— Eu só dei umas mordidinhas nele, Emily! — Rebeca diz e eu arregalo os olhos para Sof.
As mordidas dela deveriam ser consideradas uma "arma branca".
Sério, uma vez ela me mordeu e eu fiquei com o braço roxo por uma semana.
Sofie ri e eu fecho os olhos, tentando esquecer a noite passada.
— Emmy, você está bem? — A voz de Becca me faz abrir os olhos, encaro-a. O que eu poderia dizer? "Não, não está tudo bem, eu estou apaixonada pelo meu chefe e ele nem faz ideia que sou a mulher mascarada que atormenta os seus pensamentos." Isso não é uma opção. Não vou preocupá-las. Elas estão muito envolvidas com os caras e merecem um tempo de folga desses tipos de dramas.
— Sim, eu só 'tô imaginando como vou aparecer na frente do Sam, sem o meu disfarce de "secretária." — Solto o ar, passando a mão no rosto. Não tinha pensado exatamente nisso, mas, agora que a ficha caiu, sinto que vou ter que respirar fundo ou correr para o brechó mais próximo para comprar alguma roupa estranha...
— Já era hora de você voltar a usar suas roupas normais. — Sofie bufa e Rebeca concorda, balançando a cabeça positivamente. Tá, eu sei que as vezes eu ficava horas reclamando que as saias iriam me engolir ou me fazer escorregar e meter a cara no chão.
— Mas..
— Sem mais, Emily. — Termina, com o seu tom de advogada fodona. Cruzo os braços, fazendo birra como uma menina de 4 anos. Tinha que tentar tudo... Rebeca solta um gritinho, olhando o relógio. Ergo a sobrancelha em sinal de dúvida.
— Marquei com o Rick para irmos á piscina, dar uma voltinha...— Começa e nós a encaramos incrédulas. Ela marcou para sair com ele?. — Sabe, eu mesma, sem máscara. Até porque só era um sustinho para eles sentirem o que o amigo sentiu com você. — Sorrio, Samuel deve estar bem, zoando com a cara dos amigos que estão parecendo que saíram de uma orgia com leões com um complexo sério de 50 tons de cinza.
— Tá, tá. Se o Eduardo vir com ele, eu também vou. — Sofie dá de ombros e é a minha vez de olhar para elas, sem acreditar. As duas se levantam, indo para os seus respectivos quartos. Reviro os olhos, encarando a mala com as minhas próprias roupas. Amarro meu cabelo em um coque vagabundo, um nó simples. Começo a me arrastar com "muita" coragem para o banheiro. Espero não dormir debaixo do chuveiro.
***
Saio do banheiro, assobiando a bendita música do Frank Sinatra. Separo, com um pesar enorme, a roupa que vou pôr. As vezes sinto uma vontade incontrolável de matar a Sofie, mas, passa logo. Sei que ele deve ter pensado muito antes de tomar essa decisão. Adoro isso nela. Minha impulsividade já me meteu em muitas confusões.
Pego meu celular para dar uma checada normal e rotineira.
A mensagem do "Poderoso Chefão" bipa e eu dou risada com o nome que eu coloquei.
"Me encontra daqui a 10 minutos no restaurante perto da piscina, preciso que me ajude com a minha agenda!" S.Ferraz.
Como em um desenho animado, sinto meus olhos pularem fora das órbitas. Será que eu fiz algo em uma encarnação passada? Neguei dinheiro a um mendigo? Olho o vestido listrado em minha cama... É a coisa mais decente que tenho! É um pouco justo, faz o estilo sexy sem ser vulgar.
Quer saber? Não vai adiantar reclamar, é melhor me vestir e ir logo para lá. O que tiver de acontecer, acontecerá. Ele não vai me reconhecer. Solto meu cabelo e pego a minha carteira. Os saltos se acomodam em meus pés e eu solto todo o ar possível. Saio do quarto, rezando umas trezentas Ave Marias.
A porta desse restaurante já devia estar querendo dar uma parte de mim de tanto que a encaro com medo. Respiro fundo, empurrando-a para frente e adentrando o lugar. O ar condicionado bate em minha pele quente, arrepiando-a. Olho em volta, procurando aqueles olhos azuis. Onde essa criatura divina se meteu?
Um relógio dourado chama minha atenção e eu sorrio. É ele, lendo o cardápio. Mordo o lábio, completamente nervosa. Começo a andar em direção a mesa... Seja o que Deus quiser e que ele seja gentil comigo... Please!
Paro em frente a mesa e coço a garganta. Ele baixa o cardápio e arregala os olhos. Me fitando de cima a baixo. Seu cenho franze e os olhos azuis estão arregalados. Tá bom, Sam. Não é para tanto.
— EMILY, É VOCÊ? — Sorrio e abaixo a cabeça. Puxo a cadeira, me sentando e ele não para de me encarar. Parece que eu coloquei uma fralda suja na cabeça e sai desfilando como se estivesse na passarela de um desfile da Victoria's Secrets — O que aconteceu com você? Emily? — Começo a rir, é acho que se eu estivesse com uma fralda na cabeça ele não ligaria tanto.