CAPÍTULO 5 — PERDIDO

1513 Words
Guto Narrando Fiquei o dia inteiro uma pilha de nervos, pensando naquela diaba que está invadindo minha mente. Eu preciso me afastar dela, mas não consigo. Mandei o vapor da entrada me chamar no rádio assim que ela atravessasse a entrada, mas isso não aconteceu. Anoiteceu e nada dela chegar. Resolvi ir eu mesmo esperar por ela. Minha mente está uma confusão e eu não sei o que estou fazendo, estou perdido. Não posso estar sentindo isso de novo. Eu não vou trazer outra pessoa pra minha vida e correr o risco de acontecer de novo. Vi ela descendo do carro do mauricinho. Depois de um tempo que ficou parada, ela trocou de roupa. Está com um vestido colado, cabelos molhados, e isso me incomoda mais do que eu quero admitir. — Chegando agora — falei quando ela se aproximou de mim. Ela se assustou. — Deu pra ficar me assustando agora — falou, se encostando do meu lado. — Como foi seu domingo? — perguntei, tentando organizar meus pensamentos. — Foi bom, e o seu? — devolveu a pergunta. — Estressante — respondi. — Problemas? — perguntou. "No momento, só você." — Sempre tem — respondi. — Você trabalha demais, tem que viver um pouco — falou, me olhando, e eu assenti. — Quem é o cara? — perguntei. Não consegui me controlar. — Um amigo — respondeu. "Só se for amizade colorida." — É beijando que trata seus amigos? — perguntei, mostrando meu incômodo. — Por que isso te incomoda? — perguntou. — Por que me incomodaria? — perguntei, dando de ombros. — Porque me incomodaria se fosse você — falou, me fazendo olhar pra ela. — Não faz isso — falei sério. Eu não preciso ouvir isso da boca dela, vou ficar mais perdido. — Faz o quê? Falar a verdade? — perguntou, ainda me olhando. — Não sou homem pra você — falei e encostei minha cabeça na parede e fechei os olhos, buscando todo o autocontrole que me resta. — Quem deveria decidir isso sou eu — falou. — As coisas não funcionam assim. Não sou um cara de sentimento, não quero machucar você — falei, ainda na mesma posição. Não posso olhar pra ela agora. — Não estou te pedindo amor — falou com a voz mais séria. "p***a, não faz isso, se controla, Guto." — Mas vai pedir — falei mais grosso do que pretendia. — Tá bom, entendi que não tem chances entre a gente, então faz um favor pra mim — falou com tristeza na voz e se desencostou da parede. Eu olhei pra ela. — Me deixa viver a minha vida — falou, olhando nos meus olhos, e virou as costas. "Ela nem me deixou responder." Andei rápido e alcancei ela. Segurei no braço dela, com cuidado pra não machucar. — Tá querendo dizer o que com isso? — falei entre os dentes, olhando nos olhos dela. — Me solta, tá me machucando — falou, me olhando. — Responde — falei sem paciência, soltando ela. — Não tenho nada pra responder — falou sério. — Beatriz — falei, alertando ela. — Beatriz o quê, Guto? Acabei de me declarar pra você feito uma i****a e você foi supergrosso. O mínimo que você pode fazer é sumir da minha frente e parar de querer controlar meus passos. Fala pro Chanal colocar outro cachorrinho atrás de mim, não você — falou nervosa, olhando nos meus olhos, me deixando sem palavras. "Peraí, ela me chamou de cachorro?" — Satisfeito? Agora pode me deixar passar — falou, me olhando. "Eu fiquei procurando as palavras certas pra falar, mas não tinha. Eu nunca dei esperança pra ela e, ainda assim, eu machuquei ela. Queria poder retribuir os sentimentos dela, mas não tenho esse direito." — Guto! — ela me chamou, me tirando dos meus pensamentos. Eu assenti e saí da frente dela, que passou por mim feito um foguete. — Merda — falei alto e voltei pra boca. Peguei minha moto e fui pra casa. O que me resta é dormir pra esquecer. Tudo que a Beatriz falou mexeu com algo novo dentro de mim. Não lembro de ter sentido isso nem com a Amanda. Deve ser porque a Bia desafia os meus limites. A Amanda já era o oposto, sempre concordava com tudo e me apoiava. A única vez que brigamos foi quando ela falou que ia sair do morro. A Bia não. Ela me tira do eixo, mas eu sou um cara quebrado demais pra ela. Vi ela a semana toda. Quando não era na casa do Chanal, era pelas vielas do morro. Ela nem olhava pra mim. Chega até a ser estranho, já que ela sempre arrumava um jeito de puxar assunto, mas é melhor assim. Pra ajudar, o Chanal vai fazer um churrasco na piscina pra comemorar o aniversário da Mia, e tudo que eu menos precisava era isso. Pensei em inventar uma desculpa e passar o dia fora do morro, mas o Chanal arrancaria minha cabeça. Eu enrolei ao máximo, mas ele me ligou reclamando e pediu pra eu levar cerveja. "E lá vamos nós." Assim que eu entrei, dei de cara com a Bia, saindo da cozinha com uma bandeja na mão, de biquíni rosa e uma saia branca transparente. "Ela devia ser proibida de andar assim." Ela fingiu que não me viu e foi em direção à piscina. Eu nem me atrevi a ir atrás. É castigo demais andar atrás dela vestida assim. Dei um tempinho pra ter certeza de que ela chegou lá e fui. Chanal estava na churrasqueira. Cumprimentei algumas pessoas e fui até ele. — Achei que não vinha mais — falou. — Tinha que resolver algumas coisas — falei, entregando a cerveja pra ele. — E já vou logo avisando que você vai ficar até o final. Já avisei o John pra ficar na contenção — falou sério. — Não vou nem te falar nada — falei. — Nem precisa. Toma — falou, me entregando uma latinha de cerveja. Tirei a camiseta e fui cuidar da churrasqueira. Chanal é um desastre nisso. Foi a tarde toda entre conversas e risadas, comendo e bebendo. Eu evitei ao máximo olhar pra Bia, mas não tinha como. Ela vinha toda hora aqui, estava servindo de garçonete, mas não falou comigo nenhuma vez, só com o Chanal. Paramos de assar carne e cortamos o bolo. Sentei-me à mesa com o Chanal. — Bebi demais — falei quando me sentei. — Bora dar um mergulho — ele me chamou. — Vou no banheiro primeiro — falei, e ele assentiu. Fui em direção ao banheiro. Quando estava chegando pra abrir a porta, a Bia saiu com tudo do banheiro e bateu contra meu peito. — Aí, desculpa... Guto — falou, olhando pra mim. Eu nem percebi que tinha colocado a mão na cintura dela pra impedir que ela caísse. Estamos tão perto. "Isso só pode ser castigo." Meu autocontrole foi pro saco nesse momento. Empurrei ela de volta pro banheiro e fechei a porta. — O que está fazendo? — ela perguntou, confusa. Encostei ela na porta. — Vai ficar sem falar comigo agora? — falei, olhando nos olhos dela. Tive que me abaixar um pouco pela nossa diferença de tamanho. — Guto, me solta, deixa eu sair — falou, me empurrando, pelo menos tentando. Tirei a mão da cintura dela e coloquei na porta, próximo à cabeça dela. — O que eu estou fazendo? — falei mais pra mim do que pra ela. — Eu não sei. Você deve ter bebido demais — falou assustada. — Você que está mexendo com a minha cabeça — falei, cheirando seu pescoço. — Guto, está me assustando — falou com a respiração descompensada. O peito dela está subindo e descendo rápido demais com essa nossa aproximação. — Desculpa por te magoar. Eu sou um cara todo quebrado — falei, encostando minha testa na dela, e fechei os olhos. Ela colocou a mão no meu rosto, me fazendo abrir os olhos pra olhar pra ela. Começou a aproximar devagar seus lábios dos meus, mas eu me afastei. — Não faz isso — falei. — Você me quer, não quer? — falou, olhando nos meus olhos. Eu respirei fundo. — Eu te quero, mas tenho medo de que, se eu te tocar, nunca mais consiga soltar — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. "Estou à beira do descontrole." — Então não solta — falou, se aproximando mais de mim. — Mais um passo e eu perco o controle — falei, olhando pra ela, que abriu um sorriso. — Eu não sou um cara bom pra você. — Nunca te pedi que fosse — falou, se aproximando ainda mais. "Eu vou me arrepender disso." — Que se f**a — falei e beijei ela com fome. Minha língua começou a pedir passagem, que ela cedeu, intensificando mais o beijo, em uma dança gostosa. Encostei ela na porta do banheiro e aproximei mais nossos corpos pra ela sentir como ela me deixa, duro e louco por ela.
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