E já se foram seis meses.
Seis luas.
Foram seis exatos meses acordando duro;
Seis meses lembrando daquela máscara e lábios;
Seis meses querendo aquela b***a no meu colo, só mais uma vez.
E mesmo depois de passar todo esse tempo desde daquele fatídico "assalto" — sim, em aspas, já que depois de acordar só e checar tudo, vi que ela não tinha levado nada além da minha sanidade. Nenhum centavo ou pertence meu.
Tudo estava em seu perfeito lugar.
Ela até lavou a louça do meu café da manhã!
Não sei como entrou, não sei quem ela é... Estou perdido.
E por mais que eu tente conversar com alguém sobre isso, não dá certo. Os canalhas que se dizem meus "parceiros" só fazem dar risada à minhas custas e dizer que devo ter lido isso em algum livro de mulherzinha.
Mas... p***a, eu sei o que eu vi e nenhuma das mulheres com quem dormir tinha aquilo. A risada sensual, as curvas... Aquela sensualidade que praticamente exala, como um perfume raro. Procuro em outros corpos nus a sensação que ela me deu completamente vestida.
A batida leve e compassada na porta me acorda dos devaneios com a bela mascarada.
Meu escritório estava abarrotado de coisas para fazer, reuniões e mais reuniões, várias fotos para aprovar e só Deus sabe o quanto eu agradeço por ter a Emily como secretária. Ela tem paciência quando eu surto, me traz os relatórios, planilhas e o que for preciso. Tudo isso sempre no prazo correto ou dias antes.
Ultimamente, profissionais competentes como ela são raros. Levantei, ajeitando o terno. Minhas mãos abriram a porta de madeira dando de cara — e passando perto de levar um pequeno sustinho — com os seus óculos de armação vermelha.
Eu sei que está fazendo essa pergunta mentalmente e não, eu nunca fui para cama com ela. Antigamente, eu diria que é porque ela é acima do peso. Mas, a minha mascarada me deu uma boa lição sobre isso. Ela simplesmente não me atrai. Suas roupas largas, sem cor, seu cabelo castanho sempre em um coque e sua cara sempre limpa.
Ela sorriu e entrou, se sentando na cadeira do meu lado.
Ah, pelo menos isso é bom, o sorriso!
O sorriso dela é lindo.
Me sentei de volta em meu lugar, vendo-a fazer a mágica no meu computador e em alguns instantes, os relatórios de pagamento apareceram na tela e eu arregalei os olhos com os zeros que apareceram no total geral.
— Emmy, você não errou a conta não? — perguntei, olhando-a completamente assustado com toda aquela quantia. Estava acostumado com o lucro, mas não sabia que as fotos para aquela revista nos daria tanto dinheiro. Ela continuava sorrindo.
Balançou a cabeça, negando.
— Até poderia com as modelos que me importunaram querendo vê-lo. — fez piada, me fazendo revirar os olhos. Tinha dado ordem para ela não deixar nenhuma das modelos que eu dormia sem compromisso vir aqui chorar ou tentar repetir a dose. — Porém, não. Não esse é o lucro final do nosso último trabalho. Um milhão, setecentos e oitenta mil e trezentos reais. — Ela falou pausadamente e prendeu o riso da minha cara.
— p**a que pariu! Valeu cada minuto gasto de negociação. — me entusiasmei e levantei, ela fez o mesmo, puxando a saia, como se pudesse ficar mais longa e saiu andando, calmamente. Se existisse um prêmio de melhor assistente/secretária ela com certeza ganharia.
Liguei para os caras, é isso, nossa agência é um sucesso isso merece uma comemoração!