CAPÍTULO 2 — CONHECENDO A BIA

1519 Words
Bia narrando  Sou Beatriz Lopes, tenho 18 anos, sou do interior, mas agora moro no Rio de Janeiro, mais especificamente no Morro do Alemão. Moro com minha mãe e minha tia. Viemos para cá depois da morte do meu pai, o que nos deixou bem abaladas. Minha irmã mais velha já morava aqui, então resolvemos nos mudar também, eu e minha mãe. Era difícil viver lá sem o papai. Eu quero estudar enfermagem. Ajudar as pessoas sempre foi algo de que gostei. Ia começar meu curso assim que terminasse a escola. Terminei aqui no Rio mesmo, mas aconteceram tantas coisas. Minha irmã ficou um tempo em coma depois do parto, isso deixou a gente muito abalada. Eu fiquei com tanto medo de perder a Mia também. Já não basta o papai. Mia não é só uma irmã para mim, ela é minha melhor amiga. Eu amo ela demais, não aguentaria perdê-la. Ela era minha companheira para tudo, mas, com namoro, casamento e filho, ela vive na casa dela, por isso não saio de lá. Mas agora eu tenho a Kelly e o Brayan. Eles são irmãos gêmeos, conheci eles na escola e nos tornamos muito amigos. Eu amo a companhia deles, então, quando eu quero sair para me divertir, vou com eles. Eu sou completamente apaixonada pelo Guto. Ele é primo do meu cunhado e sub aqui do morro. Me apaixonei por ele assim que o vi pela primeira vez. Início do flashback. Comecei a subir o morro e travei. Senti um frio na barriga e meu coração disparou. Ele estava parado com outros caras, alto, camiseta branca, braço tatuado, uma arma enorme pendurada nas costas, cabelo bem cortado, mas bagunçado, barba por fazer, muito lindo. Começou a andar na nossa direção. — Bia, tá tudo bem? — minha irmã perguntou. — Mia, o que é aquilo ali? — perguntei sem tirar os olhos dele. — É o Guto. Está tudo bem, o Rick avisou ele. Isso é padrão aqui — ela falou, e eu nem entendi direito de tão nervosa. — Não está nada bem — falei, colocando as mãos no peito para meu coração não pular para fora de tanto que batia. — Você acredita em amor à primeira vista? — falei, e ela me olhou como se eu tivesse três cabeças. Ele tá chegando, meu Deus, vou desmaiar. — Loirinha, pode subir. Ricardo avisou dessa vez — ele falou com a minha irmã. Que voz, meu Deus. — Oi, Guto. Tá bom, obrigado. Essa é a Bia, minha irmã — ela me apresentou, e eu não conseguia parar de olhar para ele feito uma boba. — Prazer, Bia. Sou o Guto. Seja bem-vinda ao Morro do Alemão — ele falou para mim. — O prazer é meu, Guto. E você é muito bonito — falei. Eu precisava falar, mas, pela pose de dono do mundo que ele tem, tenho certeza de que ele sabe. Ele abriu um sorriso enorme para mim, e minha irmã pediu desculpa e saiu me arrastando. Fim do flashback. Mas ele não dá a mínima para mim. Acabamos nos aproximando com tudo o que aconteceu com a minha irmã, mas ele sempre se afasta. Depois que minha irmã acordou do coma, aí que ele se afastou mesmo. m*l nos falamos, no máximo meia dúzia de palavras quando nos encontramos na casa da minha irmã. Mas hoje eu tive uma pontinha de esperança. Pelo jeito que ele pareceu, não gostou da minha ida ao baile. Acho que ele está se interessando por mim, nem que seja lá no fundo, e eu vou apostar minhas fichas nisso e tirar a prova hoje no baile. Chamei a Kelly e o Brayan para vir comigo. Dia de baile é o único dia que eles abrem o morro para pessoas de fora subirem. Estava no meu quarto me arrumando. Coloquei um vestido preto de alcinha. Ele não é muito curto, vai até o meio das coxas. Ele é simples, mas ficou perfeito em mim. Coloquei um tênis no pé, passei uma maquiagem simples e deixei os cabelos soltos. — Bia, a Kelly chegou — escutei minha mãe me gritar. Peguei minha bolsa, o celular e desci. — Mãe, não precisa me esperar. Vou chegar tarde — falei, saindo. — Toma cuidado — gritou lá de dentro. Encontrei a Kelly e o Brayan no portão. — Tá linda — Kelly falou, me cumprimentando. — Você também — respondi. — Vamos logo — Brayan falou. Ele é tão chato às vezes. Subimos em direção à quadra onde acontecem os bailes aqui. Estava lotado já. — Vem, vamos pegar uma bebida — Kelly falou, me arrastando para o bar. Eu não sou muito de beber, mas hoje vou abrir uma exceção. Brayan pegou uma cerveja e nós duas caipirinhas, a minha de morango e a dela de kiwi. Gosto de bebidas mais doces. — Vamos dançar — a Kelly falou no meu ouvido, e eu confirmei com a cabeça. Fomos para o meio do povo para dançar. Se tem uma coisa que eu sabia era dançar. Eu amo dançar. Dançamos muito, só paramos para pegar mais bebida. Amanhã vou sentir muita dor nas pernas, mas nem me importo. Tive a sensação de estar sendo observada. Olhei para cima e lá estava ele, com os olhos cravados em mim, encostado na grade do camarote, com uma mulher agarrada nele. Acabei me sentindo m*l. É a primeira vez que eu vejo ele com uma mulher. — Kelly, vou no banheiro — falei no ouvido dela, que estava conversando com um cara. Saí e fui em direção ao banheiro. Graças a Deus, não tinha fila. Entrei, joguei uma água no rosto e no pescoço. Estava suada. Me incomoda bastante ver ele com aquela mulher. Merda, quer saber? Vou voltar para a pista. Ele não está nem aí mesmo, vou curtir. Já perdi minhas fichas. Saí do banheiro e trombei de cara no peito de um homem. Eu quase caí no chão, mas ele segurou meus braços. — Aí, desculpa... — falei, olhando para cima. Era o Guto. — Oi, Guto. Desculpa, não te vi — falei, sorrindo para ele. O que ele está fazendo aqui? Será que veio atrás de mim? Lógico que não, Beatriz, não se iluda. — Já está na hora de você ir para casa — falou sério. Ou veio, vamos ver. — Não está, não. Eu acabei de chegar — falei, passando por ele. — Vamos subir para o camarote então? — falou, segurando meu braço. — Lógico que não, a diversão está aqui embaixo — falei, soltando meu braço, e me enfiei no meio da multidão. Voltei, mas a Kelly tinha sumido, provavelmente com aquele carinha que estava conversando. Não gosto de dançar sozinha. Olhei para o Brayan, estava lá encostado com uma cerveja na mão. Fui até ele. — Vamos dançar? — falei no ouvido dele, que fez uma cara de desânimo. — Por favor — falei, pegando no braço dele, e ele assentiu. Nos enfiamos no meio da multidão e começamos a dançar. Olhei para o camarote. Guto estava lá, me fuzilando com o olhar. Senti as mãos do Brayan na minha cintura. Ele me puxou do nada e colocou nossos lábios juntos. Na hora, eu me assustei, não estava esperando, mas depois correspondi. Coloquei minha mão em volta do pescoço dele e aproveitei o beijo, mas alguém puxou meu braço com tudo, nos afastando. Olhei assustada. Era o Guto. — Tá louco? — o Brayan gritou. — Fica na tua — Guto falou nervoso com ele. Brayan veio com tudo para cima dele, e eu entrei na frente. — Brayan, calma. Ele é um amigo meu — falei, colocando a mão no peito dele e ficando de costas para o Guto. Ele assentiu e se afastou um pouco. Me virei e olhei para o Guto, que estava fuzilando o Brayan com o olhar. — Guto, você ficou louco? — falei, chamando a atenção dele. — Vou te levar para casa — falou, pegando meu braço e me arrastando para fora do baile, sem nem me dar a chance de protestar. — Guto, está me machucando — falei alto depois que saímos de dentro do baile. Ele me soltou. — Sobe na moto — falou sério. — Não vou subir. O que deu em você? Por que fez isso? Quase me mata de vergonha — falei, cruzando os braços e olhando para ele. — Você bebeu demais. Chega de baile por hoje — falou, subindo na moto. — Eu não bebi demais, e você é o quê agora para ficar me controlando? — falei com uma pontinha de esperança. — Chanal mandou eu ficar de olho em você — a esperança morreu na hora que ele falou isso. — Agora sobe — falou, me entregando o capacete. Então foi isso. — Quer saber, Guto? Vai se ferrar — falei e bati a mão no capacete e fui correndo para casa. Cheguei em casa e fui para o meu quarto e me joguei na cama. Ai, que ódio dele e dessa merda de sentimento que não morre.
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