Cassandra Contemplo a minha figura no espelho, imersa em profundo silêncio. Parece que estou indo a um funeral e não ao meu próprio casamento. Os meus pais não vieram, não ligaram. Aparentemente, cumpriram a ameaça e eu não existo mais para eles. Não sei por que esperava que eles aparecessem mesmo depois de duas semanas. A essa altura, eu já deveria estar acostumada com os seus desprezos, reclamações, insultos e decepções... mas não estou. A indiferença deles dói, e as palavras daquela noite continuam a girar na minha cabeça, junto com aquelas ditas por anos. Trabalhei duro estudando, sobrevivi sozinha num país estrangeiro, e ainda assim tudo o que eles conseguem ver é uma filha fugitiva e rebelde. No dia em que fugi de São Francisco, eu sabia perfeitamente bem as possíveis consequênc

