tinha muitos amigos, a única que eu tive foi embora pro Rio de Janeiro depois de uma separação nada amigável. Eu to grávida de 3 meses, e estou indo pro Rio tbm, o único lugar que tenho pra ir na vdd, depois de toda a merda. Eu- Bom dia, completa pra mim- falo pro frentista quando paro no posto de gasolina de beira de estrada. Xx- Claro- é assim o cara faz, mas sinto seu olhar sobre mim. Vou na conveniência e compro algumas coisas, volto pago e saio do posto pegando a estrada novamente. Sai durante a madrugada do morro, onde eu morava, já tinha arrumado a maioria das coisas nas malas, então o restante coloquei no porta mala e banco de trás do carro e então sai do morro. Quando eu tava com 19 anos, minha mãe faleceu, ela tava doente e não contou até estar em estágio terminal, acabei me envolvendo com o dono do morro que é casado. Tava em uma fase que não tava ligando pra nada, então continuei morando lá no morro por ele, ganhei um carro dele, carro esse que estou agora, um Fiat argo, tá até em meu nome. Ficamos juntos por dois anos, ele nunca me assumia, mas tbm deixava claro que eu não podia me envolver com mais ninguém. Eu otaria, apaixonada, fiquei apenas com ele, que sempre falava que ia se separar da mulher, eu trabalhava msm ele dizendo que não precisava. Ele me dava dinheiro, e eu nunca fui otaria de sair gastando atoa, pelo menos não fui otaria nessa parte. Então um dia eu comecei a passar mau, fiz um teste e deu no que deu, apanhei por estar grávida e to aqui na estrada deixando tudo pra trás. Deixei meu trabalho sem aviso prévio, com medo dele vir e me bater de novo até eu perder o bebê, deixei a casa que era da minha mãe. Pensei cmg msm, a casa é nossa, mas eu prefiro deixar ela pra trás e recomeçar do zero em outro estado e dentro de um morro pra estar mas segura de que ela não vai me encontrar, doque ficar na minha casa e correr o risco de perder o bebê e ele fazer da minha vida um inferno que eu sei que ele faria. Ele nunca tinha me batido antes, não fora da cama que eu adoro ganhar uns tapas. Ele já tinha dois filhos e falou que não queria outros, por isso me bateu, me chutou e eu fiquei bem machucada, então esperei uns dias até estar melhor pra poder pegar a estrada. Quando eu falei com a Mari, na hora ela falou pra eu sair de lá e ir morar com ela. Ela falou que não morava em uma casa grande, mas que nada ia nos faltar, e então arrumei minhas coisas e deixei a maioria pra trás. Mas trouxe o liquidificador, arflay, microondas, sanduicheira, uns jogos de panelas, trouxe algumas coisas que dava de trazer, e a Mari falou que não tinha nada disso na casa dela então vai ser bom pra gente. - Oi amiga - Já está chegando ou ainda falta muito? - Chego em uma hora, tudo certo pra eu poder entrar aí? - Sim, o dono do morro só vai vir falar contigo. - Tudo bem, quando estiver chegando eu te mando msg. - Ta bom te amo. - te amo. Da de ver pela voz dela, que ela tá ansiosa pela minha chegada. Nós morávamos no morro desde sempre, então nossa amizade é desde a infância, somos irmãs, temos a mania de dar selinho uma na outra, coisa nossa.
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