Guto Narrando
Que p***a de conversa maluca é essa? Será que isso daria certo? Eu poderia entender melhor esse sentimento, se é só coisa casual ou algo mais. O problema maior é colocar ela na minha vida pra correr riscos, mas, se eu manter tudo em segredo, ninguém vai saber. Sobre o sentimento dela, se eu fizer ela sofrer, provavelmente perderia minha cabeça. Mas foi ela que fez a proposta e falou pra mim não me importar com os sentimentos dela. Será que funciona?
Quando saí do banheiro, ela não estava mais. A minha cabeça ficou a milhão com esse papo. Chanal já estava na piscina, mergulhei com ele.
— Que demora — falou.
— Tinha gente — respondi.
Ficamos um tempo na água, nos divertindo. Minha tia fala que parecemos duas crianças dentro da piscina. Sentei-me na borda pra tomar uma cerveja com ele.
— Cadê a Bia? — a mãe dela perguntou pra Mia, e eu já fiquei atento.
— Foi embora — respondeu.
— Nem me esperou — falou.
— Ela vai sair, saiu de fininho — ela respondeu.
"Sai pra onde? Espero que alguém pergunte."
— Pra onde? — a mãe perguntou.
— Balada com os amigos — Mia respondeu.
"Balada? Amigos?"
— Aquela menina precisa sossegar, não para mais em casa — a véia respondeu.
"Também acho."
— Ela é nova, mãe, deixa ela curtir — falou Mia.
— Eu deixo, mas tá exagerando — respondeu.
— Tá nada, ela é solteira, tá só curtindo — Mia respondeu.
— Não sei não. Sobre ser solteira, tô começando a achar que ela está de graça com o irmão da Kelly. Vive grudada com ele — a véia falou, me deixando nervoso.
— O Brayan? Tomara mesmo, ele é legal — Mia falou, me deixando mais nervoso.
"Acabei de tomar minha decisão."
— Chanal, vou embora. Tá tarde já — falei, me levantando. Fiquei irritado com todo esse papo.
— Beleza — respondeu.
Me despedi de todo mundo e saí.
Tô vendo que vai ser mais uma noite sem dormir, com todo esse papo e a proposta dela. Mas essa eu vou aceitar e vou afastar ela desse mauricinho.
Cheguei em casa, tomei um banho e me deitei. Dormir não foi uma opção. Fiquei a noite toda pensando naquela diaba e na p***a do beijo gostoso que ela tem.
Quando amanheceu, tomei banho e desci pra boca. Vou trabalhar, focar em outra coisa pra ver se a minha mente para de voltar pra aquele beijo.
Assim que cheguei na boca, John veio falar comigo.
— Curtiu ontem? — perguntou.
— Um pouco. Como tá as coisas? — perguntei.
— O Binho da entrada tá vacilando, usando muito e vacilando no trabalho — falou sério.
— De novo? Chega de moleza. Vou falar com ele — falei, subi na moto e fui pra entrada.
Ele estava lá, sentado na barreira, com uma cara de acabado.
— Binho, precisamos trocar uma ideia — falei, descendo da moto. Ele levantou na hora e me olhou assustado.
— Qual foi, chefe? — falou.
— Tá se drogando de novo e tá deixando isso afetar o seu trampo — falei, me aproximando dele.
— Foi m*l, chefe — falou, abaixando a cabeça.
— m*l um c*****o. Vaza, vai pra casa. Amanhã quero você cedo na boca pra conversa. Se eu ver um vestígio de que você tenha usado, não vamos só conversar — falei, e ele olhou pra mim com os olhos arregalados.
— Chefe... — ele tentou falar.
— Vaza, p***a — falei sério, e ele saiu.
"Vitinho, chega na entrada, vai ficar na contenção." Chamei no rádio.
"Tô chegando, chefe."
Fiquei na contenção da entrada até ele chegar. Quando vou subir na moto, escuto uma risada que chama minha atenção. Quando olhei pro asfalto, a Bia estava descendo do carro com a ajuda do mauricinho. Short curto, blusa mostrando a barriga, cabelo bagunçado, sandália na mão e, pelo jeito que ele está ajudando ela a descer do carro e pelo jeito que ela está rindo, está completamente bêbada.
"Ela só pode estar de brincadeira."
Encostei na moto e fiquei olhando a palhaçada, porque tenho certeza de que, se eu for até ela, vai dar confusão. Ele trouxe ela até a barreira, onde ela se despediu dele com um abraço e pulinhos de tchau, enquanto ele descia de volta e entrou no carro. Ela nem notou minha presença aqui.
— Acabou? — perguntei, ainda encostado na minha moto.
Ela olhou pra mim com um sorriso no rosto.
— Eu não queria, não. Por mim, tinha ficado mais — falou, tudo enrolado, e começou a subir o morro, toda atrapalhada.
Neguei com a cabeça, subi na moto e acelerei até ela, parando na sua frente.
— Vamos, eu te levo — falei.
— Não posso chegar em casa assim, vou sentar ali na praça até passar — falou, rindo.
— Tá maluca — falei, confuso.
— Maluca eu seria se deixasse minha mãe me ver assim. Ela me mandaria com passagem só de ida pro interior — falou, rindo mais ainda.
— Sobe aí, vai — falei, esticando a mão pra ajudar ela a subir.
Ela subiu e se agarrou nas minhas costas.
Resolvi levar ela pra minha casa. Não ia deixar ela assim em uma praça.
Nunca levei mulher na minha casa depois da Amanda. Sempre achei que me sentiria estranho, mas, por incrível que pareça, eu não me senti. Não com ela.
Coloquei a moto na garagem e ajudei ela a descer.
— Onde estamos? — perguntou, olhando em volta.
— Na minha casa.
Ela olhou pra mim confusa.
— Vamos entrar.
Eu moro na mesma casa que era do meu pai. Não quis me mudar, só que a casa é grande demais. Eu só fico aqui pra dormir, mas é o meu refúgio.
Entramos. Eu ajudei ela a se sentar no sofá e fui à cozinha fazer um café forte pra ajudar.
Quando voltei, ela estava deitada, toda encolhida no sofá. Parecia um anjo dormindo, mas é uma diaba acordada.