Só Obedece Quem Quer

922 Words
Damien Ela me deixou ali, com os lábios ardendo e o orgulho em frangalhos. Luna Duarte. Dois anos depois, e ainda era o nome que me tirava o fôlego. Ela estava mais linda. Mais madura. Mais c***l. Não que eu não merecesse. Mas aquela mulher que caminhava com a cabeça erguida, os quadris balançando com domínio absoluto do próprio poder, não era a mesma jovem doce que cuidava da minha filha enquanto eu me afundava na solidão do luto. Ela se reinventou. E agora ela estava no meu mundo... de novo. No dia seguinte, meu escritório parecia menor com a presença dela. Vestia uma calça social preta que moldava suas pernas longas e uma camisa branca, justa demais para ser casual. O botão do decote aberto não era um descuido — era uma provocação calculada. Eu estava sentado à minha mesa, revisando os relatórios da nova parceria entre minha empresa e o projeto social que ela representava, quando a porta se abriu com um leve clique. E ela entrou. Sem bater. — Senhor Blackthorne. — disse, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Precisamos discutir os termos da ala educacional do centro infantil. Inclinei o queixo, observando cada gesto seu como um homem que contempla uma obra de arte... perigosa. — Feche a porta. Ela obedeceu, sem hesitar. E não tirou os olhos dos meus. — Você está me desafiando, Luna? — perguntei, com a voz baixa, rouca. Ela se aproximou da mesa devagar, apoiando as mãos na superfície de vidro. A camisa delineava seus s***s quando se inclinava. Meu corpo inteiro reagiu. — Isso seria um desafio pra você, Damien? Achei que só obedecia quem queria. Estreitei os olhos. Ela sabia exatamente onde pisava. E estava dançando no abismo. Levantei devagar, contornando a mesa até ficar à sua frente. Tão perto que podia sentir o perfume floral doce, misturado com a provocação no olhar. — Você veio aqui pra falar de contratos... ou de nós? — Isso depende. — Ela ergueu o queixo. — Ainda existe um nós? Minhas mãos foram para sua cintura, puxando-a de leve. Ela não recuou. Pelo contrário, firmou os pés no chão e me enfrentou com os olhos em chamas. — Você me deixou — disse ela, a voz mais baixa. — Me fez acreditar que eu era um erro. — Você era tudo. E por isso... eu tive medo. Ela riu. Um riso curto, descrente. — Medo é pra covardes. E eu não tenho mais espaço pra covardes na minha vida. Puxei-a contra mim. Um segundo de resistência... e ela cedeu. Nossos corpos se encaixaram como antes. Como sempre. — Então me use. Como quiser. Me castigue com o mesmo prazer que eu neguei a você. — Você quer que eu te use, Damien? — sussurrou no meu ouvido. — Como uma distração? — Não. Como um homem desesperado. Nossas bocas se encontraram com violência contida. Um beijo quente, molhado, furioso. Minhas mãos deslizaram por sua cintura até a curva das nádegas, apertando com desejo contido por anos. Ela gemeu baixo contra meus lábios, enroscando os dedos nos meus cabelos. Abaixei minhas mãos, deslizando os dedos pela lateral da calça justa. Ela se arqueou, entregando-se sem palavras. Mas então... ela recuou. Respirando com força, com os olhos brilhando como fogo recém-aceso. — Não. Não aqui. Não assim. — Por quê? — Porque agora sou eu quem decide como e quando você me toca. E hoje, você vai se lembrar disso até dormir. Ela se virou e caminhou até a porta como se não tivesse acabado de quase me desmontar com um beijo. Antes de sair, olhou por cima do ombro, a voz firme e baixa: — Hoje à noite. Suíte 340, no hotel Mont Claire. Se tiver coragem... me encontre lá. Mas vá preparado. Eu não sou mais a garota que você controlava. E saiu. Deixando minha sanidade, minha dignidade e minha vontade estilhaçadas no chão do meu próprio escritório. Luna Minha respiração ainda estava acelerada quando entrei no carro. Droga. Ele ainda me fazia derreter por dentro. Ainda tinha aquele poder. Mas agora eu sabia jogar. E, mais do que isso, eu sabia o que queria. Desta vez, se Damien quisesse entrar na minha cama... teria que aceitar minhas regras. Cheguei ao hotel Mont Claire duas horas depois. Tomei um banho demorado, com espuma de lavanda e jazz francês tocando baixinho no quarto. Vesti um robe preto de cetim, curto, com a pele ainda úmida e perfumada. Debaixo dele, lingerie vermelha — provocante e ousada. A cama era grande, com lençóis brancos e macios. Sentei de pernas cruzadas no centro, segurando uma taça de vinho. E esperei. Às 22h03, três batidas secas. Levantei, andei até a porta. Abri devagar. Lá estava ele. Damien. Sem terno. Apenas a camisa branca arregaçada nos braços, os cabelos ligeiramente bagunçados. Olhos intensos. Fome neles. — Você veio. — murmurei, encostando no batente. — Você me chamou. — E está disposto a aceitar minhas condições? — Eu aceitaria até queimar no inferno, se isso significasse tocar você de novo. O calor entre nós explodiu. Puxei-o pela camisa com força e o empurrei contra a parede. Sua boca procurou a minha com urgência, mas desviei, mordendo seu pescoço. — Sem pressa, Damien. Hoje... você me obedece. Empurrei-o na direção da cama, o robe escorregando dos meus ombros. E, pela primeira vez, fui eu quem dominou o homem que um dia me desfez. E, naquela noite, ele aprendeu que a loba que ele abandonou... voltou para caçar.
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